
Imagem: divulgação DP World
DP World recebe novos guindastes e eleva capacidade do terminal de Santos em 21%
Primeiro lote de equipamentos integra programa de mais de R$ 2 bilhões e prepara operação para movimentar 1,7 milhão de TEUs por ano até dezembro
Oito novos guindastes chegaram ao terminal da DP World no Porto de Santos nesta semana e marcam uma nova etapa do projeto que pretende elevar em 21,4% a capacidade anual da operação até dezembro. Com dois portêineres para movimentação entre navios e cais e seis guindastes elétricos destinados ao pátio, a companhia prevê passar dos atuais 1,4 milhão para 1,7 milhão de TEUs por ano ainda em 2026.
Os equipamentos fazem parte de um programa de investimentos superior a R$ 2 bilhões, que combina renovação da frota, melhor aproveitamento das estruturas já licenciadas e intervenções na infraestrutura do terminal.
A expansão ocorre enquanto Santos registra crescimento na movimentação de contêineres. Dados da Autoridade Portuária de Santos (APS) mostram que o complexo teve, em agosto, a maior movimentação para o mês de sua série histórica e também alcançou recorde no acumulado dos oito primeiros meses de 2026.
Os oito guindastes correspondem ao primeiro lote de uma aquisição de quatro portêineres e 15 RTGs, sigla em inglês para guindastes de pátio sobre pneus. Os demais equipamentos devem chegar no início de 2027. A incorporação de toda a frota, acompanhada por novas intervenções estruturais, faz parte do plano para levar a capacidade do terminal a 2,1 milhões de TEUs nos próximos anos.
“Estamos ampliando nossa capacidade operacional para atender ao crescimento do comércio exterior brasileiro com mais eficiência, produtividade e sustentabilidade”, afirmou Fabio Siccherino, CEO da DP World Brasil.
Para alcançar os 2,1 milhões de TEUs, porém, a empresa terá de avançar também nas obras previstas para o terminal. O programa inclui a extensão do cais em 190 metros, a construção de um novo píer, a expansão da área de apoio às operações, melhorias nos acessos e estruturas adicionais para contêineres refrigerados. A chegada do segundo lote de guindastes em 2027, portanto, não encerra o projeto.
No cais, os novos portêineres fabricados pela chinesa ZPMC têm alcance de 72 metros, sete metros a mais do que os modelos atualmente utilizados pela DP World em Santos. Os equipamentos possuem ainda 56 metros de altura entre o cais e a lança, característica que permite atender embarcações de maior porte. Os guindastes utilizam tecnologia Siemens e conseguem movimentar até 65 toneladas na operação simultânea com dois contêineres de 20 pés, 50 toneladas com uma única unidade e até 80 toneladas com gancho para cargas especiais e não conteinerizadas.
A modernização chega também ao pátio. Os novos RTGs são totalmente elétricos, têm 18,2 metros de altura, capacidade para movimentar até 41 toneladas e estão preparados para futura operação remota. Quando os 15 equipamentos previstos na aquisição estiverem funcionando, a estimativa da DP World é evitar a emissão de 4.250 toneladas de CO₂ por ano em comparação com modelos movidos exclusivamente a diesel.
A eletrificação da operação já vinha avançando antes da chegada do novo lote. O terminal conta com 22 RTGs eletrificados desde 2025 e recebeu, em maio deste ano, outros 15 veículos elétricos para transporte interno de contêineres e três reach stackers elétricos destinados à movimentação e ao empilhamento de cargas. A empresa utiliza energia majoritariamente proveniente de fontes renováveis certificadas e estabeleceu a meta de atingir zero emissões líquidas até 2050.
A incorporação dos equipamentos reforça tanto a operação de cais quanto a capacidade do pátio em um momento de crescimento do fluxo de contêineres em Santos. O aumento da estrutura também busca preparar o terminal para receber navios maiores e volumes mais elevados de carga. A meta de 1,7 milhão de TEUs até dezembro funciona como uma etapa intermediária do projeto, antes das obras e da chegada dos equipamentos restantes necessários para sustentar a capacidade prevista de 2,1 milhões de TEUs.
FUP Explica
O movimento da DP World em Santos é relevante por dois ângulos que se reforçam. Do ponto de vista econômico e de comércio exterior, o Porto de Santos responde por parcela expressiva do fluxo de contêineres do Brasil, e um salto de 1,4 milhão para 1,7 milhão de TEUs de capacidade anual num único terminal tende a aliviar gargalos operacionais num momento em que o próprio porto registra recordes de movimentação. Mais capacidade instalada significa, na prática, menor risco de congestionamento, o que pode reduzir custos de demurrage e melhorar a previsibilidade para importadores e exportadores que dependem do complexo santista.
Do ponto de vista institucional e de longo prazo, o programa de R$ 2 bilhões ainda não está concluído: a extensão do cais, o novo píer e as demais obras de infraestrutura são condições para sustentar a meta de 2,1 milhões de TEUs. Isso significa que a capacidade anunciada agora é intermediária e que o projeto depende de licenças, prazos de obra e da chegada do segundo lote de equipamentos em 2027. Qualquer atraso nessas frentes pode segurar o crescimento da capacidade abaixo do planejado.
No campo ambiental, a aposta nos RTGs elétricos e na energia renovável certificada posiciona o terminal dentro de uma tendência crescente de exigências de sustentabilidade por parte de armadores e embarcadores internacionais. A meta de zero emissões líquidas até 2050 ainda é distante, mas a eletrificação progressiva do pátio reduz a dependência de diesel e pode influenciar decisões de escala de navios que priorizam portos com menor pegada de carbono.




