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Carga aérea movimenta 123,8 mil toneladas em julho com alta de 7,3%
Crescimento de 8,4% em carga aérea internacional no Brasil reflete dinâmica positiva de exportações e importações via modal aéreo.
A carga aérea internacional puxou o crescimento do setor no Brasil em julho de 2026, com alta de 8,4% na comparação anual, enquanto o mercado doméstico avançou 5,2% no mesmo período. Os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em 20 de agosto de 2026 e repercutidos pelo Transporte Moderno.
O volume total movimentado no mês atingiu 123,8 mil toneladas de carga e correio, crescimento de 7,3% sobre julho de 2025. O segmento internacional respondeu por aproximadamente dois terços desse total, com 82,7 mil toneladas transportadas. O mercado doméstico movimentou 41,2 mil toneladas no mesmo período.
O desempenho do mercado doméstico em julho representou o segundo mês consecutivo de crescimento mais forte em 2026. Em junho, o segmento havia registrado avanço de 8,4% na comparação anual, com 38,2 milhões de quilogramas movimentados.
O início do ano foi mais difícil para o mercado doméstico. Em janeiro, a movimentação caiu 7,0% na comparação anual, seguida por retração de 13,6% em fevereiro. A recuperação começou em março, com alta de 3,9%, e prosseguiu nos meses seguintes: 4,7% em abril, 0,4% em maio, 8,4% em junho e 5,2% em julho.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, foram movimentados 266,5 milhões de quilogramas no mercado doméstico, volume praticamente igual ao registrado no mesmo período de 2025.
A GOL liderou a movimentação de carga e correio no mercado doméstico em julho, com 16,75 milhões de quilogramas transportados e participação de 40,7%. Na comparação com julho de 2025, a companhia registrou crescimento de 23,8%, passando de 13,54 milhões para 16,75 milhões de quilogramas.
A Latam ficou na segunda posição, com 9,38 milhões de quilogramas e 22,8% de participação, mas registrou queda de 4,0% na comparação anual. A Azul movimentou 8,39 milhões de quilogramas, equivalente a 20,4% do mercado, com retração de 15,4%. Juntas, as três maiores companhias concentraram 83,9% da movimentação doméstica de carga e correio no mês.
Entre as empresas com volumes menores, a Sideral cresceu 37,8% e a Braspress Air Cargo avançou 52,5% na comparação anual. Quando considerada em conjunto com a Latam, a ABSA, empresa do grupo Latam responsável por operações de transporte de carga, elevaria a participação do grupo para 30,8%, somando 12,67 milhões de quilogramas movimentados em julho.
Passageiros também crescem em julho
O crescimento da carga aérea ocorreu em paralelo à expansão no transporte de passageiros. Em julho de 2026, a aviação civil brasileira registrou 11,9 milhões de viajantes em voos nacionais e internacionais, alta de 11,9% na comparação anual, segundo a Agência Gov. No mercado doméstico, foram 9,198 milhões de passageiros, aumento de 1,9%. Nos voos internacionais, o crescimento foi mais expressivo: 2,741 milhões de passageiros, alta de 4,2% sobre o mesmo período de 2025.
No acumulado dos primeiros sete meses de 2026, a aviação civil brasileira transportou mais de 67 milhões de passageiros, com o mercado doméstico somando 59,379 milhões (alta de 4%) e o internacional alcançando 17,786 milhões (crescimento de 8,2%).
FUP Explica
O dado mais relevante aqui é a assimetria entre internacional e doméstico: o segmento internacional cresceu 8,4% e responde por dois terços de toda a carga aérea movimentada no Brasil, enquanto o doméstico, apesar da recuperação recente, ainda carrega o peso de um começo de ano fraco, com quedas expressivas em janeiro e fevereiro. Isso significa que, no acumulado, o setor doméstico praticamente não saiu do lugar em relação a 2025.
No ranking das companhias, a GOL chama atenção por um motivo que vai além do número: crescer 23,8% num contexto em que a empresa passou por um processo de recuperação judicial é um sinal de que a operação de carga seguiu funcionando mesmo durante a turbulência financeira. Por outro lado, Latam e Azul recuaram, o que pode refletir tanto escolhas operacionais quanto perda de fatia para a concorrente. A concentração em 83,9% entre as três maiores não é novidade no setor, mas reforça que qualquer instabilidade em uma dessas companhias tem efeito direto sobre a disponibilidade de capacidade de carga no país.
O crescimento simultâneo de passageiros e carga no segmento internacional aponta para um mercado de aviação em expansão, com mais voos e mais capacidade de porão disponível. Isso tende a conter pressão sobre fretes aéreos internacionais no curto prazo, o que é relevante para quem depende do modal para importar ou exportar produtos de alto valor agregado ou com prazo curto de entrega.




