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Brasil volta a negociar com EUA tarifas que afetam 47,3% das exportações
Comércio Exterior

Imagem: Divulgação Apex

Brasil volta a negociar com EUA tarifas que afetam 47,3% das exportações

31/08/2026·293 palavras
Governo brasileiro retoma negociações sobre tarifas com representante dos EUA após ligação entre Trump e presidente brasileiro, buscando reabrir discussões sobre medidas tarifárias.

O governo brasileiro retomou nesta segunda-feira (31), as negociações com os Estados Unidos sobre as tarifas aplicadas a produtos nacionais exportados ao mercado americano. Os ministros Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores, participaram de uma reunião virtual com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

A retomada das conversas ocorre após uma ligação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em meados de agosto. As negociações estavam suspensas desde 14 de julho.

O encontro busca avançar nas discussões sobre as tarifas que atingem parte das exportações brasileiras. Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, 47,3% da pauta exportadora do Brasil para os Estados Unidos está sujeita a alguma sobretaxa, enquanto 52,7% permanece fora das medidas tarifárias.

Em julho de 2026, os Estados Unidos anunciaram tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros destinados ao mercado americano, com aplicação cumulativa das alíquotas.De acordo com o ministério, cerca de 8,6 mil empresas brasileiras são afetadas pelas medidas. Entre os produtos que permanecem fora das tarifas estão café, carne bovina, petróleo cru, aeronaves e peças, celulose e sucos cítricos.

Governo busca incluir mais setores entre as exceções

O ministro Márcio Elias Rosa classificou as negociações como "um diálogo difícil, porque já foi no passado difícil". Apesar das dificuldades, afirmou acreditar na possibilidade de aumentar a lista de setores excluídos das tarifas durante as conversas.

Segundo o ministro, a orientação do presidente Lula é conduzir as negociações sem restrições quanto aos temas que podem ser discutidos, mas preservando os interesses brasileiros.

Embora o governo tenha iniciado o processo para a aplicação da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, Rosa afirmou que o assunto não estaria na pauta da reunião desta segunda-feira.

FUP Explica

O impasse tarifário entre Brasil e EUA entrou em uma fase delicada. Com 47,3% da pauta exportadora brasileira sujeita a alguma sobretaxa e 8,6 mil empresas afetadas, a pressão para destravar as negociações é real, especialmente nos setores industriais que não gozam das isenções concedidas a café, petróleo e aeronaves. O fato de a reunião ter sido retomada após uma ligação direta entre Lula e Trump sugere que o canal político foi acionado porque o técnico estava travado, o que é um sinal de que o impasse era sério o suficiente para escalar.

O ponto mais relevante para o curto prazo é a sinalização do ministro Márcio Elias Rosa de que o governo acredita ser possível ampliar a lista de setores isentos. Se isso avançar, alivia a pressão sobre as empresas mais expostas. Por outro lado, a decisão de deixar a Lei de Reciprocidade fora da pauta desta rodada indica que o Brasil quer negociar sem escalar o conflito por ora, o que pode ser lido como pragmatismo ou como concessão de espaço de barganha, dependendo do que vier a seguir.

No plano político, o retorno das conversas após mais de um mês de suspensão é uma vitória de imagem para o governo Lula, que precisava mostrar movimento. Mas o próprio ministro reconheceu que o diálogo é difícil, e a estrutura das tarifas americanas, com alíquotas que se somam, não é algo que se resolve em uma reunião virtual. O cenário mais provável é de negociação longa, com avanços pontuais por setor, enquanto a Lei de Reciprocidade permanece como carta na manga.

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