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Estiagem restringe hidrovias e leva Maersk a aplicar sobretaxa nos Países Baixos
Logística

Estiagem restringe hidrovias e leva Maersk a aplicar sobretaxa nos Países Baixos

25/08/2026·393 palavras
Maersk implementa sobretaxa por baixo nível de água em transporte fluvial nos Países Baixos. Notícia relevante sobre custos de frete fluvial internacional que afeta rotas europeias e pode impactar incoterms e custos de importação/exportação.

A Maersk implementou uma sobretaxa fluvial por baixo nível de água (LWS, na sigla em inglês) para o transporte em barcaças nos Países Baixos. Segundo o Portal Portuario, a cobrança permanecerá em vigor até que os níveis das hidrovias retornem às condições normais de operação. A medida incide sobre embarques desde e para determinadas terminais interiores do país.

A armadora atribui a cobrança ao contínuo recuo nos níveis de água registrado em várias vias navegáveis interiores dos Países Baixos. A estiagem recente provocou aumento nas restrições operacionais da rede de hidrovias, incluindo limitações à navegação e o fechamento temporário do Twentekanaal. A Maersk afirma que essas condições comprometem a eficiência e a confiabilidade dos serviços de transporte terrestre fluvial.

O nível baixo de água reduz a capacidade de carga das barcaças e eleva os custos operacionais ao longo de toda a cadeia. A empresa explicou, que o recargo tem como objetivo compensar parcialmente esses custos extraordinários e garantir a continuidade do serviço durante o período de restrição.

A Maersk classificou a situação como excepcional, imprevisível e fora do seu controle, ressalvando que não é possível prever a gravidade nem a duração do fenômeno. A companhia comprometeu-se a gerenciar o fluxo de carga de forma eficiente enquanto a medida estiver vigente.

O transporte fluvial ocupa papel relevante na logística europeia. Segundo o Boletim de Logística, em publicação sem data definida, metade da população europeia vive próxima à costa ou a hidrovias, e a maioria dos centros industriais do continente é acessível por navegação interior. No entanto, as hidrovias têm escopo geográfico limitado, o que significa que, diante de problemas ao longo da rota, como condições meteorológicas adversas ou níveis de água fora do padrão, as embarcações raramente podem ser redirecionadas para trajetos alternativos.

Essa rigidez estrutural torna o modal especialmente vulnerável a eventos climáticos como a estiagem atual, sem margem para contornar os pontos afetados.

Padrão entre grandes armadores

A adoção de sobretaxas por restrições em vias navegáveis não é novidade no setor. A Hapag-Lloyd, por exemplo, anunciou recargo por baixo nível de água no Rio Amazonas com vigência a partir de setembro de 2026, refletindo como grandes operadores de navios replicam esse tipo de cobrança em diferentes rotas durante períodos de estiagem ou restrições hídricas. O movimento da Maersk nos Países Baixos segue esse mesmo padrão consolidado no mercado de frete internacional.

FUP Explica

A sobretaxa da Maersk nas hidrovias holandesas é mais um sinal de como eventos climáticos estão se tornando variáveis recorrentes no custo do frete, e não episódios isolados. O problema é que o modal fluvial, diferentemente do rodoviário ou ferroviário, tem pouquíssima flexibilidade de rota: quando o nível de água cai, não há desvio possível, e o custo extra vai direto para o embarcador.

Para quem importa ou exporta com passagem por terminais interiores dos Países Baixos, o recargo entra no cálculo do frete terrestre e pode alterar o custo total da operação dependendo do Incoterm negociado. Quem opera com DDP ou DAP, por exemplo, absorve esse tipo de variação no preço final. Contratos de longo prazo sem cláusula de revisão para surcharges climáticos ficam especialmente expostos.

O padrão que se consolida, com Maersk na Europa e Hapag-Lloyd no Amazonas aplicando cobranças similares, sugere que sobretaxas por condições hídricas tendem a aparecer com mais frequência à medida que eventos de estiagem se intensificam. Para quem negocia fretes em rotas com componente fluvial, monitorar as condições das hidrovias ao longo do ano passa a ser parte da gestão de custo, não só da operação.

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