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Brasil e Índia miram expansão do comércio após fluxo alcançar US$ 15,2 bilhões
Comércio Exterior

Brasil e Índia miram expansão do comércio após fluxo alcançar US$ 15,2 bilhões

27/08/2026·615 palavras

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas (CII) firmaram, nesta quinta-feira (27), um Memorando de Entendimento (MoU) focado na ampliação do comércio e atração de investimentos. A cerimônia integrou a agenda da Missão Empresarial da Índia no Brasil e coroa um momento histórico: a relação comercial entre os países registrou um crescimento de 82% nos últimos anos, atingindo um fluxo bilateral de US$ 15,2 bilhões em 2025.

O acordo cria um "guarda-chuva institucional" para o intercâmbio de inteligência de mercado e o fomento direto à internacionalização de empresas de ambos os países. "Vemos um crescimento nas exportações desde 2025, quando batemos um recorde com salto de 25%. Este ano demonstra que seguimos no mesmo caminho", destacou Maria Paula Velloso, diretora de Negócios da ApexBrasil. Ela lembrou que a Agência mantém um escritório físico em Nova Déli desde fevereiro de 2026, fruto de uma missão presidencial à Ásia. "É uma cooperação ganha-ganha, já que há complementariedade entre as duas nações."

Até julho de 2026, as exportações brasileiras para o país asiático somaram US$ 5,9 bilhões. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, enfatizou que o Brasil deve fechar o ano com saldo comercial recorde de US$ 90 bilhões e celebrou os resultados com a Índia.

O ministro contextualizou a parceria como parte da diretriz federal de diversificação de mercados, política que permitiu a ampliação das vendas externas para 57 países, com crescimento médio de 10,5%. Ele também confirmou que os governos estão em tratativas para expandir o Acordo de Comércio Preferencial (ACP) Mercosul-Índia, que hoje abrange 450 linhas tarifárias. "É preciso ampliar e intensificar. Ainda hoje há uma reunião com a embaixada, e amanhã haverá uma reunião entre a secretária de Comércio Exterior do Brasil, Tatiana Prazeres, e a representação política indiana para discutir a convergência regulatória", adiantou o ministro.

O alinhamento das oportunidades de investimento aos eixos da Nova Indústria Brasil (NIB) foi outro ponto focal da agenda. O governo brasileiro apresentou as vantagens competitivas do país, como a matriz energética de fontes renováveis (84%) e o forte mercado interno.

Entre as áreas com maior potencial para atração de capital indiano, o Complexo Econômico-Industrial da Saúde ganhou destaque. O governo aposta na convergência regulatória e no atrativo do mercado cativo do Sistema Único de Saúde (SUS), que atende atualmente 200 milhões de pessoas, para atrair investimentos e parcerias com o setor farmacêutico e de equipamentos da Índia.

O setor de minerais críticos também foi abordado, com foco na agregação de valor nacional. A abordagem reforça o acordo setorial assinado entre os dois países em fevereiro. Ao comentar o tema, o ministro Márcio Elias defendeu a organização do setor: "A existência de uma regulação só vai ajudar. O que pode atrapalhar é a permissividade para a exploração sem ganho para o país".

A pauta de sustentabilidade e transição energética também centralizou os debates, com oportunidades voltadas à bioenergia, biocombustíveis e economia circular. Reafirmando as credenciais ambientais brasileiras, o titular do MDIC exemplificou o potencial verde da indústria nacional: "Uma bateria elétrica, se produzida no Brasil, emitiria 70% menos gases de efeito estufa".

Visão indiana: etanol e BRICS

Pelo lado da delegação, a comitiva ressaltou que as prioridades indianas acompanham as demandas industriais brasileiras. "Acreditamos que há muitas áreas em que a Índia e o Brasil podem cooperar. Compartilhamos uma paixão pelo etanol para transporte, e acreditamos que há muitas outras oportunidades no setor automotivo e de maquinário industrial", afirmou Alok Sanjay Kirloskar, co-presidente da delegação indiana e diretor da Kirloskar Brothers Limited (KBL). O executivo complementou que a integração via BRICS abre vastas possibilidades conjuntas, especialmente no setor financeiro.

FUP Explica

O MoU entre ApexBrasil e CII é, na prática, uma estrutura formal para que empresas dos dois países troquem informação de mercado e encontrem parceiros com respaldo institucional, o que reduz o custo de entrada para quem quer exportar ou investir em qualquer uma das duas direções. O crescimento de 82% no fluxo bilateral e o recorde de exportações em 2025 mostram que a relação já vinha aquecida antes do acordo, e o MoU tende a acelerar esse ritmo ao dar previsibilidade e um canal oficial de articulação.

No plano comercial, o ponto mais relevante é a sinalização de expansão do ACP Mercosul-Índia, que hoje cobre apenas 450 linhas tarifárias. Se as negociações avançarem, exportadores e importadores de ambos os blocos podem ganhar acesso preferencial a uma gama muito maior de produtos, o que altera cálculos de competitividade e planejamento de fornecimento. A reunião prevista entre Tatiana Prazeres e a representação indiana indica que o processo está em fase ativa, mas convergência regulatória costuma ser lenta e sujeita a impasses setoriais.

No campo do investimento, a aposta brasileira no Complexo Econômico-Industrial da Saúde e nos minerais críticos é calculada: a Índia tem indústria farmacêutica robusta e interesse declarado em insumos para a transição energética, e o Brasil oferece mercado cativo via SUS e reservas minerais. O risco, apontado pelo próprio ministro, é a exploração sem agregação de valor local, o que torna a regulação do setor de minerais críticos uma variável decisiva para o resultado concreto dessas parcerias.

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