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Eleições 2026: o que os candidatos a governador propõem para o comércio exterior
Planos analisados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Distrito Federal incluem apoio a exportadores, atração de investimentos, modernização de portos e integração logística
O comércio exterior aparece de formas diferentes nos planos dos candidatos aos governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Distrito Federal nas eleições de 2026. Entre propostas específicas para incentivar exportações e medidas de infraestrutura que podem atender ao escoamento da produção, os documentos analisados incluem apoio a pequenas e médias empresas, atração de investimentos internacionais, modernização de portos, integração ferroviária e criação de plataformas para aproximar produtores e compradores.
O nível de detalhamento, porém, varia entre os candidatos: enquanto alguns apresentam programas direcionados ao mercado internacional, outros tratam do tema principalmente por meio de políticas de desenvolvimento econômico e logística.
São Paulo
Em São Paulo, Fernando Haddad propõe transformar o Porto de Santos no principal hub de hidrogênio verde e amônia verde da América Latina, com desconto em taxas para navios de baixa emissão e a instituição do programa de Créditos de Carbono Logístico para o modal hidroviário.
Para as empresas, o plano prevê uma unidade de inteligência comercial destinada a preparar o empresariado paulista para o acordo Mercosul-União Europeia, devolução acelerada de créditos de ICMS aos exportadores, reestruturação da InvestSP e apoio às pequenas e médias empresas exportadoras por meio do App do Empreendedor Paulista.
Na infraestrutura, Haddad propõe criar a Câmara Estratégica de Logística e Hidrovias (CEL-HIDRO) para estruturar o Corredor Multimodal Paulista, conectando a Hidrovia Tietê-Paraná ao Porto de Santos. O plano inclui ainda a viabilização do Ferroanel, o redesenho da concessão do Porto de São Sebastião para um hub de cabotagem, a aceleração do leilão do Tecon Santos 10 e a revitalização de eixos ferroviários.
Tarcísio de Freitas propõe integrar investimentos em rodovias, ferrovias de carga, hidrovias, portos e aeroportos aos corredores internacionais de exportação por meio da plataforma SP Pra Toda Obra Logística, vinculada ao PLI-SP 2050. A proposta contempla os portos de Santos e São Sebastião e os aeroportos de Congonhas, Guarulhos, Viracopos e terminais regionais.
O plano também prevê um polo LogTech na Baixada Santista, inspirado no Porto de Roterdã e direcionado à automação de terminais, digitalização e inteligência portuária, e outro em Jundiaí, inspirado na plataforma PLAZA de Zaragoza e voltado a centros de distribuição inteligentes, comércio eletrônico e automação de armazéns.
Para incentivar as vendas externas, o programa Facilita SP prevê a criação de um marketplace internacional e de um selo oficial de exportação para produtos paulistas.
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas propõe o programa Investe Aqui, com um Balcão Único Digital que integraria AgeRio, CODIN, SEFAZ, INEA e JUCERJA, além de estabelecer gerente de contas por projeto e prazos garantidos para investidores. O plano também prevê uma carteira pública de parcerias público-privadas e concessões e a revisão da legislação de incentivos fiscais com contrapartidas de empregos.
Na logística, o eixo RJ Integrado pretende conectar rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, gás e infraestrutura digital. O candidato também propõe recuperar estradas vicinais e acessos industriais, criar distritos produtivos com sistemas de segurança para proteção do transporte de cargas e fomentar a indústria naval, os serviços de engenharia e a infraestrutura offshore.
Eduardo Paes apresenta diretrizes mais gerais para o comércio exterior. O plano estabelece o compromisso de recolocar o estado na rota de atração de empresas e investimentos privados, com foco nos setores de petróleo e gás, indústria naval, agronegócio e turismo.
Na infraestrutura, a proposta prevê a recuperação e o recapeamento de 32 mil quilômetros de estradas do interior, com módulos de vigilância. O documento também inclui a expansão do BRT intermunicipal e o compromisso de iniciar as obras da Linha 3 do Metrô, entre Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, até o fim do mandato.
