
BR-040 terá bloqueios para obras e instalação de sistema de pesagem em movimento
Interdições programadas em rodovia federal com impacto direto em fluxo de cargas e frete rodoviário entre regiões produtoras e portos.
A BR-040 terá interdições parciais e temporárias em diversos pontos entre Minas Gerais e Goiás entre os dias 17 e 24 de agosto de 2026. A Via Cristais, subsidiária da VINCI Highways responsável pela concessão do trecho, executa obras de manutenção e modernização em quatro municípios mineiros e em Cristalina (GO), com serviços concentrados principalmente entre 7h e 17h, conforme informou o Transporte Moderno.
Em Cristalina, entre os quilômetros 53 e 67, equipes aplicam microrevestimento nos dois sentidos da rodovia. A técnica consiste na aplicação de uma nova camada sobre o pavimento existente para corrigir pequenas imperfeições, melhorar a aderência e reduzir a infiltração de água.
Em Minas Gerais, os trabalhos ocorrem em quatro municípios. Em Curvelo, há pavimentação do acostamento no km 389, nos dois sentidos, com bloqueio parcial. Em Paraopeba, as equipes atuam nos km 431 e 432 no sentido Belo Horizonte e no km 428 no sentido Brasília, com desvio do trânsito durante as intervenções. Entre Caetanópolis e Sete Lagoas, as obras se concentram entre os km 456 e 460 no sentido Brasília. Em Sete Lagoas, os serviços ocorrem entre os km 472 e 482 no sentido Belo Horizonte, com interdições parciais e temporárias nos dois casos.
Nos pontos de maior movimento, como Belo Horizonte, Contagem e Ribeirão das Neves, os serviços de pavimentação foram programados para o período noturno, a fim de reduzir interferências nos horários de pico.
Uma das intervenções mais relevantes desta rodada de obras é a preparação da infraestrutura para a instalação de um sistema de pesagem em movimento no km 428, em Paraopeba. A tecnologia permite identificar o peso dos veículos enquanto eles trafegam pela rodovia, sem necessidade de parada para pesagem. É nesse ponto que será implantada a balança HS-WIM (High-Speed Weigh-in-Motion).
Para o controle do tráfego durante as obras, a Via Cristais utiliza sinalização antecipada, equipes de orientação, painéis eletrônicos e operações de "pare e siga" nos trechos de pista simples, conforme as condições do fluxo.
Concessão e investimentos previstos
A Via Cristais assumiu a operação dos 594 quilômetros do trecho em março de 2025, após um período de transição de um mês iniciado em fevereiro daquele ano, conforme informações da ANTT. A concessão prevê investimentos totais de R$ 12 bilhões, sendo R$ 6,4 bilhões destinados à infraestrutura e R$ 5,6 bilhões a custos operacionais ao longo das próximas três décadas.
O plano inclui duplicação de 10 km da estrada, 168 km de faixas adicionais em vias duplas, 174 km em vias simples e 61 km de estradas marginais, com estimativa de geração de cerca de 91.104 empregos diretos e indiretos, de acordo com a ANTT.
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, entre o Anel Rodoviário e o Ceasa, em Contagem, a capacidade da via será ampliada de duas para quatro faixas por sentido, com vias marginais e novas passarelas.
Em março de 2026, a Via Cristais informou que o número de fatalidades na rodovia recuou 24% em 2025 em relação a 2024. A concessionária afirmou ter recrutado e capacitado mais de 2 mil colaboradores entre equipes próprias e terceirizadas, alinhando processos a padrões internacionais de segurança e operações.
FUP Explica
A BR-040 é um dos principais corredores de escoamento de alimentos, combustíveis e produtos do agronegócio entre o Centro-Oeste e o Sudeste. Interdições parciais em múltiplos pontos simultâneos, mesmo que temporárias e com operação de pare e siga, tendem a gerar congestionamentos e atrasos no fluxo de caminhões, o que pode elevar o custo do frete e o tempo de entrega em cargas sensíveis a prazo.
O ponto mais relevante a médio prazo é a instalação do sistema HS-WIM em Paraopeba. A pesagem em movimento sem parada obrigatória muda a lógica da fiscalização de excesso de peso: veículos fora do limite legal podem ser autuados sem nem perceber que passaram por uma balança. Para transportadores que operam com cargas no limite ou acima dele, isso representa um risco real de multa e retenção, o que tende a pressionar o setor a ajustar o carregamento antes de entrar na rodovia.
No plano da concessão, os números são expressivos: R$ 12 bilhões em investimentos ao longo de três décadas e ampliação significativa da capacidade viária na região metropolitana de BH. Se o cronograma for cumprido, a rodovia deve ganhar fluidez e segurança no longo prazo, mas o período de obras, que se estende por anos, implica conviver com interdições recorrentes como as desta semana.




