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CMA CGM anuncia novos recargos e inclui cargas com origem no Brasil
Comércio Exterior

Imagem: wikimedia commons

CMA CGM anuncia novos recargos e inclui cargas com origem no Brasil

02/10/2026·653 palavras

Cobranças começam em outubro e novembro e atingem embarques entre Ásia, África e Américas; cargas que partem do Brasil para mercados europeus, africanos e do Oriente Médio terão adicional de US$ 500 por contêiner

Em meio a uma nova rodada de ajustes nos fretes marítimos, a CMA CGM anunciou recargos de alta temporada para diferentes rotas entre Ásia, África e Américas, incluindo embarques com origem no Brasil. As cobranças entram em vigor ao longo de outubro e novembro, com valores e condições que variam conforme a rota e o contrato. Para cargas secas e refrigeradas que partem de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai em direção a mercados da Europa, África e Oriente Médio, o adicional será de US$ 500 por contêiner a partir de 1º de novembro. Em outra medida, cargas da costa leste da América do Sul destinadas a países das Américas terão recargo de US$ 1 mil por TEU.

Segundo o PortalPortuario, o PSS de US$ 500 será aplicado considerando a data de carregamento no navio e alcançará embarques destinados ao norte da Europa, Mediterrâneo oriental e ocidental, Adriático, mar Negro, norte da África, Oriente Médio, mar Vermelho, África continental e oceano Índico. De acordo com a CMA CGM, a cobrança busca manter a eficiência e a confiabilidade dos serviços durante o período de alta demanda. O valor será acrescentado ao frete básico e a outros custos da operação, como ajustes de combustível, movimentação nos terminais, taxas de segurança e encargos locais.

Ao mesmo tempo, a companhia prepara outro reajuste para embarques que saem da costa leste da América do Sul. Conforme a Container News, a partir de 15 de outubro será cobrado um PSS de US$ 1 mil por TEU sobre cargas destinadas à costa oeste da América do Sul, América Central, Caribe, México, Guiana, Suriname, Estados Unidos e Canadá. Nesse caso, a medida abrange todas as cargas vinculadas a contratos de longo prazo. Para os Estados Unidos e seus territórios, assim como países latino-americanos que exigem períodos maiores de aviso prévio, a vigência começa em 28 de outubro.

Os anúncios fazem parte de uma sequência de novos recargos definidos pela CMA CGM para diferentes corredores marítimos. No tráfego entre o Extremo Oriente e Durban, na África do Sul, a companhia aplicará, a partir de 8 de outubro, um adicional de US$ 550 por TEU. A cobrança valerá para todas as cargas e permanecerá em vigor até novo aviso.

Outra rota afetada liga o Extremo Oriente a Port Louis, nas Ilhas Maurício. A partir de 15 de outubro, os embarques terão um PSS de US$ 400 por TEU, também válido para todos os tipos de carga. Para mercadorias originadas na China, a CMA CGM informou que o adicional estará sujeito ao registro na Shanghai Shipping Exchange e/ou poderá ser incorporado ao frete marítimo.

Na mesma data, começam ainda os novos recargos sobre embarques da China para países da África Ocidental. Cargas provenientes das regiões central e sul do país com destino a Nigéria, Costa do Marfim, Benin, Guiné Equatorial, Gana e Togo terão adicional de US$ 200 por TEU. O mesmo valor será aplicado aos embarques da China e de suas Regiões Administrativas Especiais destinados à Guiné.

Para Libéria, Senegal, Mauritânia, Gâmbia, Serra Leoa, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, o PSS sobe para US$ 400 por TEU. A mesma cobrança será aplicada a cargas destinadas a Angola, Congo, República Democrática do Congo, Namíbia, Gabão e Camarões. Nessas rotas africanas, os adicionais abrangem contêineres dry e reefer vinculados a contratos de curto prazo.

Com diferentes datas, valores e modalidades contratuais, a nova rodada de cobranças distribui custos adicionais por corredores que conectam alguns dos principais mercados atendidos pela CMA CGM. Para embarcadores brasileiros, os anúncios exigem atenção especial à combinação entre origem, destino e tipo de contrato, já que operações que partem da costa leste da América do Sul estarão sujeitas a condições distintas conforme a rota utilizada.

FUP Explica

Os recargos de alta temporada anunciados pela CMA CGM elevam o custo do frete marítimo em rotas que concentram boa parte das exportações brasileiras, incluindo destinos na Europa, no Oriente Médio e na África. Para exportadores e importadores que operam nessas rotas, o impacto é direto: os US$ 500 por contêiner previstos para novembro entram como custo adicional sobre o frete já contratado, o que pode pressionar margens em operações com preço fechado e dificultar renegociações de última hora.

O fato de a cobrança incidir tanto sobre cargas secas quanto refrigeradas amplia o alcance da medida, atingindo desde commodities agrícolas até produtos de maior valor agregado. Além disso, a vigência escalonada por data de carregamento, e não por data de emissão do conhecimento de embarque, exige atenção dos operadores ao planejar o embarque das mercadorias nas próximas semanas.

No plano mais amplo, a rodada de PSS da CMA CGM sinaliza que as armadoras seguem usando o período de alta demanda para recompor receita, prática que tende a se repetir sempre que o mercado de fretes apresenta pressão de volume. Para quem negocia contratos de longo prazo, o momento reforça a importância de verificar as cláusulas de reajuste e os mecanismos de repasse de surcharges antes de fechar novas operações.

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