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Fretes marítimos dentro da Ásia sobem 2% e renovam recorde pela sexta semana
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Fretes marítimos dentro da Ásia sobem 2% e renovam recorde pela sexta semana

05/10/2026·504 palavras

Tufões, congestionamentos e cancelamentos de escalas pressionam os preços; redução dos embarques durante o feriado chinês pode aliviar os atrasos

Com navios à espera nos portos chineses e serviços afetados por tufões, os fretes de contêineres dentro da Ásia voltaram a subir na semana reportada em 3 de outubro. O Índice de Contêineres Intra-Ásia (IACI), da Drewry, avançou 2%, para US$ 1.518 por contêiner de 40 pés, atingindo um recorde pela sexta semana consecutiva. A alta ocorreu em meio à redução da capacidade disponível, aos custos operacionais mais elevados e à demanda por embarques antes da Semana Dourada chinesa.

Segundo o PortalPortuario, a consultoria apontou que as companhias marítimas recorreram a cancelamentos de escalas e à retirada de portos dos itinerários, limitando a oferta de transporte. Somadas às interrupções operacionais recentes, essas decisões sustentaram o avanço das tarifas nas ligações da China com o Sudeste Asiático e o sul da Ásia.

Entre as rotas com origem em Xangai, os fretes para Ho Chi Minh, no Vietnã, e Manila, nas Filipinas, subiram 7%, chegando a US$ 1.377 e US$ 1.062 por contêiner de 40 pés, respectivamente. Para os centros de transbordo de Singapura e Tanjung Pelepas, na Malásia, o aumento foi de 4%, com valores de US$ 2.073 e US$ 2.056.

A pressão sobre os preços veio acompanhada de atrasos nos principais portos chineses. Na semana 39, Xangai e Ningbo continuaram enfrentando acúmulo de navios e alterações nos cronogramas, com tempos médios de espera de 82 e 56 horas, respectivamente. Esse cenário reduziu a capacidade efetiva dos serviços, mesmo com embarcações disponíveis nas redes de transporte.

Para as próximas semanas, porém, a Drewry prevê estabilização das tarifas. A expectativa é que a queda dos volumes durante a Semana Dourada contribua para reduzir os atrasos acumulados e aliviar os fretes em algumas rotas para o Sudeste Asiático.

O movimento de alta não atingiu todas as ligações com a mesma intensidade. As tarifas de Xangai para Busan, Kaohsiung e Yokohama permaneceram relativamente estáveis. Já no sentido inverso, os embarques de Busan para Xangai ficaram 7% mais caros, a US$ 146 por contêiner de 40 pés, enquanto os de Yokohama para o porto chinês subiram 5%, para US$ 116.

Na ligação entre Xangai e Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos, a deterioração da situação no Oriente Médio manteve o frete elevado, em US$ 8.662 por contêiner de 40 pés. No conjunto do mercado intra-asiático, o índice registra alta de 212% na comparação anual, sustentada pelos custos de combustível e pelas persistentes interrupções geopolíticas.

O combustível também motivou uma cobrança adicional. A CMA CGM anunciou um recargo emergencial de US$ 75 por TEU — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés — para todas as rotas intrarregionais, com entrada em vigor em 1º de outubro.

Como reforço à oferta de transporte, a OOCL prevê iniciar, em 23 de outubro, o serviço China–Cambodia–Thailand (CCT4), com escalas em Nansha, Shekou, Sihanoukville e Songkhla. A operação acrescentará capacidade e estabelecerá conexões diretas entre o sul da China e o Sudeste Asiático.

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A sexta alta consecutiva do IACI, com acumulado de 212% no ano, sinaliza que o mercado de fretes dentro da Ásia deixou de ser um episódio pontual e passou a refletir uma combinação de fatores estruturais e conjunturais que se reforçam mutuamente. Congestionamentos nos portos, interrupções climáticas e gestão ativa de oferta pelas armadoras formam um ciclo que mantém as tarifas elevadas mesmo quando há navios disponíveis, porque o gargalo está na operação portuária, não na frota.

Para importadores brasileiros que dependem de componentes, matérias-primas ou produtos acabados vindos do Sudeste Asiático, o cenário traz dois problemas práticos: custo e prazo. Fretes mais altos encarecem a mercadoria antes mesmo de ela chegar ao porto brasileiro, e os atrasos nos portos chineses aumentam o risco de desabastecimento e de custos extras com armazenagem e demurrage. O recargo emergencial da CMA CGM, de US$ 75 por TEU, é um sinal de que as armadoras tendem a repassar pressões de custo de forma rápida e sem aviso longo.

A perspectiva de alívio com a Semana Dourada é real, mas temporária: o feriado reduz volumes e pode destravar parte dos atrasos, mas não resolve o congestionamento estrutural nem elimina o risco de novos tufões. O novo serviço da OOCL, previsto para outubro, adiciona capacidade em rotas específicas do sul da China para o Sudeste Asiático, o que pode ajudar a equilibrar oferta e demanda naquele corredor, mas o efeito sobre o índice geral depende de como os demais fatores evoluírem.

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