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Gemini elimina escala em Xangai após reformulação de serviços intra-Ásia
Cooperativa Gemini funde dois serviços de transporte intra-Ásia, eliminando escala no maior porto de contêineres do mundo em Xangai para melhorar confiabilidade de cronograma.
A cooperativa Gemini, formada por Maersk e Hapag-Lloyd, anunciou a fusão dos serviços intra-Ásia A04 e A14, eliminando a escala no porto de Xangai, o maior terminal de contêineres do mundo. A reestruturação desta segunda-feira (7), tem como objetivo, segundo a própria Maersk, “aprimorar a confiabilidade dos horários e oferecer um serviço mais consistente”.
O serviço A04, que será descontinuado, operava com dois navios com capacidade média de 4.200 teu na rota Dalian-Tianjin-Busan-Xangai. Conforme apurado pelo The Loadstar, a última viagem do serviço será realizada pelo Seaspan Lingue, de 4.250 teu, com partida de Dalian prevista para 23 de setembro.
O A14, por sua vez, operava com quatro navios com capacidade média de 4.500 teu na rota Tianjin-Tanjung Pelepas-Singapura-Xiamen-Busan e, com a fusão, será expandido e reformulado para absorver a demanda anteriormente atendida pelo A04.
O novo A14 inicia as operações com o navio Ute, de 5.000 teu, partindo de Tianjin em 26 de setembro no sentido leste, enquanto a rotação revisada passa a seguir o itinerário Tianjin-Tanjung Pelepas-Singapura-Xiamen-Tianjin-Dalian-Busan. Com a reformulação, Xangai deixa de integrar o itinerário, as escalas em Busan passam de duas para uma por semana e o hub de Tanjung Pelepas, na Malásia, ganha maior importância na nova estrutura como ponto de consolidação de cargas.
Apesar das mudanças, a Maersk informou aos clientes que o ajuste preserva a conectividade entre o Nordeste e o Sudeste Asiático por meio de uma estrutura de serviço consolidada.
Embora a Maersk não tenha citado o congestionamento como motivo para a mudança, a reestruturação ocorre em um momento de forte pressão operacional nos portos chineses. De acordo com dados da Linerlytica, a capacidade dos navios que aguardavam berço em todo o mundo somava 3,92 milhões de teu, dos quais 56% estavam concentrados no Nordeste Asiático, especialmente na região de Xangai e Ningbo.
O tufão Saudel, que atingiu a região na semana anterior ao anúncio, agravou esse cenário, uma vez que as operações em Ningbo e Xangai foram severamente afetadas, com atrasos superiores a dez dias nos casos mais graves, conforme dados da Linerlytica citados pelo The Loadstar. A Kuehne + Nagel, por sua vez, registrou ocupação dos pátios de Ningbo próxima a 95% e tempo médio de espera dos navios de 3,5 dias, enquanto, em Xangai, a espera média se aproximava de cinco dias.
Além das filas para atracação, a Kuehne + Nagel alertou que o congestionamento dos berços, a alta ocupação dos pátios e os sucessivos ajustes nos cronogramas provocavam acúmulo de carga, aumentando o risco de rollovers e atrasos nos transbordos em Xangai.
Histórico de ajustes da Gemini
A reformulação dos serviços intra-Ásia não é um movimento isolado, pois a Gemini já havia anunciado, em julho de 2026, mudanças no serviço AE15, que conecta Ásia, Mediterrâneo e Europa, incluindo a transição para a rota pelo Canal de Suez em resposta à melhora das condições de segurança no Mar Vermelho, conforme comunicado da Maersk.
A cooperativa entrou em operação em fevereiro de 2025, reunindo Maersk e Hapag-Lloyd em um modelo distinto das alianças tradicionais do setor e baseado na consolidação de rotas e no uso de hubs estratégicos para organizar as conexões entre diferentes mercados.
FUP Explica
A retirada de Xangai do itinerário de um serviço intra-Ásia da Gemini é, na prática, um sinal de que o congestionamento no maior porto de contêineres do mundo chegou a um ponto em que as armadoras preferem redesenhar rotas a continuar absorvendo atrasos. A Maersk enquadrou a decisão como melhoria de confiabilidade, mas o contexto é claro: com pátios perto do limite e filas de navios acima de cinco dias em Xangai, manter a escala significava comprometer o cronograma de toda a rotação.
Para embarcadores e agentes de carga que dependem de conexões diretas via Xangai nesse serviço, a mudança exige adaptação. Cargas que antes tinham acesso direto precisarão ser roteadas por outros serviços ou via transbordo em Tanjung Pelepas, o que pode adicionar tempo de trânsito e custo. A redução das escalas em Busan de duas para uma por semana também aperta a janela de conexão para quem usa a Coreia do Sul como ponto de transbordo para destinos menores.
O movimento reforça uma tendência que vem se desenhando no pós-pandemia: armadoras priorizando previsibilidade de cronograma em vez de cobertura máxima de portos. Isso tende a concentrar fluxos em hubs de transbordo como Tanjung Pelepas e Singapura, que ganham peso à medida que portos do norte da China acumulam pressão operacional. A questão é saber se o congestionamento em Xangai e Ningbo é conjuntural, causado pelo tufão, ou se reflete um problema estrutural de capacidade que vai continuar forçando ajustes de rota nos próximos meses.




