
EUA impõem tarifas de até 100% sobre drones e componentes importados
Presidente Trump assina proclamação impondo tarifas de 10% a 100% sobre drones importados e componentes, citando preocupações com segurança nacional. Medida afeta importadores brasileiros de tecnologia de drones e componentes eletrônicos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (13), uma proclamação impondo tarifas sobre drones importados e seus componentes, com alíquotas que variam de 10% a 100%. A medida se fundamenta na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial, que autoriza o presidente a agir com base em preocupações de segurança nacional, conforme apurado pelo CGTN.
As tarifas entram em vigor em cronograma escalonado. A maioria dos produtos passa a ser tributada 21 dias após a assinatura da proclamação, enquanto componentes menos sensíveis têm prazo de 180 dias para a entrada em vigor. Para produtos aprovados pelo Pentágono para isenção da chamada "Lista Abrangida" da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dentro de 20 dias da assinatura, as tarifas também entram em vigor somente após 180 dias.
A estrutura tarifária diferencia os produtos por características técnicas e por origem. A alíquota mais alta, de 100%, recai sobre drones com peso máximo de decolagem superior a 25 quilogramas que sejam equipados com capacidade de imagem térmica ou outras características especificadas. Estações de acoplamento e componentes críticos desses equipamentos também ficam sujeitos à mesma alíquota.
Drones menores, com peso de decolagem igual ou inferior a 25 quilogramas, sem capacidade de imagem térmica e sem as características que a proclamação classifica como de impacto particular à segurança nacional, recebem tarifa de 25%. Drones e componentes provenientes de determinados países e regiões ficam sujeitos a alíquotas entre 10% e 15%.
Alguns parceiros comerciais dos EUA recebem tratamento preferencial, desde que atendam a regras de origem. Coreia do Sul, União Europeia, Japão, Taiwan, Suíça e Liechtenstein têm tarifa total máxima limitada a 15%, incluindo direitos aduaneiros já existentes, contanto que a maior parte do hardware, software e tecnologia seja originária dos EUA ou de países elegíveis. O Reino Unido recebe limite ainda menor, de 10%.
Justificativa e programa de relocalização
A administração Trump argumenta que a dependência de drones e componentes fabricados no exterior cria vulnerabilidades na cadeia de suprimentos e na segurança cibernética. A Casa Branca reconhece que a capacidade de produção doméstica de drones é atualmente insuficiente. Trump então, justifica a medida como forma de incentivar a fabricação nos EUA e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.
O setor é dominado pela China: a empresa chinesa DJI detém mais de dois terços do mercado mundial nos últimos anos, conforme o Estadão.
A proclamação também autoriza o Secretário de Comércio, Howard Lutnick, a criar um programa de relocalização da produção. Empresas que construam ou expandam instalações de manufatura de drones e componentes nos EUA poderão importar determinados insumos e equipamentos necessários à produção sem pagar as tarifas da Seção 232.
FUP Explica
A proclamação de Trump segue o mesmo caminho da tarifa sobre polisilício, anunciada também em agosto de 2026: o governo usa a Seção 232, que invoca segurança nacional, para justificar protecionismo industrial sem precisar passar pelo Congresso. Isso consolida um padrão de política comercial que pode se estender a outros setores de tecnologia considerados sensíveis, e que tende a gerar pressão para que aliados dos EUA acelerem a produção local ou se enquadrem nas regras de origem para acessar as alíquotas reduzidas.
Para o mercado de drones, o efeito mais imediato é o encarecimento dos equipamentos nos EUA, especialmente os de maior porte e com capacidade de imagem térmica, que passam a ter tarifa de 100%. Isso pode beneficiar fabricantes americanos no curto prazo, mas também eleva o custo para setores que dependem desses equipamentos, como agricultura de precisão, inspeção de infraestrutura e segurança pública.
A DJI, que domina o mercado, é a mais diretamente atingida, mas o impacto se distribui por toda a cadeia de fornecimento que passa pela China.
O Brasil não figura entre os países com tratamento preferencial, o que significa que importadores brasileiros que revendam ou utilizem componentes nos EUA ficam sujeitos às alíquotas plenas. Para empresas brasileiras que exportam para o mercado americano produtos que incorporem drones ou componentes importados, o custo de conformidade tende a subir. O programa de relocalização previsto na proclamação, por outro lado, abre uma janela para empresas que queiram investir em manufatura nos EUA e se beneficiar de isenções tarifárias na importação de insumos.




