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Espera por atracação varia de poucas horas a cinco dias nos principais portos do Brasil
Levantamento entre 5 e 7 de outubro mostra diferentes cenários em Navegantes, Itajaí, Santos e Pecém, com filas influenciadas pelo perfil das cargas e pelas condições de cada terminal
O tempo de espera para atracação apresenta diferenças entre alguns dos principais portos brasileiros neste início de outubro, variando de poucas horas a cerca de cinco dias conforme o terminal, o tipo de embarcação e as condições operacionais. Dados levantados entre os dias 5 e 7 mostram Navegantes com média próxima de cinco dias e Itajaí com cerca de dois dias, enquanto Santos reúne dezenas de embarcações fundeadas e Pecém registra espera superior a seis horas nas operações de contêineres.
Segundo levantamento da Kuehne+Nagel, referente ao período entre 30 de setembro e 6 de outubro, Navegantes alcançou média de cinco dias de espera para os principais porta-contêineres, patamar classificado pela companhia como de forte impacto operacional. O pátio da Portonave estava com 78% de ocupação, conforme dados da Hapag-Lloyd citados no relatório. Em Itajaí, por outro lado, a espera média ficou em aproximadamente dois dias, com melhora da produtividade apesar das condições meteorológicas adversas.
A movimentação registrada pela Praticagem de Itajaí ajuda a dimensionar o cenário para além das médias. Entre as embarcações que aguardaram acesso aos berços da Portonave estão o MSC Albany, o Cape Artemisio e o COSCO Shipping Danube. A programação também registrou outros porta-contêineres aguardando definição ou realização de manobras no complexo portuário, indicando que a demora observada no período coincidiu com navios efetivamente à espera de acesso ao terminal.
Os registros da Praticagem de Itajaí mostram ainda que a situação não é uniforme em todo o complexo do Itajaí-Açu. Em 6 de outubro, por exemplo, o Maersk Leon entrou no berço JBS 2, em Itajaí, às 11h45, enquanto o MSC Albany deixou o PNAVE 01 às 22h e o COSCO Shipping Danube saiu do PNAVE 02 às 23h30. A diferença entre as movimentações reforça a necessidade de separar as escalas destinadas à Portonave das operações realizadas nos berços de Itajaí ao avaliar os tempos de espera.
O cenário de Navegantes também ganhou destaque nesta quarta-feira pelo Transporte Moderno, que apontou os cinco dias de espera como um dos maiores índices entre importantes portos das Américas. A publicação relacionou o resultado ao período em que a Portonave realiza intervenções para operar embarcações maiores e mantém nível elevado de ocupação do pátio.
Em Santos, a fila apresenta outra dinâmica. Dados do AtracAI, atualizados às 4h20 UTC desta quarta-feira, apontavam 82 embarcações fundeadas, 42 atracadas e mediana geral de 45 horas de espera. O indicador, porém, reúne diferentes tipos de navios e cargas e, por isso, não pode ser comparado diretamente à média dos porta-contêineres registrada em Navegantes.
Parte da movimentação santista está relacionada ao escoamento de commodities. A partir da programação da Autoridade Portuária de Santos, consultada em 7 de outubro, o DadoAgro contabilizou 27 navios fundeados à espera de vaga para carregar soja, milho e açúcar, com 1,55 milhão de toneladas previstas. Outros 18 navios, que somavam mais 1,12 milhão de toneladas, estavam a caminho. Entre as embarcações já fundeadas, 16 estavam ligadas ao açúcar, seis ao milho e cinco à soja.
Pecém, por sua vez, apresentava um cenário diferente. A atualização operacional da Hapag-Lloyd para a semana apontava espera superior a seis horas no terminal de contêineres, com condições meteorológicas favoráveis e bom desempenho de produtividade.
O panorama mostra que os tempos de espera nos portos brasileiros não seguem um único padrão e precisam ser analisados de acordo com o terminal, o perfil das cargas, o tipo de embarcação e a metodologia utilizada em cada levantamento. Entre Navegantes, Itajaí, Santos e Pecém, os dados mais recentes revelam desde operações com espera de poucas horas até filas que se estendem por vários dias.
FUP Explica
O que o levantamento mostra, na prática, é que o sistema portuário brasileiro opera com pressões simultâneas e de naturezas distintas, o que torna qualquer leitura agregada pouco útil para quem precisa tomar decisão operacional. Cinco dias de espera em Navegantes, num terminal que está em obras para receber navios maiores, é um sinal de que a expansão de capacidade tem custo de curto prazo: enquanto as intervenções acontecem, o pátio enche e a fila cresce. Para armadores e embarcadores que dependem daquela escala, o impacto é direto no planejamento de transporte e nos prazos de entrega.
Em Santos, a fila tem outra lógica. A concentração de navios de commodities agrícolas, com mais de 2,6 milhões de toneladas entre fundeados e a caminho, reflete o ritmo de escoamento da safra, que não obedece ao calendário portuário. Quando a demanda por berços de granéis coincide com a de contêineres, a competição por infraestrutura se intensifica, e a mediana de 45 horas de espera tende a subir. O ponto de atenção aqui é que esse número engloba todos os tipos de navio, o que pode tanto subestimar quanto superestimar a espera real dependendo do segmento.
Pecém, com espera de poucas horas e condições operacionais favoráveis, funciona como contraponto e lembra que parte dos gargalos é localizada, não sistêmica. O risco é que a comparação entre portos com metodologias diferentes crie uma percepção distorcida do problema, levando a conclusões apressadas sobre qual terminal está bem ou mal. Quem opera importação ou exportação por esses portos precisa acompanhar os dados desagregados por terminal e tipo de carga, não só as médias gerais.




