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Enchentes e enxurradas  levam Chile a decretar zona de catástrofe em Santiago no outubro mais chuvoso em 76 anos
Conflitos

Enchentes e enxurradas levam Chile a decretar zona de catástrofe em Santiago no outubro mais chuvoso em 76 anos

09/10/2026·618 palavras

Governo chileno decreta zona de catástrofe em Las Condes após correnteza de água, lama e pedras atingir casas, clínicas e áreas universitárias

Uma enxurrada de água, lama e pedras tomou ruas de Santiago na quinta-feira (8), arrastou carros, tombou um ônibus e deixou pessoas presas em veículos e edifícios em Las Condes, no setor leste da capital chilena. Provocada pelas chuvas intensas e pelo transbordamento de canais, a correnteza atingiu moradias, clínicas e áreas universitárias, levando o presidente José Antonio Kast a decretar zona de catástrofe na comuna para mobilizar recursos e equipes de emergência.

Segundo a CNN Brasil, o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred) informou que havia pessoas retidas em veículos particulares, no transporte público e em universidades, sem registro de feridos naquele balanço. A reportagem mais recente também mencionou uma morte provocada pelo temporal no país, mas não a associou diretamente ao desastre em Las Condes.

Policiais, bombeiros, equipes municipais e militares foram mobilizados para atender os moradores. O governo também acionou representantes das áreas de Obras Públicas, Defesa, Saúde e Energia. Enquanto os resgates avançavam, a prefeita Catalina San Martín orientou a população a evitar deslocamentos desnecessários e a respeitar as instruções das equipes.

A emergência se concentrou em San Carlos de Apoquindo, onde ruas foram tomadas pela correnteza após o transbordamento do Canal San Carlos. Conforme a MetSul, a água também atingiu a Clínica San Carlos de Apoquindo e a Clínica Universidad de los Andes. Um trabalhador relatou que lama e pedras invadiram os níveis subterrâneos de um edifício cerca de 20 minutos depois do início da chuva mais intensa.

As causas ainda estavam sob avaliação. O delegado presidencial da Região Metropolitana, Germán Codina, apontou, preliminarmente, a possível obstrução de duas tubulações. Ele também associou a vulnerabilidade da área a um incêndio no verão anterior, que destruiu a vegetação responsável por proteger o terreno. Diante do risco de novos movimentos de massa, o Senapred declarou alerta vermelho para dez comunas, com mobilização de recursos e preparação para evacuações.

O desastre ocorreu em meio ao que meteorologistas descreveram como o outubro mais chuvoso em Santiago em 76 anos, segundo reportagem da Rede Brasil de Televisão, baseada em informações da Reuters Connect. A cobertura atribuiu as precipitações históricas ao chamado “Super El Niño”, associado ao deslocamento das trajetórias das tempestades no Pacífico para latitudes mais ao norte.

Na quarta-feira (7), helicópteros da polícia já haviam resgatado pelo menos 17 pessoas, incluindo crianças, em Talagante, cerca de 35 quilômetros a sudoeste de Santiago. O rio Mapocho transbordou e atingiu uma ocupação situada em seu leito. Os moradores foram retirados com seus animais de estimação e encaminhados ao estádio municipal para atendimento médico.

Os novos episódios sucedem os temporais de julho, que começaram no sul e avançaram para Coquimbo e Atacama, no norte desértico do Chile. Na ocasião, rios transbordaram, estradas foram bloqueadas e comunidades perderam acesso a serviços essenciais. O governo decretou estado de catástrofe e mobilizou o Exército para os resgates.

Em balanço divulgado em 20 de julho e publicado pelo g1, com informações da France Presse, as autoridades contabilizavam dez mortos, quatro desaparecidos e mais de 100 mil pessoas isoladas. Cerca de 150 mil estavam sem energia. Ondas fortes e ventos superiores a 100 quilômetros por hora também levaram dezenas de portos a restringir operações naquele período.

A Exame, em reportagem de 23 de julho, apresentou um balanço posterior de 13 mortos, sete desaparecidos, 81 casas destruídas e 2.761 com danos graves. O temporal foi classificado pela Direção Meteorológica chilena como o mais severo em duas décadas pela intensidade e extensão territorial. Esses dados se referem à emergência de julho; em outubro, as autoridades ainda avaliavam os danos dos novos episódios.

FUP Explica

O Chile enfrenta em outubro de 2026 uma combinação perigosa: um fenômeno climático de escala continental, o "Super El Niño", encontra uma capital despreparada para chuvas históricas. O resultado é uma crise de gestão de risco que vai além do episódio pontual em Las Condes. A destruição da vegetação por incêndios no verão anterior agravou a vulnerabilidade do terreno, o que sugere que eventos futuros de chuva intensa podem ter impacto ainda maior nas mesmas áreas enquanto a cobertura vegetal não se recuperar.

Do ponto de vista político e institucional, a decretação de zona de catástrofe pelo presidente Kast concentra recursos e agiliza decisões, mas também expõe a pressão sobre o governo para explicar falhas de infraestrutura, como a possível obstrução das tubulações apontada pelo delegado presidencial. A sequência de emergências, julho e agora outubro, tende a intensificar o debate público sobre planejamento urbano em áreas de risco e sobre a capacidade do Estado chileno de responder a desastres climáticos recorrentes.

Para a população de Santiago, o impacto imediato é de paralisia: pessoas retidas, transporte interrompido, clínicas atingidas e risco de novos movimentos de massa com alerta vermelho ativo para dez comunas. A médio prazo, o acúmulo de danos, 2.761 casas com danos graves só em julho, segundo a Exame, aponta para uma demanda crescente por reconstrução e por políticas de habitação em zonas seguras, o que exige recursos e tempo que governos em crise de emergência raramente conseguem mobilizar com agilidade.

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