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Cade sinaliza aval a acordo que abre caminho para Maersk e MSC no Tecon Santos 10
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Cade sinaliza aval a acordo que abre caminho para Maersk e MSC no Tecon Santos 10

12/08/2026·422 palavras
Cade aprova operação de reestruturação entre Maersk e MSC para participação no leilão do Tecon Santos 10, terminal portuário estratégico para comex brasileiro. Decisão tem precedente editorial e impacto direto em infraestrutura de exportação/importação.

A área técnica do Cade deve recomendar a aprovação do acordo de desinvestimento apresentado por Maersk e MSC como condição para que as duas armadoras participem do leilão do Tecon Santos 10, novo terminal de contêineres do Porto de Santos.

O modelo proposto pelas empresas prevê que, se a Maersk, por meio de sua subsidiária APM Terminals (APMT), vencer o leilão, a MSC comprará a participação de 50% que a rival detém na Brasil Terminal Portuário (BTP). Se a MSC, que atua pelo braço Terminal Investment Limited (TiL), for a vencedora, a Maersk assumirá o controle integral do terminal. A BTP é uma joint venture que opera um terminal de uso público no Porto de Santos, voltado à movimentação e armazenagem de cargas conteinerizadas, e as duas armadoras detêm 50% cada uma da empresa.

APMT e TiL solicitaram ao Cade que a operação fosse analisada em regime acelerado. O argumento apresentado pelas empresas é que a transferência do controle total da BTP a um dos parceiros não alteraria de forma relevante a relação de propriedade e concorrência que já existe entre Maersk e MSC.

As regras do leilão do Tecon 10, formuladas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e aprovadas pelo Tribunal de Contas da União, inicialmente impediam operadores portuários já instalados no Porto de Santos de participar da primeira rodada de ofertas, incluindo APMT e BTP, CMA CGM e DP World. A restrição foi motivada por preocupações com concentração de mercado. O governo federal, posteriormente, abriu a disputa para armadores internacionais, desde que assumissem compromissos de desinvestimento.

O acordo não passou sem resistência. A operadora portuária filipina ICTSI protocolou pedido junto ao Cade solicitando o arquivamento do processo, questionando a própria viabilidade da análise antitruste da promessa de desinvestimento, conforme apurado pela Agência Infra.

Outra empresa concorrente, não identificada pelas fontes, estuda recorrer ao Cade para contestar o modelo. A avaliação, segundo a Transporte Moderno, é que o acordo funciona como uma espécie de seguro para as duas armadoras: independentemente de quem vença o leilão, cada uma permaneceria no controle de um grande terminal de contêineres em Santos. Uma das empresas avalia pedir habilitação como terceira interessada no processo.

CMA CGM, que controla a Santos Brasil, e a TCP, controlada pela China Merchants Port, também teriam interesse no ativo, de acordo com o Valor Econômico.

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Valores e prazo do leilão

O leilão do Tecon 10 está previsto para o próximo ano. O projeto exige o pagamento de outorga de R$ 1,04 bilhão e prevê R$ 6,4 bilhões em investimentos.

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O sinal verde da área técnica do Cade não encerra o processo, mas pesa muito: na prática, o tribunal do órgão raramente diverge da recomendação de sua superintendência. Se a aprovação se confirmar, Maersk e MSC entram na disputa pelo maior leilão portuário do país com uma vantagem competitiva real, já que chegam ao certame com estrutura operacional consolidada em Santos, enquanto rivais como ICTSI partem do zero no porto.

O ponto mais sensível é exatamente o que os concorrentes apontam: o modelo de desinvestimento condicional funciona como uma rede de proteção. Qualquer que seja o resultado do leilão, uma das duas armadoras sai com o Tecon 10 e a outra fica com o controle total da BTP. Ou seja, nenhuma das duas perde posição no Porto de Santos, o que levanta a questão legítima de se o compromisso de desinvestimento representa uma mudança estrutural real no mercado ou apenas uma reorganização formal entre as mesmas partes.

Para o setor portuário como um todo, a decisão do Cade vai definir se armadoras verticalmente integradas, que ao mesmo tempo operam navios e terminais, podem usar acordos condicionais para contornar restrições de concentração em leilões públicos. Esse precedente vai além do Tecon 10 e pode moldar como futuras concessões portuárias são disputadas no Brasil.

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