Minas Gerais
Em Minas Gerais, Alexandre Kalil propõe centralizar na Invest Minas, em articulação com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, BDMG e Codemge, o apoio às empresas mineiras interessadas no mercado internacional. A diretriz é reduzir a concentração da pauta em produtos primários e estimular exportações de bens e serviços de maior valor agregado, como tecnologia, engenharia e economia criativa.
O plano também prevê uma política para conectar pequenas e médias empresas fornecedoras aos grandes investimentos minerários. Na logística, propõe integrar rodovias, ferrovias, aeroportos, terminais intermodais, portos secos, plataformas logísticas, centros de distribuição e navegação interior, além de criar uma agenda ferroviária estadual para negociar gargalos e novas conexões com portos.
Outra medida é fortalecer os portos secos e as plataformas logísticas no interior, aproximando os processos aduaneiros das regiões produtoras.
Cleitinho propõe o programa Exporta Mais Minas, destinado à capacitação técnica e comercial de pequenas e médias empresas para o mercado internacional por meio do Minas Business Connection.
Na logística, o plano estabelece como diretrizes priorizar investimentos diretos do orçamento público sem novos pedágios estaduais e fiscalizar metas e cronogramas das concessões rodoviárias existentes. Também prevê acompanhar o contrato de concessão do Metrô de Belo Horizonte e expandir a conectividade 5G no interior vinculada à modernização dos aeroportos regionais e da malha ferroviária.
As diretrizes apresentadas por Patrus Ananias, por sua vez, concentram-se em planejamento descentralizado, desenvolvimento regional sustentável, infraestrutura comunitária rural e escoamento agrícola. Nos trechos fornecidos, o documento não detalha obras, portos secos ou diretrizes ferroviárias específicas.
Bahia
Na Bahia, ACM Neto propõe promover territórios e atividades econômicas do estado no mercado internacional, incluindo o ecoturismo na Chapada Diamantina, o cacau fino de origem no Sul da Bahia, a fruticultura no Vale do São Francisco e Salvador como capital afro-empreendedora.
O plano prevê ainda a Plataforma Estadual de Matching Empresarial para aproximar compradores, fornecedores e exportadores e o Selo Agro Sustentável Bahia, destinado a apoiar produtores de cacau e café no cumprimento das normas europeias antidesmatamento. Outra proposta é oferecer crédito, por meio da Desenbahia, para exportações da bioeconomia da Caatinga, incluindo licuri, umbu e sisal. O Programa Recôncavo Fornecedor, por sua vez, pretende credenciar pequenas e médias empresas baianas como fornecedoras de equipamentos e serviços para operadoras de petróleo e gás em campos maduros.
Na infraestrutura, o plano prevê cobrança e fiscalização para a conclusão do Trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), entre Caetité e Ilhéus, e para a operação do Porto Sul. Também contempla a recuperação e o reequipamento do Porto Fluvial de Juazeiro, apoio à expansão do Complexo Portuário da Baía de Todos os Santos e ao Projeto Logístico Caravelas.
Jerônimo Rodrigues propõe instalar um escritório da ApexBrasil na Bahia em cooperação com Bahiainveste, FIEB e Sebrae. O plano também prevê uma plataforma estadual de promoção comercial e apoio à exportação, com foco em micro e pequenas empresas, garantias financeiras e missões setoriais.
Outra frente prevê capacitar e inserir pequenas e médias empresas no comércio eletrônico e estimular a participação da Bahia em cadeias internacionais de valor e de minerais críticos e terras raras.
Na logística, o candidato propõe articular com a União a conclusão da FIOL I e II e do Porto Sul, acompanhar os investimentos relacionados à renovação da Ferrovia Centro-Atlântica e implantar um parque logístico no Centro Industrial de Aratu para aumentar a competitividade retroportuária da Baía de Todos os Santos.
Santa Catarina
Em Santa Catarina, Jorginho Mello concentra a proposta de comércio exterior na eficiência dos corredores de transporte para acelerar o escoamento agroindustrial e alcançar a liderança nacional na movimentação de contêineres.
Na infraestrutura portuária, o plano prevê concluir as obras de dragagem de aprofundamento do canal da Baía da Babitonga e realizar investimentos estruturantes nos portos de Imbituba e São Francisco do Sul. Também propõe acelerar projetos de licenciamento de ferrovias estaduais por meio de parcerias público-privadas e modernizar o Porto Pesqueiro de Laguna.
