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China e Reino Unido avançam em diálogo sobre comércio e tecnologia
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China e Reino Unido avançam em diálogo sobre comércio e tecnologia

09/09/2026·608 palavras

O presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, conversaram por telefone nesta terça-feira (8) sobre as relações entre Pequim e Londres, com foco na ampliação da cooperação econômica, comercial e diplomática. O diálogo, realizado após a chegada de Burnham ao governo britânico, abordou oportunidades de aproximação em diferentes setores, a atuação conjunta em organismos internacionais e questões sensíveis da relação bilateral, em um momento de tentativa de maior estabilidade nos contatos entre os dois países.

Segundo a Xinhua, Xi afirmou que China e Reino Unido têm “mais interesses comuns do que diferenças” e defendeu que os dois governos ampliem a confiança, busquem pontos de convergência e avancem em uma cooperação mutuamente benéfica. O presidente chinês também destacou que ambos estão concentrados no desenvolvimento de suas economias e na melhoria do bem-estar da população.

Para os próximos anos, Pequim vê espaço para ampliar a cooperação em educação, saúde e finanças, áreas que deverão receber maior abertura durante o 15º Plano Quinquenal chinês, referente ao período de 2026 a 2030.

Além desses setores, Xi apontou ciência, tecnologia, cultura e esportes como campos em que os dois países possuem recursos e capacidades que podem favorecer novos intercâmbios. Ao mesmo tempo, o presidente chinês pediu que o Reino Unido proteja os direitos e interesses considerados legítimos dos investidores chineses. A questão dos investimentos permanece entre os pontos de atenção da relação bilateral, ao lado da busca por novas oportunidades econômicas.

A Reuters informou que o telefonema foi a primeira conversa publicamente conhecida entre Xi e Burnham desde que o britânico assumiu o cargo e ocorreu a convite do primeiro-ministro.

De acordo com a agência, Downing Street afirmou que os líderes discutiram a importância de uma “cooperação pragmática”, incluindo crescimento econômico e melhoria das condições de vida. Burnham também indicou que pretende manter uma interlocução franca e construtiva com Pequim e levantou temas como segurança doméstica, guerra da Rússia contra a Ucrânia, Hong Kong, direitos humanos e casos consulares considerados importantes pelo governo britânico.

A conversa ocorre após movimentos recentes de aproximação entre Londres e Pequim. No início do ano, uma visita do então primeiro-ministro Keir Starmer à China resultou, entre outras medidas, na ampliação de um regime de isenção de vistos para britânicos e na redução de tarifas chinesas sobre o uísque. Nesse cenário, os dois países também vêm buscando diversificar suas relações comerciais diante de mudanças e tensões no comércio internacional.

No campo diplomático, o Global Times registrou que Burnham afirmou que o Reino Unido pretende manter consistência em sua política para a China, ampliar interações de alto nível e avançar em diferentes áreas de cooperação. O premiê também declarou que a posição britânica sobre Taiwan permanece inalterada. Segundo o jornal, Burnham mencionou ainda sua relação anterior com a China durante o período em que foi prefeito da Grande Manchester e recordou a visita de Xi à cidade em 2015.

A atuação internacional também entrou na pauta. Xi destacou que China e Reino Unido são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e grandes economias mundiais, além de defender maior comunicação e coordenação em estruturas como as Nações Unidas, o G20 e a Organização Mundial do Comércio.

O presidente chinês associou essa cooperação à defesa do multilateralismo, do comércio aberto e de uma globalização econômica mais inclusiva.

Apesar da disposição para ampliar o diálogo, as relações permanecem marcadas por interesses econômicos compartilhados e divergências políticas. O telefonema mostrou que os dois governos buscam preservar canais de comunicação e explorar novas oportunidades de cooperação, enquanto questões relacionadas a investimentos, segurança internacional, direitos humanos e outros temas diplomáticos continuam presentes na agenda entre Londres e Pequim.

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O telefonema entre Xi e Burnham sinaliza que os dois países querem manter o canal aberto, mas sem varrer as tensões para debaixo do tapete. Do ponto de vista político, o fato de Burnham ter tomado a iniciativa da ligação indica que Londres quer posicionar a relação com Pequim como prioritária, especialmente num momento em que o Reino Unido busca ampliar parcerias comerciais após o Brexit e diante de um ambiente econômico internacional mais instável. A menção explícita a Hong Kong, direitos humanos e Taiwan mostra que o governo britânico não pretende abrir mão de suas posições em troca de acordos econômicos, o que tende a manter a relação num equilíbrio tenso entre cooperação e atrito.

No plano econômico, o caso da British Steel e da Jingye Group é o ponto mais concreto e imediato. A nacionalização da siderúrgica criou um precedente sensível para investidores chineses no Reino Unido, e o pedido de Xi por proteção aos interesses desses investidores indica que Pequim vai cobrar reciprocidade. Isso pode complicar negociações em outros setores, já que qualquer acordo futuro precisará lidar com esse histórico. Por outro lado, os setores mencionados por Xi, como educação, saúde, finanças e tecnologia, são áreas em que o Reino Unido tem interesse em atrair capital e parceiros, o que abre espaço para avanços concretos se a relação política se estabilizar.

A médio prazo, o que vai definir o ritmo dessa reaproximação é a capacidade dos dois lados de separar as agendas: avançar em comércio e investimento sem que cada crise diplomática, seja em torno de Taiwan, Hong Kong ou de algum caso consular, trave o que foi acordado. Os especialistas ouvidos pelo Global Times apontam exatamente para essa coexistência entre cooperação e disputa, o que sugere que a relação vai continuar sendo gerida caso a caso, sem uma normalização plena no horizonte próximo.

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