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Brasil terá supercomputador de R$ 1 bilhão para acelerar desenvolvimento de IA
Governo federal investe R$ 2,5 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial com parceria chinesa, impactando potencialmente importações de equipamentos de computação e tecnologia.
O Governo Federal, anunciou nesta quinta-feira(20), um pacote de aproximadamente R$ 2,5 bilhões para ampliar a infraestrutura brasileira de inteligência artificial. O anúncio foi feito durante visita ao Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba, no Rio Grande do Norte, e combina supercomputação, desenvolvimento de chips, pesquisa e infraestrutura nacional de nuvem.
A peça central do pacote é um supercomputador orçado em R$ 1,06 bilhão, que será instalado no PAX e integrará o novo Centro Brasileiro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial, conforme apurado pelo Olhar Digital.
Desse total, R$ 960 milhões são destinados à compra do equipamento e R$ 100 milhões cobrem as etapas de preparação e operação. Os recursos estão previstos no CT-Infra, instrumento de financiamento de infraestrutura de pesquisa, e integram o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).
A capacidade prevista é de 7,2 mil Pflops, ou 7,2 Exaflops, potência que colocaria o Brasil entre as primeiras posições nos rankings mundiais de máquinas mais potentes. Para dimensionar a diferença, pode-se comparar com o Santos-Dumont, que é atualmente o supercomputador mais potente do país, instalado no interior do Rio de Janeiro, opera com 27 petaflops. Treinar um grande modelo de linguagem como o GPT-4 no Santos-Dumont levaria cerca de 11 anos; com a nova máquina, o mesmo processo poderia ser concluído em aproximadamente um mês.
O equipamento será gerenciado pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e tem previsão de entrar em funcionamento até o final de 2027. O acesso não será restrito ao governo: universidades, empresas, startups, centros de pesquisa e órgãos públicos poderão utilizar a infraestrutura para desenvolver e treinar modelos de IA, inclusive em áreas como saúde, agricultura, clima e serviços públicos.
O presidente justificou a escolha do Rio Grande do Norte pela necessidade de distribuir investimentos para além das regiões mais ricas do país, mencionando que São Paulo e Campinas também haviam solicitado a instalação da máquina.
Parceria com empresas chinesas e acordo com a Espanha
O pacote inclui ainda uma parceria com as empresas chinesas Huawei e iFlytek para o desenvolvimento de infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro, com investimento de cerca de R$ 1,3 bilhão. O governo estima que essa infraestrutura comece a operar a partir de julho, sem especificar o ano. A estrutura será voltada principalmente ao desenvolvimento de modelos de linguagem de uso geral e aplicações para diferentes setores.
Além da parceria com a China, o governo anunciou um acordo com a Espanha para o desenvolvimento de chips utilizando a arquitetura aberta RISC-V, segundo o Bahia Econômica.
PBIA e o contexto do pacote
Os investimentos anunciados integram o PBIA, que prevê R$ 23 bilhões em infraestrutura computacional, capacitação de mão de obra especializada, criação de modelos nacionais de IA e construção de serviços públicos com a tecnologia. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que o supercomputador poderá ser utilizado por universidades, instituições de tecnologia, empresas e órgãos públicos.
FUP Explica
O anúncio tem peso político claro: ao escolher o Rio Grande do Norte em vez de São Paulo ou Campinas, o governo sinaliza uma política de interiorização e desconcentração regional dos investimentos em tecnologia, o que tem apelo eleitoral e de desenvolvimento regional, mas também levanta questões práticas sobre a disponibilidade de mão de obra qualificada e infraestrutura de suporte fora dos grandes centros.
A parceria com Huawei e iFlytek é o ponto mais sensível do pacote. As duas empresas operam em um ambiente de crescente desconfiança por parte dos Estados Unidos e de aliados ocidentais, e a aproximação do Brasil com fornecedores chineses de tecnologia crítica tende a gerar fricção diplomática, especialmente num momento em que o país tenta equilibrar relações com Washington e Pequim. Do ponto de vista econômico, a dependência de fornecedores externos para equipamentos de supercomputação e chips levanta a questão de quanto da soberania tecnológica proclamada pelo governo será de fato construída no Brasil, e quanto ficará atrelada a cadeias de suprimento que o país não controla.
Para o ecossistema de tecnologia nacional, o acesso a uma máquina dessa capacidade pode reduzir a barreira de entrada para pesquisa em IA, que hoje exige ou parcerias com grandes plataformas internacionais ou custos proibitivos de nuvem. Se a governança do acesso for bem desenhada, startups e universidades ganham um recurso que antes era inacessível. O prazo de entrega previsto para o final de 2027, porém, é longo num setor em que o ritmo de evolução tecnológica é acelerado, e o equipamento comprado hoje pode já não ser de ponta quando entrar em operação.




