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Calor e chuvas do El Niño pressionam logística de medicamentos no Brasil
Logística

Calor e chuvas do El Niño pressionam logística de medicamentos no Brasil

19/08/2026·405 palavras
Fenômeno climático El Niño aumenta riscos na cadeia fria farmacêutica, afetando transporte de medicamentos e importações de insumos sensíveis.

O fenômeno El Niño coloca em alerta a logística de medicamentos termolábeis no Brasil. A Organização Meteorológica Mundial prevê um El Niño forte entre agosto e outubro de 2026, com temperaturas acima da média em grande parte do planeta e mudanças nos padrões de chuva. Um boletim divulgado no fim de julho por órgãos como Inmet, Inpe, Cemaden e ANA aponta elevada probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão, conforme também reportado pela publicação.

Vacinas, insulinas e parte dos medicamentos biológicos dependem de controle térmico rigoroso durante armazenagem e distribuição para preservar suas características. Esses produtos precisam ser transportados e armazenados em temperaturas geralmente entre 2°C e 8°C para manter eficácia e segurança.

O risco para a cadeia fria farmacêutica vai além da temperatura externa mais alta. Liana Montemor, farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, empresa especializada em soluções para cadeia fria, explicou à Transporte Moderno que temperaturas externas elevadas aumentam a carga sobre refrigeradores, câmaras frias e veículos refrigerados, exigindo maior capacidade dos equipamentos para manter a faixa recomendada.

O funcionamento mais intenso dos sistemas de refrigeração também eleva o consumo de energia, o que torna a disponibilidade de sistemas de contingência mais relevante em situações de queda ou interrupção do fornecimento elétrico. Além disso, chuvas intensas, enchentes e congestionamentos prolongam o tempo de transporte e aumentam o risco de exposição dos medicamentos a condições inadequadas, completou a especialista.

O problema não se limita ao calor: bloqueios de rodovias por deslizamentos ou enchentes também podem estender o tempo de viagem e comprometer cargas que operam com janelas térmicas estreitas.

Variações regionais e medidas de mitigação

O risco varia conforme o corredor logístico. O El Niño tende a favorecer volumes maiores de chuva no Sul do Brasil, enquanto partes das regiões Norte e Nordeste ficam mais sujeitas a condições secas, exigindo planejamento adaptado aos diferentes trajetos.

Diante da maior imprevisibilidade climática, a publicação destaca que o monitoramento de temperatura em tempo real, embalagens térmicas qualificadas, rotas alternativas e redundância energética ganham relevância nas operações. Sensores, alarmes e sistemas de rastreabilidade permitem identificar desvios de temperatura durante o trajeto e antecipar decisões antes que a integridade da carga seja comprometida.

Para operações farmacêuticas, a combinação entre temperaturas mais altas e maior risco de eventos extremos acrescenta uma nova variável ao planejamento de uma cadeia que já opera com exigências rígidas de tempo, temperatura e rastreabilidade.

FUP Explica

O ponto central aqui é que a cadeia fria farmacêutica não tem margem de erro: um medicamento termolábil fora da faixa de temperatura por tempo suficiente perde eficácia e pode causar dano ao paciente, o que significa que o risco climático se converte diretamente em risco sanitário. Quando o El Niño pressiona as temperaturas externas para cima e ainda aumenta a frequência de eventos extremos, as duas principais ameaças à cadeia fria aparecem ao mesmo tempo, e os operadores precisam lidar com elas simultaneamente.

Do ponto de vista econômico, o custo de uma falha nessa cadeia é alto em qualquer cenário, mas tende a subir quando os sistemas de refrigeração trabalham no limite, o consumo de energia aumenta e as rotas ficam mais instáveis. Empresas que não têm redundância energética ou embalagens qualificadas para janelas de transporte mais longas ficam mais expostas. Isso pode pressionar margens em operações que já são caras por natureza.

No médio prazo, o fenômeno reforça a pressão regulatória e de mercado por investimento em tecnologia de rastreabilidade e qualificação de embalagens, que passam de diferenciais para requisitos operacionais básicos. Quem ainda opera com monitoramento manual ou sem plano de contingência energética vai sentir mais esse ciclo climático do que quem já modernizou a operação.

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