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CMA CGM alerta que Porto de Buenaventura ainda enfrenta gargalos após terremoto
Logística

CMA CGM alerta que Porto de Buenaventura ainda enfrenta gargalos após terremoto

14/08/2026·415 palavras
CMA CGM relata restrições operacionais em Buenaventura após terremoto. Interrupção em porto relevante para comércio regional com potencial efeito em cadeias de suprimento.

O Porto de Buenaventura opera sob condições restritas desde o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste da Colômbia na segunda-feira (10). Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (13), a CMA CGM descreveu a situação na terminal como complexa, com retomada parcial das atividades e atendimento a navios sujeito a limitações, enquanto os portos da costa atlântica colombiana mantêm funcionamento habitual, segundo o Portal Portuario.

O sismo teve epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, a uma profundidade de aproximadamente 96 quilômetros, e causou dezenas de vítimas fatais e danos estruturais em várias regiões do centro e oeste do país, conforme apurado pelo GlobalPorts.

A CMA CGM identificou três obstáculos principais nas operações. O primeiro é a congestão nos pátios de armazenamento, com zonas de acopio em níveis críticos e severas limitações de espaço. O segundo é a escassez de mão de obra local, que continua afetando a produtividade. O terceiro é a dificuldade na devolução de contêineres vazios, prejudicada pelo acesso restrito à terminal e pelo próprio congestionamento.

O corredor viário Cali-Buenaventura, principal artéria de acesso terrestre ao porto, permanece instável. Deslizamentos de terra contínuos e instabilidade na infraestrutura impedem o restabelecimento completo da via, o que a CMA CGM apontou como o principal obstáculo à normalização das atividades.

Como resposta, a armadora implementou monitoramento contínuo da capacidade da terminal e avaliações diárias das condições dos pátios e dos sítios de atracação. A empresa analisa soluções alternativas para o escoamento de carga, incluindo o desvio para instalações como Puerto Antioquia, e estabeleceu priorização de cargas críticas conforme as condições operativas permitam.

A CMA CGM também reforçou a coordenação com transportadoras terrestres e parceiros logísticos para agilizar a retirada de mercadorias assim que a malha viária for liberada, e sinalizou que pode aplicar ajustes operativos adicionais caso os problemas de congestionamento persistam.

Aos usuários, a empresa recomendou prever extensões nos prazos de entrega, manter contato direto com representantes comerciais e revisar alternativas logísticas para embarques de alta prioridade.

Contexto portuário colombiano

Buenaventura é o principal porto colombiano no Pacífico e por sua terminal circula mais da metade do comércio exterior do país. A terminal TCBuen, operada pela APM Terminals Buenaventura, ativou protocolos de emergência e plano de continuidade do negócio logo após o terremoto, realizando evacuações e inspeções de segurança.

Uma avaliação inicial da Agência Nacional de Infraestrutura (ANI) da Colômbia indicou que os portos de Cartagena, Tumaco, Urabá e Golfo de Morrosquillo não registraram danos graves nem interrupções operacionais.

FUP Explica

Buenaventura não é um porto qualquer: por ali passa mais da metade do comércio exterior colombiano no Pacífico, o que faz qualquer perturbação séria nessa terminal reverberar em cadeias de suprimento que conectam a Colômbia à Ásia, aos Estados Unidos e à América Latina.

Com os pátios congestionados, mão de obra reduzida e a principal via de acesso terrestre ainda instável, o risco imediato é o acúmulo de carga sem escoamento, o que tende a gerar atrasos em cascata para quem depende de embarques pela costa do Pacífico.

A situação da rodovia Cali-Buenaventura é o nó mais difícil de resolver no curto prazo, porque deslizamentos de terra dependem de condições climáticas e de obras que não têm prazo fixo.

Enquanto essa via não for liberada, a alternativa de desviar carga para Puerto Antioquia alivia parte da pressão, mas não substitui a capacidade de Buenaventura. Para embarcadores com contratos de prazo fixo ou cargas perecíveis, a janela de tolerância é pequena.

Do ponto de vista institucional, a resposta das armadoras até agora segue o padrão já visto em situações similares: comunicado de força maior, priorização de cargas críticas e análise de rotas alternativas. O que vai definir a extensão real dos impactos é a velocidade de recuperação da infraestrutura viária, algo que está fora do controle das empresas de navegação e depende da capacidade de resposta do governo colombiano.

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