
Excesso de navios derruba fretes e força armadores a intensificar blank sailings em 2026
Volumes de contêineres globais em H1 2026 ficam abaixo de 2025, sinalizando desaceleração na demanda. Tendência setorial relevante com precedente editorial na FUP.
A movimentação de TEU global registrou queda expressiva no primeiro semestre de 2026. Segundo estimativas operacionais da EconDB, os liftings mundiais totalizaram 89,2 milhões de TEU entre janeiro e junho, um recuo de 10,6% frente ao mesmo período de 2025 e de 7,4% em relação ao H1 2024. O resultado confirma uma desaceleração consistente, ainda que os volumes sigam acima dos registrados em 2022 e 2023.
O mês de março foi o de maior divergência em relação aos anos anteriores. Os liftings estimados atingiram 14,99 milhões de TEU, contra 16,76 milhões em 2024 e 17,85 milhões em 2025, segundo a EconDB. Todos os meses do semestre ficaram abaixo dos mesmos meses nos dois anos anteriores, o que afasta a leitura de um evento pontual e reforça o caráter estrutural da desaceleração.
A EconDB classifica o movimento como moderação, não como colapso. Ainda assim, a tendência é clara: o mercado opera em processo de ajuste após os picos recentes de demanda.
Excesso de capacidade e blank sailings pressionam o setor
O pano de fundo estrutural desta desaceleração já vinha sendo documentado. O excesso de capacidade projetado até 2028 — com a carteira de encomendas de novos navios representando parcela significativa da frota em operação — pressiona as tarifas e reduz o incentivo à movimentação de volumes adicionais.
As tarifas spot refletem esse desequilíbrio. O World Container Index (WCI) da Drewry recuou consecutivamente nas semanas iniciais de 2026, atingindo US$ 1.919 por FEU na semana encerrada em 19 de fevereiro. Nas principais rotas, os valores registrados foram:
Xangai–Nova York a US$ 2.782/FEU, Xangai–Los Angeles a US$ 2.219/FEU, Xangai–Roterdã a US$ 2.109/FEU e Xangai–Gênova a US$ 2.895/FEU. A plataforma Xeneta reforçou o diagnóstico, com fretes médios spot abaixo dos patamares de 2024 e 2025 nas principais rotas.
Diante do excesso de oferta, armadores intensificaram os blank sailings — cancelamentos programados de viagens — para reequilibrar capacidade e demanda. A consultoria Drewry registrou dezenas de cancelamentos anunciados para semanas específicas do início de 2026. Esse mecanismo de ajuste, embora necessário para estabilizar tarifas, impõe custos operacionais aos embarcadores, que precisam de maior antecedência na reserva de espaço e atenção redobrada ao monitoramento de rotas.
O ambiente de fretes em queda abre espaço para negociações mais competitivas, tanto em contratos spot quanto de longo prazo. No entanto, a volatilidade permanece elevada, e o planejamento de embarques exige mais cuidado justamente por conta dos blank sailings.
FUP Explica
O cenário de excesso de oferta de navios até 2028 sugere que o ambiente de fretes deprimidos pode se prolongar. Para importadores e exportadores brasileiros, isso representa uma janela de oportunidade nas negociações de frete internacional, mas não elimina as pressões domésticas. Fontes do setor apontam que custos de armazenagem e despesas operacionais no Brasil seguem pressionando a competitividade das empresas, mesmo com fretes internacionais em queda.
A consultoria MSI prevê que o mercado de transporte marítimo continuará enfrentando desafios de rentabilidade ao longo de 2026, apesar de eventuais recuperações pontuais nas taxas spot. Para quem opera no comex, acompanhar a evolução dos índices de frete e o calendário de blank sailings nas rotas relevantes passa a ser parte indispensável do planejamento logístico.
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