FUP News
CMA CGM impõe sobretaxa de seca em cargas de e para Manaus
Marítimo

Imagem gerada por IA

CMA CGM impõe sobretaxa de seca em cargas de e para Manaus

10/08/2026·465 palavras
CMA CGM implementa sobretaxa por baixa água (LWS) para cargas de e para Manaus, Brasil, devido a restrições de navegação no Rio Amazonas previstas a partir da semana 40. Afeta diretamente exportadores e importadores da região amazônica brasileira.

A CMA CGM anunciou a implementação de uma sobretaxa de baixa água (Low Water Surcharge, LWS) para cargas de e para Manaus, em resposta às restrições de navegação previstas no Rio Amazonas durante a estação de estiagem. A medida foi divulgada pelo Container News e afeta tanto importações quanto exportações pela região amazônica.

O valor fixado pela armadora é de US$ 753 por TEU, aplicável a todos os tipos de equipamento. A cobrança entra em vigor a partir de 6 de setembro. A CMA CGM informou ainda que, caso seja necessário utilizar píer flutuante para atracação e transferência de contêineres, revisará a sobretaxa para cobrir os custos operacionais adicionais e encargos de terceiros envolvidos.

As restrições de navegação estão previstas para começar na semana 40 do ano, com expectativa de permanência até pelo menos a semana 52. A redução do calado navegável obriga os navios a operarem com menor capacidade de transporte e utilização reduzida, gerando custos adicionais que incluem manipulação de carga, realocação de embarcações, ajustes de rota, taxas de praticagem mais elevadas e medidas administrativas diversas.

Dados hidrológicos levantados pelo Guia Marítimo apontam que a Capitania dos Portos consultou o Serviço Geológico Brasileiro e o Laboratório de Modelagem de Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas.

As projeções indicam níveis mínimos entre 1,8 e 3,0 metros abaixo dos registrados em 2025, a depender do trecho analisado. Para o segmento entre Itacoatiara e Manaus, a estimativa preliminar aponta restrição de calado na ordem de 8,00 metros para navios de carga.

A CMA CGM não é a única armadora a adotar essa medida. A Maersk também anunciou sobretaxa de baixo nível de água para embarques com origem ou destino em Manaus, com cronograma escalonado por região: Ásia-Pacífico, Índia, Oriente Médio, África e Europa a partir de 1º de setembro; Intra-América a partir de 10 de setembro; América do Norte a partir de 15 de setembro; e Manaus a partir de 10 de outubro. A Maersk estimou que as restrições operacionais devem se concentrar entre as semanas 43 e 47, com nova rodada entre as semanas 48 e 52.

A Hapag-Lloyd adotou medida semelhante em 2025, com sobretaxa de US$ 1.000 por TEU para Manaus, o que indica que esse tipo de ajuste tarifário é prática consolidada entre grandes armadores em períodos de estiagem amazônica. O Guia Marítimo registra que o padrão de restrições à navegação se repetiu nas secas de 2023 e 2024, quando armadores redirecionaram cargas e adotaram soluções alternativas de transporte na região.

A CMA CGM informou, que continuará monitorando os níveis de água e comunicará aos clientes sobre eventuais mudanças nas condições operacionais. A Maersk, por sua vez, reiterou que suas avaliações são revisadas continuamente durante a temporada de águas baixas para manter a sobretaxa alinhada às necessidades operacionais reais.

FUP Explica

A sobretaxa de baixa água da CMA CGM é mais um capítulo de um problema sazonal que se repete com crescente regularidade no Amazonas. Com Maersk e Hapag-Lloyd adotando medidas equivalentes, o mercado de frete para Manaus enfrenta uma pressão coordenada de custo que recai diretamente sobre importadores e exportadores da região, sem alternativa de rota marítima equivalente.

O ponto que merece atenção é a tendência de agravamento. As projeções hidrológicas para 2026 indicam níveis ainda mais baixos do que os de 2025, o que pode forçar revisões para cima nas sobretaxas ao longo da temporada, especialmente se o uso de píer flutuante se tornar necessário. A CMA CGM deixou essa porta aberta explicitamente. Para quem opera com contratos de fornecimento ou prazos de entrega fechados, a incerteza sobre o valor final do frete é um risco concreto a gerir.

No plano mais amplo, a recorrência dessas sobretaxas a cada ciclo de estiagem levanta uma questão estrutural: a dependência quase exclusiva do transporte fluvial para abastecer e escoar a produção de Manaus torna a região vulnerável a choques climáticos que tendem a se intensificar. Enquanto não houver alternativas logísticas consolidadas, armadores continuarão repassando esses custos ao mercado, e importadores e exportadores locais continuarão absorvendo.

Compartilhar:WhatsAppX (Twitter)LinkedIn

Leia também