
Imagem gerada por IA
Hapag-Lloyd cria taxa de US$ 155 por TEU no Canal do Panamá e amplia cobranças em outras rotas
A Hapag-Lloyd vai aplicar uma Panama Canal Charge de US$ 155 por TEU aos embarques originados na Oceania com destino à Costa Leste dos Estados Unidos e à América Latina. A cobrança entra em vigor em 17 de outubro de 2026 e será discriminada como componente separado nas faturas de frete, não incorporada ao valor base, conforme informou o Container News.
O armador não detalhou publicamente o motivo para a introdução da taxa, segundo o mesmo veículo. Para embarques sujeitos às regras de registro e notificação da Federal Maritime Commission (FMC), dos Estados Unidos, a entrada em vigor seguirá os prazos regulatórios aplicáveis. Por ser estabelecida por TEU, um contêiner de 20 pés terá acréscimo de US$ 155; o valor para unidades de 40 pés não foi especificado.
O anúncio da Panama Canal Charge ocorre cerca de seis dias depois de a Hapag-Lloyd comunicar outra cobrança adicional, desta vez voltada às operações no Oriente Médio. Em 16 de setembro de 2026, a própria armadora anunciou uma Middle East Emergency Surcharge (MES) para cargas transportadas de Jeddah, na Arábia Saudita, para Aden, no Iêmen, em razão da situação operacional na região de Bab el-Mandeb.
Como solução alternativa para as cargas destinadas a Aden que se encontravam em Jeddah, a Hapag-Lloyd organizou um serviço feeder operado por terceiros. Com isso, os contêineres poderão avançar até o porto iemenita, onde ficarão disponíveis para desembaraço aduaneiro e retirada.
Os valores da MES variam conforme o tipo de equipamento e a natureza da carga. Para contêineres dry, a cobrança será de US$ 1.700 por unidade de 20 pés e US$ 3.400 por unidade de 40 pés. Nos reefers, os valores sobem para US$ 2.200 e US$ 4.400, respectivamente. Cargas perigosas terão sobretaxa de US$ 2.500 por contêiner de 20 pés e US$ 5.000 por unidade de 40 pés. A armadora informou que a MES será cobrada além do frete, da War Risk Surcharge (WRS) e de outras taxas portuárias aplicáveis.
Os dois anúncios se somam a um ciclo de ajustes tarifários da Hapag-Lloyd em 2026. Em 1º de outubro de 2026, entra em vigor um reajuste de fretes na rota do Mediterrâneo Oriental, excluindo a Grécia, com destino ao Caribe, à América Central e à costa oeste da América do Sul, abrangendo contêineres secos de 20 e 40 pés, reefers e equipamentos high-cube.
O movimento não é exclusivo da Hapag-Lloyd. A MSC introduziu uma Panama Canal Surcharge para embarques da Ásia à Costa Leste e ao Golfo dos EUA, e a CMA CGM também implementou sobretaxas relacionadas ao Canal do Panamá em resposta a mudanças no sistema de reservas da autoridade canaleira. A Maersk, por sua vez, anunciou Peak Season Surcharge de até US$ 1.000 por contêiner para embarques do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina com destino ao Norte da Europa, com entrada em vigor em 8 de outubro de 2026.
FUP Explica
A combinação de dois anúncios em menos de uma semana, em rotas completamente distintas, reforça um padrão que o mercado de frete marítimo vem observando ao longo de 2026: as grandes armadoras estão usando sobretaxas nomeadas e discriminadas como mecanismo recorrente de ajuste de receita, em vez de simplesmente reajustar o frete base. Isso tem uma consequência prática importante para quem compra frete: o preço final fica cada vez mais difícil de prever no momento da contratação, porque a composição da fatura pode mudar com poucas semanas de antecedência.
No caso da Panama Canal Charge de US$ 155 por TEU, a ausência de justificativa pública da Hapag-Lloyd é um dado relevante por si só. Outras armadoras, como a MSC, atribuíram cobranças semelhantes ao aumento dos custos de trânsito e às restrições operacionais no Canal do Panamá. Sem explicação oficial, fica mais difícil para importadores e exportadores avaliarem se a taxa é proporcional ao custo real ou se funciona como margem adicional em um momento de pressão sobre os fretes. Para embarques sujeitos à FMC, há ao menos um rito regulatório que impõe prazo e registro, o que oferece alguma previsibilidade jurídica no mercado americano.
A MES do Oriente Médio tem lógica diferente: a instabilidade em Bab el-Mandeb já vinha afetando rotas que cruzam o Mar Vermelho desde 2024, e a cobrança emergencial reflete o custo real de operar um feeder alternativo entre Jeddah e Aden. Ainda assim, os valores, que chegam a US$ 5.000 por contêiner de 40 pés para cargas perigosas, além do frete e da War Risk Surcharge, tornam essa rota significativamente mais cara para quem depende do porto de Aden. No médio prazo, o acúmulo de sobretaxas em rotas sensíveis tende a pressionar empresas a reavaliar portos de destino ou a absorver custos que dificilmente conseguem repassar integralmente ao cliente final.




