
Compras internacionais barradas levam Viracopos a devolver 160 mil encomendas
Aeroporto de Viracopos processa devolução de 160 mil remessas internacionais não autorizadas. Relevante para importadores e operadores de comex aéreo.
Uma operação de logística reversa estruturada no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), devolveu ao exterior mais de 160 mil encomendas internacionais com entrada negada no Brasil nos últimos 12 meses, segundo a Transporte Moderno. O volume reflete o crescimento das compras em marketplaces asiáticos, como AliExpress e Alibaba, que ampliou o fluxo de remessas expressas chegando ao país.
As recusas de importação ocorrem por razões diversas: irregularidades nas informações prestadas, questões tributárias, ausência de autorizações exigidas por órgãos anuentes, inconsistências cadastrais e problemas documentais. Dependendo da natureza da mercadoria, a entrada pode ser impedida pela Receita Federal ou condicionada à anuência de órgãos como Anvisa, Anatel, Ibama e Exército.
A operação foi implantada em 2025 pela FreteGlobal, startup especializada em fretes internacionais e soluções logísticas para operações envolvendo o Brasil, de acordo com o AeroIn. A empresa afirma ter sido a primeira agente de cargas a estruturar esse tipo de operação para remessas expressas internacionais a partir de Viracopos.
O modelo adotado usa o Aeroporto de Guarulhos (GRU) como ponto intermediário de conexão. As cargas partem de Viracopos e seguem para Guarulhos, de onde acessam uma oferta maior de voos internacionais para retornar aos países de origem. Segundo Débora Chiquitano, CEO da FreteGlobal, "em Viracopos, a menor disponibilidade de rotas diretas de retorno era um gargalo para o setor". A conexão via Guarulhos permite maior previsibilidade ao retorno das cargas e mantém o processo documentado de acordo com as exigências aplicáveis às remessas internacionais.
Ao contrário do que se poderia supor, essas encomendas não retornam automaticamente ao exterior. O processo exige coordenação precisa entre o operador logístico, a companhia aérea, os terminais aeroportuários e as autoridades responsáveis pelo controle das mercadorias, segundo o AeroIn. O projeto envolveu articulação entre terminais aeroportuários, Receita Federal e clientes.
A retenção prolongada dessas cargas pressiona a capacidade operacional dos terminais e eleva custos de armazenagem e processamento. Viracopos e Guarulhos concentram atualmente grande parte da movimentação brasileira de remessas internacionais de comércio eletrônico e passaram a desempenhar papel relevante também no fluxo reverso dessas operações.
Para Débora Chiquitano, "com o aumento exponencial do e-commerce e o volume cada vez maior de compras feitas nos mercados asiáticos, o problema dos marketplaces vão tomando proporções maiores com a legislação brasileira e buscar uma solução efetiva era urgente", em declaração ao AeroIn.
FUP Explica
O número de 160 mil encomendas devolvidas em 12 meses diz muito sobre o tamanho do desafio que o crescimento do e-commerce asiático impõe à infraestrutura aduaneira e logística do Brasil. O volume não é acidente: é consequência direta da combinação entre o aumento de remessas de baixo valor e a legislação brasileira, que exige anuência de múltiplos órgãos dependendo do produto, e pune com recusa de entrada qualquer inconsistência documental ou tributária.
Do ponto de vista operacional, a solução criada pela FreteGlobal resolve um problema real, mas também evidencia que o sistema ainda não está preparado para absorver esse fluxo com fluidez.
A necessidade de criar uma rota intermediária via Guarulhos para viabilizar a devolução mostra que Viracopos, apesar de ser um dos principais hubs de remessas expressas do país, ainda tem limitações de conectividade internacional que encarecem e complicam operações de retorno.
Para os marketplaces asiáticos e seus parceiros logísticos no Brasil, isso significa custo adicional em cada pacote recusado, o que tende a pressionar a revisão de processos de conformidade documental antes do envio.
Para os operadores de comex aéreo, o caso aponta para uma tendência: o fluxo reverso de remessas internacionais deve crescer junto com o e-commerce, e quem não tiver estrutura e coordenação com Receita Federal e órgãos anuentes vai enfrentar gargalos crescentes de armazenagem e custo. A regulação brasileira sobre remessas expressas segue em evolução, e qualquer mudança nas regras de anuência ou tributação pode ampliar ou reduzir o volume de recusas, tornando esse tipo de operação de logística reversa cada vez mais relevante.