João Rodrigues propõe modernizar as cadeias de exportação do agronegócio, com a meta de transformar a produção de leite em uma cadeia exportadora de lácteos competitiva internacionalmente, seguindo o modelo das cadeias catarinenses de suínos e aves.
As propostas de infraestrutura aparecem em linhas gerais, com obras rodoviárias, como duplicações, terceiras faixas e manutenção, além de atenção à eficiência dos portos e aeroportos para reduzir custos produtivos e atrair investimentos. Nos trechos fornecidos, não são especificadas obras ou concessões.
Gelson Merisio propõe apoiar Arranjos Produtivos Locais (APLs) e pequenas e médias empresas para aumentar a participação dos produtos catarinenses no comércio internacional.
Na infraestrutura, a chamada 14ª Missão, dedicada à logística e integração territorial, reúne programas para planejamento de investimentos, rodovias, integração entre diferentes modais, ferrovias e portos. Entre eles, o Programa Ferrovias para Santa Catarina prevê estudos e integração ferroviária aos portos e polos industriais, enquanto o Programa Portos Competitivos propõe modernização portuária, melhoria dos acessos terrestres e digitalização das operações.
Distrito Federal
No Distrito Federal, Celina Leão apresenta propostas relacionadas principalmente ao desenvolvimento econômico e à logística. O documento prevê cinco polos de desenvolvimento econômico e social nos setores de logística, distribuição de alimentos, fármacos, beleza e agricultura.
O plano também propõe implantar o anel viário do Distrito Federal para desafogar a EPIG e o centro urbano de Brasília e articular com a União e o governo de Goiás a implantação do trem regional Brasília-Luziânia, além de fortalecer mecanismos de financiamento da RIDE-DF. Nos trechos fornecidos, não há um programa específico direcionado às exportações.
Leandro Grass propõe o projeto Brasília Exportadora de TechGov, que pretende utilizar a concentração de compradores públicos e dados na capital para estimular a produção e a exportação de soluções digitais, softwares e inteligência artificial para outros municípios, estados e países.
O plano também prevê atrair investimentos privados internacionais para a bioeconomia do Cerrado e a cibersegurança. Na logística, propõe a Rede Metropolitana Sobre Trilhos, com os trens regionais Luziânia-Brasília, em um percurso de 62 quilômetros, e Águas Lindas-Ceilândia, com 22 quilômetros, integrados ao Entorno por bilhete único. Também está previsto o aproveitamento do potencial logístico da Rodoferroviária de Brasília.
FUP Explica
O mapeamento das propostas revela um padrão comum entre os candidatos: a maioria aposta em infraestrutura de transporte como alavanca principal para o comércio exterior, o que faz sentido dado que gargalos logísticos encarecem a exportação brasileira há décadas. Portos, ferrovias e hidrovias aparecem em praticamente todos os planos, mas o nível de detalhamento varia muito, e promessa de obra sem fonte de financiamento identificada tem peso político diferente de projeto com leilão ou PPP já estruturada.
No campo da promoção comercial, chama atenção a aposta de vários estados em plataformas digitais e programas de capacitação para pequenas e médias empresas, que historicamente têm dificuldade de acessar mercados externos por falta de informação e escala. A proposta baiana de um escritório da ApexBrasil e o selo de conformidade ambiental para atender às exigências europeias são exemplos de medidas que respondem a demandas concretas do mercado, especialmente com o acordo Mercosul-UE no horizonte. Quem conseguir implementar esse tipo de suporte antes dos concorrentes tende a capturar uma fatia maior dos fluxos de exportação que o acordo pode gerar.
Do ponto de vista institucional, vale observar que estados têm competência limitada em comércio exterior: tarifas, regras aduaneiras e acordos comerciais são federais. O que os governadores podem fazer de fato é reduzir ICMS sobre exportações, melhorar infraestrutura, atrair investimento e facilitar o ambiente de negócios. Propostas que dependem de obras federais ou de decisões do governo central, como a conclusão da FIOL ou o leilão de terminais portuários, estão sujeitas a negociação política que vai além do mandato estadual, e isso é um risco real de execução que os planos raramente mencionam.




