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Fragmentação de marketplaces complica planejamento logístico da Black Friday
Transportadoras reforçam capacidade para atender e-commerce estimado em R$ 14,75 bilhões. Contexto de demanda sazonal sem impacto direto em regulação ou comex.
O planejamento da Black Friday logística no Brasil começa muito antes de qualquer promoção chegar ao consumidor. Segundo a Transporte Moderno, agosto e setembro são os meses em que transportadoras revisam frotas, redistribuem caminhões entre regiões, reorganizam escalas de motoristas e negociam capacidade com embarcadores, numa preparação que reflete tanto o crescimento do e-commerce quanto a diluição do calendário promocional ao longo de semanas.
A edição de 2026 deve movimentar R$ 14,75 bilhões no e-commerce brasileiro, com mais de 18,2 milhões de pedidos previstos e crescimento de 10,47% sobre o ano anterior. O tíquete médio esperado para a data é de R$ 808,50, de acordo com o E-Commerce Brasil.
Para situar a evolução da data no tempo: em novembro de 2025, a Forbes Brasil publicou projeção da Abiacom (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce) indicando que a Black Friday daquele ano deveria movimentar R$ 13,34 bilhões, com crescimento de 14,7% sobre os R$ 11,63 bilhões registrados em 2024. A Black Friday de 2026 não está isolada no calendário: segundo o E-Commerce Brasil, as quatro principais campanhas sazonais do segundo semestre devem injetar R$ 65,07 bilhões no e-commerce, com o Natal liderando em volume, R$ 29,60 bilhões e 42,24 milhões de pedidos projetados, seguido pela Black Friday, Dia das Crianças (R$ 10,16 bilhões) e Dia dos Pais (R$ 10,56 bilhões).
Leonardo Busin, CEO da Transportadora Buzin, sintetizou o desafio em declaração à Transporte Moderno: "A Black Friday não começa quando o consumidor abre o aplicativo para procurar descontos. Ela começa meses antes, quando a logística precisa decidir onde cada caminhão vai estar, quais operações terão prioridade e como garantir capacidade suficiente para atender um aumento repentino da demanda."
O cenário é agravado pela fragmentação das operações. A expansão dos marketplaces substituiu grandes embarques para poucos clientes por um volume crescente de entregas originadas em milhares de vendedores distribuídos pelo país, o que aumenta a complexidade do planejamento, conforme apurou a Transporte Moderno.
Novos centros de distribuição e ampliação aérea
O Grupo Casas Bahia inaugurou um novo centro de distribuição em Ribeirão Preto (SP), elevando para 26 o número de CDs da companhia. A unidade tem 16 mil metros quadrados de área operacional, foi projetada para produtos de maior giro e deve movimentar cerca de 100 veículos por dia.
No modal aéreo, a LATAM Cargo Brasil reforçou a operação doméstica com mais de 2,4 mil frequências para o período de pico, ampliando em 12,3% a capacidade de transporte, o equivalente a aproximadamente 3,8 milhões de quilos adicionais, conforme informou o Mundo Logística.
A expansão incluiu novas rotas, aumento de frequências em destinos existentes, contratação de mais de 100 novos profissionais e crescimento de 25% na frota dedicada a entregas domiciliares, com mais de 70 novas cidades atendidas. No hub de Guarulhos, a companhia instalou um sistema automatizado de sorterização, o primeiro de toda a holding LATAM, capaz de processar até 72 mil pacotes por dia, dentro de um plano de investimentos de R$ 10 milhões, segundo o Mundo Logística.
A concentração das promoções na última sexta-feira de novembro cedeu lugar a um período que, em muitos casos, começa ainda em outubro e se estende por praticamente todo o mês de novembro. Essa diluição distribui as vendas ao longo de várias semanas, mas também prolonga a pressão sobre a cadeia logística por um intervalo mais extenso do que o modelo original da data sugeria.
FUP Explica
O que essa movimentação revela, antes de qualquer coisa, é que o e-commerce brasileiro amadureceu o suficiente para forçar uma reorganização estrutural da logística, não apenas um pico sazonal gerenciável. Quando uma transportadora precisa decidir em agosto onde cada caminhão vai estar em novembro, o planejamento deixou de ser tático e virou parte do modelo de negócio. Quem não tiver capacidade contratada com antecedência tende a ficar de fora do pico ou a pagar mais caro por capacidade spot, o que corrói margem.
O investimento da LATAM Cargo num sistema de sorterização em Guarulhos, o primeiro da holding, aponta para algo relevante: o modal aéreo está competindo de forma mais direta com a entrega rodoviária no e-commerce doméstico, especialmente para produtos de alto valor e prazo curto. Isso pode pressionar as transportadoras rodoviárias a se especializarem mais, seja em regiões onde o aéreo não chega, seja em categorias de produto onde o custo do frete aéreo não cabe na equação.



