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EUA atacam porta-contêineres no Golfo de Omã por suposta violação de bloqueio ao Irã
A Marinha dos Estados Unidos atacou o navio porta-contêineres Vela Nova, de bandeira panamenha, no Golfo de Omã, em mais uma escalada do confronto naval entre Washington e Teerã. Um helicóptero MH-60 disparou dois mísseis Hellfire contra a casa de máquinas da embarcação após a tripulação ignorar repetidos avisos das forças americanas, conforme informou a CNN Brasil.
Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), o navio tentava violar o bloqueio americano ao navegar em direção a um porto iraniano. O ataque desabilitou o leme da embarcação, impedindo a continuação da viagem. Um incêndio foi registrado a bordo após o impacto, mas foi controlado em seguida. Todos os 17 membros da tripulação foram contabilizados, sem feridos.
O Vela Nova é um porta-contêineres construído em 1996, com 145,7 metros de comprimento e 23,32 metros de largura. O incidente ocorreu aproximadamente 71 milhas náuticas da costa do Paquistão.
O bloqueio dos EUA a navios que navegam de e para portos iranianos foi restabelecido em julho de 2026, após o colapso de um cessar-fogo provisório entre os dois países. Desde então, o CENTCOM informou ter redirecionado 55 navios comerciais, desabilitado três embarcações que não cumpriam as normas e realizado abordagens em outras duas.
No mesmo dia do ataque ao Vela Nova, um navio de carga identificado como Tihamah, de propriedade egípcia, foi atingido por projétil desconhecido próximo a Al Mokha, no sul do Mar Vermelho. Quatro tripulantes morreram, e dois resgatadores iemenitas também foram mortos quando o navio foi atingido novamente durante a chegada do pessoal de socorro.
O Irã respondeu às operações americanas. A mídia estatal iraniana informou que a Marinha iraniana afirmou ter lançado mísseis e drones de advertência contra navios de guerra dos EUA no Golfo de Omã, acusando Washington de assediar o tráfego marítimo e apreender embarcações comerciais e petroleiros. Segundo o Valor Econômico, o Irã afirmou ainda que os destróieres DDG-103 e DDG-8 deixaram o Mar de Omã em direção ao Oceano Índico.
Disputa pelo controle do Estreito de Ormuz
A tensão se estende ao Estreito de Ormuz, ponto de passagem entre o Irã, Omã e os Emirados Árabes Unidos, com apenas 33 km em seu trecho mais estreito. Nesta quinta-feira (13), o chefe da força paramilitar Basij do Irã, Hossein Taeb, afirmou que o estreito está sob controle e administração de Teerã. A declaração veio em resposta direta ao presidente Donald Trump, que afirmara na terça-feira (12), que os EUA mantêm "controle total" da hidrovia, citando um "muro de aço" na entrada de Ormuz.
Uma autoridade iraniana informou ao que não houve progresso nas negociações entre os países. Um acordo de junho previa liberar o estreito e encerrar o bloqueio naval, mas, como as tratativas não avançaram, o tráfego voltou a ficar comprometido.
Os efeitos sobre as rotas marítimas são expressivos. O tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu para uma mínima semanal de oito navios por dia, ante 130 a 140 trânsitos diários registrados antes do conflito, segundo o The Independent. Navios porta-contêineres deixaram de acessar o porto de Dubai, e operadores como a CMA CGM passaram a descarregar mercadorias antes do estreito, no porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos.
Grande parte dos porta-contêineres também evita o Mar Vermelho e o Canal de Suez por causa do risco de ataques dos rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, o que alonga as rotas para a Europa e eleva o consumo de combustível. Vincent Clerc, diretor-executivo da Maersk, alertou, em declaração à CNBC, sobre o risco de "ficarmos presos com montanhas de contêineres que bloqueiam terminais portuários e provocam enormes atrasos". O preço do petróleo bruto Brent atingiu US$ 89,57 por barril.
FUP Explica
O ataque ao Vela Nova não é um episódio isolado: é mais um passo numa escalada que vem comprimindo sistematicamente as rotas marítimas do Oriente Médio desde o restabelecimento do bloqueio americano em julho de 2026. O problema central é que o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo e mais de um terço do GNL, está funcionando numa fração mínima da sua capacidade normal, com oito navios por dia onde havia entre 130 e 140. Isso não é perturbação pontual: é colapso de rota.
Do ponto de vista econômico, o efeito mais imediato é sobre o preço do petróleo, que já chegou a US$ 89,57 o barril. Quanto mais o conflito se prolonga, maior a pressão sobre os custos de energia em escala mundial, o que alimenta inflação de transporte e de produção em praticamente todos os setores. Para o comércio marítimo, a combinação de Ormuz comprometido com Mar Vermelho também fora de operação normal força desvios de rota que encarecem frete e seguro, além de criar acúmulo de carga em portos intermediários, como Khor Fakkan.
No plano político, a disputa sobre quem controla Ormuz mostra que nenhum dos dois lados tem interesse imediato em recuar. Com as negociações travadas e sem acordo à vista, o risco de novos incidentes como o do Vela Nova é real. Para operadores de comércio exterior que dependem de rotas pelo Golfo Pérsico ou pelo Mar Vermelho, isso significa planejamento de contingência mais longo, custos de afretamento e seguro mais altos, e prazos de entrega imprevisíveis enquanto o impasse persistir.





