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Exportações brasileiras para o bloco europeu crescem 26% após acordo Mercosul-UE
Comércio Exterior

Exportações brasileiras para o bloco europeu crescem 26% após acordo Mercosul-UE

21/07/2026·385 palavras
Acordo Mercosul-UE gera crescimento significativo nas exportações brasileiras para a Europa, refletindo impacto direto em balança comercial e oportunidades de comércio exterior.

O acordo Mercosul-UE gerou resultado concreto nos primeiros meses de vigência: as exportações brasileiras para o bloco europeu cresceram 26% em termos anuais em maio e junho, os dois primeiros meses de aplicação provisória do tratado. Os dados são de estudo divulgado pela ApexBrasil e mostram um incremento de US$ 2 bilhões no período, elevando o total exportado para a União Europeia no primeiro semestre a US$ 26,9 bilhões — alta de 12,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Acordo Mercosul-UE em números: o que os dados revelam

O presidente da ApexBrasil, Laudemir André Müller, evitou atribuir o crescimento exclusivamente ao acordo, mas reconheceu que há "muitos indícios" de que as reduções tarifárias já começaram a influenciar os fluxos comerciais. O contraste com o desempenho nas exportações para os Estados Unidos reforça essa leitura: no mesmo semestre, as vendas ao mercado norte-americano recuaram 13%, totalizando US$ 17,4 bilhões.

A pauta exportadora também mostrou maior diversificação, com destaque para produtos industriais e bens de maior valor agregado. O mel liderou o crescimento com alta de 246,7%, seguido por peças para turborreatores (+141,9%) e óleo essencial de laranja (+110,1%). Esse perfil sugere que o acordo não está beneficiando apenas commodities tradicionais, mas abrindo espaço para segmentos com maior margem e complexidade produtiva.

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Operações e oportunidades

Desde 1º de maio, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio registrou as primeiras operações utilizando cotas tarifárias previstas no acordo. Entre os produtos exportados estão carne bovina, carne de aves e cachaça. No sentido inverso, chocolates, tomates e queijos europeus já entraram no Brasil com benefícios tarifários.

Para os exportadores, o acordo abre acesso a mais de 5 mil linhas tarifárias com tarifa zero na União Europeia, incluindo uma nova cota de 99 mil toneladas para carne bovina. Isso representa redução de custos e maior previsibilidade regulatória para quem já opera ou pretende entrar no mercado europeu. O Portal Único Siscomex opera plenamente para os processos ligados às cotas tarifárias, mas as exigências documentais são mais rigorosas e novos padrões regulatórios estão em implementação — o que exige atenção redobrada na conformidade.

Do lado das importações, setores que concorrem com produtos europeus como alimentos processados, chocolates e queijos precisam revisar estratégias de precificação e margens, já que a concorrência tende a se intensificar com a abertura gradual.

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O recuo nas exportações para os EUA acelerou um movimento que a ApexBrasil vinha orientando desde o início das tensões comerciais: a diversificação para Europa, Ásia e Índia. O resultado é expressivo — 72% das 2.400 empresas apoiadas pela agência começaram a exportar para pelo menos um novo mercado desde o início das turbulências.

O acordo ainda não está em vigor definitivo. A entrada em vigor plena depende da aprovação pelos Estados-membros e pelo Parlamento Europeu. Ainda assim, a vigência provisória já cobre 95% das compras da União Europeia e 91% das importações do Mercosul, o que torna o impacto operacional imediato e relevante para quem atua no comércio exterior brasileiro. Empresas que agirem agora para revisar cadeias de suprimentos, contratos e estratégias de precificação saem na frente em um ambiente que tende a se tornar cada vez mais competitivo.

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