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Escalada entre EUA e Irã eleva custos de transporte em Ormuz a até US$ 20 milhões
Geopolítica

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Escalada entre EUA e Irã eleva custos de transporte em Ormuz a até US$ 20 milhões

09/09/2026·640 palavras

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã atingiu diretamente a navegação no Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (9), após uma série de ataques contra petroleiros e outros navios nas águas do Golfo e do Golfo de Omã. O Irã afirmou ter atacado dez embarcações na região depois que forças norte-americanas afundaram cinco petroleiros iranianos. Além dos danos à navegação, o aumento do risco de guerra elevou os custos de seguro e de trânsito pela rota, enquanto os confrontos também se estenderam à Jordânia, onde mísseis iranianos foram interceptados pelas defesas aéreas do país.

A ofensiva representa a maior sequência declarada de ataques de ambos os lados contra o transporte marítimo desde o início do conflito.

A Guarda Revolucionária do Irã informou ter atingido dois navios norte-americanos e oito petroleiros, enquanto o Comando Central dos Estados Unidos afirmou ter destruído cinco embarcações iranianas durante a noite. Washington declarou que a ação foi uma resposta a tentativas anteriores do Irã de atingir um navio da Marinha dos EUA com mísseis balísticos.

Os ataques também deixaram vítimas e embarcações danificadas. Um tripulante morreu a bordo do navio de derivados de petróleo Hercules Star, fundeado próximo a Dubai, enquanto outro permanecia desaparecido. O petroleiro New Andros, que transportava cerca de 2 milhões de barris de óleo combustível, pegou fogo após ser atingido por um drone em águas iraquianas. A agência britânica UKMTO também recebeu relatos de diferentes navios mercantes atingidos no norte do Golfo e no Golfo de Omã.

Com o aumento das ameaças, o impacto ultrapassa a segurança das embarcações e alcança diretamente os custos logísticos. Paul Bradshaw, diretor da Emirates National Oil Company (ENOC), afirmou à Reuters que as despesas para transportar petróleo através do Estreito de Ormuz cresceram significativamente, sobretudo por causa dos seguros de carga e dos adicionais de risco de guerra. Em alguns casos, os custos totais relacionados à travessia chegaram à faixa entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões.

O seguro de carga pode representar atualmente entre 5% e 6% do valor transportado, adicionando cerca de US$ 10 milhões ao custo de determinadas operações. O adicional de risco de guerra, que antes do conflito poderia ser inexistente em algumas viagens, chegou a até 10% do valor da carga. Diante desse cenário, alguns participantes do mercado passaram a operar sem cobertura, enquanto companhias nacionais de petróleo assumiram maior controle sobre suas próprias operações marítimas para administrar rotas e custos.

Ao mesmo tempo, o tráfego pelo Estreito de Ormuz permanece limitado. Dados preliminares mostraram apenas seis navios atravessando a passagem com os transponders ligados em um período de 24 horas. Antes do conflito, a rota era responsável pelo trânsito de aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo. A redução da circulação e a menor disposição de armadores em assumir os riscos também têm levado cargas para percursos mais longos e complexos, alterando custos de frete e disponibilidade de embarcações.

A escalada avançou ainda para além das rotas marítimas. O The Jordan Times informou que as defesas aéreas da Jordânia interceptaram 18 dos 20 mísseis balísticos lançados pelo Irã em direção ao território jordaniano. Os outros dois projéteis caíram em áreas desabitadas e, segundo as Forças Armadas do país, não houve mortes. As autoridades mantiveram os sistemas de vigilância, alerta e defesa aérea em nível máximo de prontidão.

Além dos efeitos sobre o transporte, a sequência de ataques aumentou a pressão sobre o mercado internacional de energia. O petróleo Brent ultrapassou os US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho diante da intensificação do conflito e das incertezas sobre o abastecimento. Com menos navios dispostos a atravessar áreas de risco, seguros mais caros e rotas alternativas mais extensas, a instabilidade no Oriente Médio passa a afetar não apenas a segurança marítima, mas também a estrutura de custos de uma das principais cadeias de energia do mundo.

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No plano econômico, o efeito mais imediato é a pressão inflacionária. Petróleo mais caro significa diesel mais caro, e diesel mais caro encarece praticamente tudo que se move por estrada, mar ou ar. Para países importadores de petróleo, o impacto é direto na balança de pagamentos e nas contas públicas, especialmente onde há subsídio a combustível. Para exportadores de petróleo que não passam pelo Estreito de Ormuz, pode haver ganho de curto prazo com o preço mais alto, mas a instabilidade da rota cria incerteza que inibe investimento e planejamento.

No plano político e institucional, a situação coloca em xeque a capacidade de organismos internacionais de conter a escalada. O fato de os ataques terem se estendido à Jordânia, um país que não é parte direta do conflito, amplia o risco de envolvimento de outros atores regionais e complica qualquer negociação diplomática. A curto prazo, armadores tendem a exigir garantias que os governos dificilmente conseguem dar, o que mantém a pressão sobre seguros e fretes mesmo que a situação militar se estabilize.

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