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Hapag-Lloyd eleva sobretaxa para US$ 1.350 por contêiner em Manaus por risco de seca severa
Hapag-Lloyd implementa sobretaxa de baixo nível de água (LWS) para contêineres com destino a Manaus a partir de 12 de setembro de 2026, devido à redução esperada dos níveis de água na Amazônia durante a estação seca. Medida afeta diretamente custos de frete para exportadores e importadores brasileiros na região.
A Hapag-Lloyd anunciou uma sobretaxa de baixo nível de água (Low Water Surcharge, LWS) de US$ 1.350 por contêiner para cargas com origem ou destino em Manaus, com vigência a partir de 12 de setembro de 2026. A medida foi divulgada pelo Container News nesta quinta-feira (13) e responde às expectativas de uma estação seca severa na Amazônia Ocidental.
A cobrança se aplica a todos os tipos de contêineres com data de tarifação em ou após 12 de setembro, abrangendo tanto importações quanto exportações pela rota amazônica. Segundo a armadora, a sobretaxa Manaus destina-se a cobrir custos adicionais e desafios operacionais decorrentes da navegação no Rio Amazonas em períodos de estiagem, quando o nível reduzido da água restringe o calado dos navios e limita a quantidade de carga que as embarcações podem transportar com segurança.
O valor anunciado representa uma escalada em relação à cobrança anterior da própria Hapag-Lloyd na mesma rota. Em julho de 2025, conforme registrado pelo Portal Portuario, a armadora havia implementado uma LWS de US$ 1.000 por TEU para Manaus. A nova sobretaxa, portanto, é US$ 350 maior do que a aplicada no ciclo anterior de estiagem.
A Hapag-Lloyd informou que monitora continuamente os níveis do Rio Amazonas conforme a estação seca de 2026 avança. A empresa reserva-se o direito de ajustar a data de vigência caso o início da estiagem seja adiado, com compromisso de emitir novo comunicado com 30 dias de antecedência nesse cenário.
Alerta hidrológico e contexto setorial
A decisão da armadora tem respaldo em alerta emitido pela Autoridade Fluvial da Amazônia Ocidental em 14 de julho de 2026, que apontou probabilidade elevada de condições de estiagem severa na segunda metade de setembro.
A Hapag-Lloyd não é a única armadora a adotar a medida. A CMA CGM anunciou, em 10 de agosto, uma sobretaxa de US$ 753 por TEU para a mesma rota, com vigência a partir de 6 de setembro de 2026. A diferença de valores entre as duas armadoras evidencia que, embora o desafio hidrológico seja compartilhado pelo setor, cada empresa define sua própria estrutura de cobrança para cobrir as ineficiências operacionais do período seco.
FUP Explica
A sobretaxa de baixo nível de água não é novidade para quem opera pela rota de Manaus, mas o valor de US$ 1.350 por contêiner, 35% acima do que a própria Hapag-Lloyd cobrou em 2025, sinaliza que as armadoras estão precificando um risco hidrológico maior neste ciclo de estiagem. Com a CMA CGM também anunciando sua própria LWS para o mesmo período, o custo adicional deixa de ser uma exceção de uma armadora e passa a ser uma condição de mercado para quem depende do corredor fluvial amazônico.
Na prática, importadores e exportadores que operam por Manaus vão absorver esse custo ou repassá-lo ao longo da cadeia, dependendo do poder de negociação de cada parte. Para setores com margens mais apertadas ou contratos de frete já fechados, a sobretaxa pode pressionar diretamente a rentabilidade da operação. Vale lembrar que a cobrança incide sobre todos os tipos de contêiner, sem distinção de produto ou destino final.
Há ainda uma variável de incerteza: a Hapag-Lloyd deixou aberta a possibilidade de antecipar ou adiar a vigência conforme a evolução dos níveis do rio, o que exige atenção dos operadores ao calendário de tarifação. Quem tiver cargas com data de tarifação próxima a 12 de setembro precisa acompanhar eventuais comunicados da armadora para não ser surpreendido por uma cobrança inesperada ou, ao contrário, por uma janela de isenção caso a estiagem demore a se instalar.
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