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Exportações brasileiras aos EUA caem 9,7% entre janeiro e agosto
Comércio Exterior

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Exportações brasileiras aos EUA caem 9,7% entre janeiro e agosto

10/09/2026·688 palavras
Exportações brasileiras para os EUA recuam 9,7% no ano devido ao impacto das tarifas americanas, afetando principalmente produtos específicos. Dado crítico para exportadores que operam com o mercado norte-americano.

As exportações aos EUA acumularam queda de 9,7% entre janeiro e agosto de 2026, somando US$ 24,1 bilhões, o menor valor para esse período desde 2023. A retração equivale a cerca de US$ 2,6 bilhões a menos em vendas em relação ao mesmo intervalo de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apurados pelo Exame.

O mês de agosto isolado apresentou uma aparente contradição: o valor exportado cresceu 12,1% na comparação com agosto de 2025, mas o volume físico caiu 17,3%, o menor para um mês de agosto desde 2021, conforme o Exame. A explicação está nos preços: os produtos mais vendidos aos Estados Unidos ficaram, em média, 8,6% mais caros no período, o que sustentou o valor sem recuperar o volume.

O recuo acumulado reflete uma série de medidas tarifárias implementadas pelo governo Trump desde abril de 2025. Naquele mês, os EUA aplicaram uma tarifa recíproca de 10% com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Em julho de 2025, Trump anunciou uma sobretaxa adicional de 40%, elevando a alíquota total a 50% e associando a medida ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou, por 6 votos a 3, o uso da IEEPA para aplicar tarifas globais sem aprovação do Congresso.

A Casa Branca respondeu com uma nova tarifa de 10%, desta vez baseada na Seção 122 da Lei Comercial de 1974, com validade de 150 dias. Em junho de 2026, concluiu-se a investigação sob a Seção 301 da mesma lei, e em julho o USTR anunciou uma tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros, em vigor desde 22 de julho de 2026. Dois dias depois, em 24 de julho, entrou em vigor uma sobretaxa adicional de 12,5% relacionada a investigação sobre trabalho forçado, elevando a alíquota total a até 37,5% em alguns produtos.

Em novembro de 2025, após conversas entre o presidente Lula e Trump, o governo americano havia retirado a sobretaxa de 40% sobre 238 itens, entre eles café, carne bovina, algumas frutas e especiarias, com efeito retroativo a 13 de novembro, segundo o Exame. Mesmo assim, dados de janeiro de 2026 indicavam que 22% das exportações brasileiras para os EUA, equivalente a US$ 8,9 bilhões, continuavam sujeitas às tarifas estabelecidas em julho de 2025, conforme a Agência Brasil.

A indústria extrativa registrou a maior queda proporcional: as exportações ao mercado americano recuaram 28,9% no acumulado do ano, enquanto as vendas para os demais mercados avançaram 19,6% no mesmo período. O petróleo bruto concentra boa parte desse recuo, com queda de 31,5% nas vendas aos EUA em momento de crescimento das exportações do produto para outros destinos.

O agronegócio, que responde por 83,3% de tudo que o Brasil exporta aos Estados Unidos, registrou queda de 4,9% no acumulado do ano. Os embarques para os EUA caíram 26,7% entre janeiro e agosto, enquanto cresceram 9,5% para o restante do mundo. O setor ainda sofre o efeito das sobretaxas de 25% a 37,5% sobre produtos não contemplados pelas isenções negociadas em novembro de 2025.

Dados da Agência Brasil referentes a setembro de 2025 mostram que açúcares recuaram 69,5% em agosto daquele ano na comparação com julho, proteínas animais caíram 45,8% e preparações alimentícias recuaram 37,5%. As exportações de alimentos industrializados para os EUA somaram US$ 332,7 milhões em agosto de 2025, queda de 27,7% em relação a julho.

Negociações em curso

No acumulado de 2025, as exportações brasileiras aos EUA somaram US$ 37,716 bilhões, queda de 6,6% em relação aos US$ 40,368 bilhões registrados em 2024, conforme a Agência Brasil. No mesmo ano, as importações de produtos norte-americanos cresceram 11,3%, alcançando US$ 45,246 bilhões, o que resultou em déficit de US$ 7,530 bilhões na balança comercial bilateral.

Representantes de Brasil e Estados Unidos retomaram o diálogo em 31 de agosto de 2026 para negociar a retirada das tarifas, segundo o NH Notícias. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin havia afirmado, em janeiro de 2026, que o governo brasileiro mantém estratégia de negociação e diálogo com Washington, de acordo com a Agência Brasil.

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O dado mais revelador deste levantamento não é a queda de 9,7% em valor, mas a queda de 17,3% em volume em agosto: o Brasil está exportando menos produto físico aos EUA e compensando parte da perda com preços mais altos. Isso significa que a retração real no fluxo comercial é mais profunda do que o número em dólares sugere, e que qualquer reversão de preços internacionais pode expor esse rombo com mais clareza.

O caso do petróleo bruto é emblemático: queda de 31,5% para os EUA enquanto as vendas para outros mercados crescem. Isso indica que o redirecionamento de fluxos está acontecendo, mas não sem custo, já que mudar de comprador implica logística diferente, preços negociados em condições distintas e, em alguns casos, descontos para fechar negócio. O agronegócio enfrenta um problema parecido, mas com agravante: ele representa 83,3% da pauta exportadora para os EUA, então a margem para absorver a queda sem sentir no resultado é menor.

No plano político, a retomada do diálogo em 31 de agosto é um sinal positivo, mas o histórico recente mostra que as negociações avançam devagar e as tarifas mudam de base legal com frequência, o que complica qualquer planejamento de médio prazo. A estrutura tarifária atual, com alíquotas de até 37,5% e uma camada baseada em investigação de trabalho forçado, tem natureza diferente das tarifas recíprocas anteriores e pode ser mais difícil de remover por via diplomática, já que envolve argumentos de política interna americana.

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