
CMA CGM alerta que Porto de Buenaventura ainda enfrenta gargalos após terremoto
CMA CGM relata restrições operacionais em Buenaventura após terremoto. Interrupção em porto relevante para comércio regional com potencial efeito em cadeias de suprimento.
O Porto de Buenaventura opera sob condições restritas desde o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste da Colômbia na segunda-feira (10). Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (13), a CMA CGM descreveu a situação na terminal como complexa, com retomada parcial das atividades e atendimento a navios sujeito a limitações, enquanto os portos da costa atlântica colombiana mantêm funcionamento habitual, segundo o Portal Portuario.
O sismo teve epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, a uma profundidade de aproximadamente 96 quilômetros, e causou dezenas de vítimas fatais e danos estruturais em várias regiões do centro e oeste do país, conforme apurado pelo GlobalPorts.
A CMA CGM identificou três obstáculos principais nas operações. O primeiro é a congestão nos pátios de armazenamento, com zonas de acopio em níveis críticos e severas limitações de espaço. O segundo é a escassez de mão de obra local, que continua afetando a produtividade. O terceiro é a dificuldade na devolução de contêineres vazios, prejudicada pelo acesso restrito à terminal e pelo próprio congestionamento.
O corredor viário Cali-Buenaventura, principal artéria de acesso terrestre ao porto, permanece instável. Deslizamentos de terra contínuos e instabilidade na infraestrutura impedem o restabelecimento completo da via, o que a CMA CGM apontou como o principal obstáculo à normalização das atividades.
Como resposta, a armadora implementou monitoramento contínuo da capacidade da terminal e avaliações diárias das condições dos pátios e dos sítios de atracação. A empresa analisa soluções alternativas para o escoamento de carga, incluindo o desvio para instalações como Puerto Antioquia, e estabeleceu priorização de cargas críticas conforme as condições operativas permitam.
A CMA CGM também reforçou a coordenação com transportadoras terrestres e parceiros logísticos para agilizar a retirada de mercadorias assim que a malha viária for liberada, e sinalizou que pode aplicar ajustes operativos adicionais caso os problemas de congestionamento persistam.
Aos usuários, a empresa recomendou prever extensões nos prazos de entrega, manter contato direto com representantes comerciais e revisar alternativas logísticas para embarques de alta prioridade.
Contexto portuário colombiano
Buenaventura é o principal porto colombiano no Pacífico e por sua terminal circula mais da metade do comércio exterior do país. A terminal TCBuen, operada pela APM Terminals Buenaventura, ativou protocolos de emergência e plano de continuidade do negócio logo após o terremoto, realizando evacuações e inspeções de segurança.
Uma avaliação inicial da Agência Nacional de Infraestrutura (ANI) da Colômbia indicou que os portos de Cartagena, Tumaco, Urabá e Golfo de Morrosquillo não registraram danos graves nem interrupções operacionais.
FUP Explica
Buenaventura não é um porto qualquer: por ali passa mais da metade do comércio exterior colombiano no Pacífico, o que faz qualquer perturbação séria nessa terminal reverberar em cadeias de suprimento que conectam a Colômbia à Ásia, aos Estados Unidos e à América Latina.
Com os pátios congestionados, mão de obra reduzida e a principal via de acesso terrestre ainda instável, o risco imediato é o acúmulo de carga sem escoamento, o que tende a gerar atrasos em cascata para quem depende de embarques pela costa do Pacífico.
A situação da rodovia Cali-Buenaventura é o nó mais difícil de resolver no curto prazo, porque deslizamentos de terra dependem de condições climáticas e de obras que não têm prazo fixo.
Enquanto essa via não for liberada, a alternativa de desviar carga para Puerto Antioquia alivia parte da pressão, mas não substitui a capacidade de Buenaventura. Para embarcadores com contratos de prazo fixo ou cargas perecíveis, a janela de tolerância é pequena.
Do ponto de vista institucional, a resposta das armadoras até agora segue o padrão já visto em situações similares: comunicado de força maior, priorização de cargas críticas e análise de rotas alternativas. O que vai definir a extensão real dos impactos é a velocidade de recuperação da infraestrutura viária, algo que está fora do controle das empresas de navegação e depende da capacidade de resposta do governo colombiano.




