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Ataques ucranianos a navios-tanque somam 159 embarcações desde julho
Conflitos

Ataques ucranianos a navios-tanque somam 159 embarcações desde julho

20/07/2026·563 palavras
Operações do Consórcio do Oleoduto do Cáspio foram suspensas após ataques com drones a três navios-tanque no terminal offshore, incluindo incêndio a bordo do navio *Asia* operado para a Chevron.

Três navios-tanque foram atingidos por drones durante operações de carregamento no terminal offshore do oleoduto do Cáspio, forçando a suspensão temporária das operações do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC) e acendendo um alerta para o mercado global de energia. Os ataques ocorreram em dois dias consecutivos e representam o quinto episódio do tipo contra a infraestrutura, segundo autoridades cazaques, que classificaram os incidentes como "pura agressão" contra uma instalação de caráter exclusivamente civil.

Ataques ao oleoduto do Cáspio: o que aconteceu

No primeiro dia, dois navios foram atingidos enquanto realizavam carregamento nas boias do terminal. O Asia (163.111 dwt), gerenciado pela Dynacom para a Chevron e registrado na Libéria, sofreu incêndio a bordo — controlado pela tripulação com apoio das equipes de emergência do CPC. O segundo navio atingido foi o Nissos Ios (157.447 dwt), de propriedade grega e registrado nas Ilhas Marshall, com o carregamento suspenso por algumas horas para avaliação de danos.

No dia seguinte, após a retomada das operações, um terceiro navio foi atingido: o Nelsa (156.760 dwt), registrado em Camarões e sancionado pelo Reino Unido e pela União Europeia por seu papel no comércio de petróleo russo. O incêndio resultante foi mais grave, forçando a evacuação dos 22 tripulantes para rebocadores do CPC. O controle das chamas levou várias horas. Ainda ao final da semana anterior, o Nordic Zenith (158.645 dwt), de propriedade norueguesa, havia sido atingido enquanto se aproximava do terminal próximo a Novorossiysk, navegando em lastro.

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Peso estratégico do CPC e a pressão ucraniana

O CPC não é uma rota qualquer. A infraestrutura percorre quase mil milhas transportando petróleo de três campos cazaques até o Mar Negro e responde por aproximadamente 2% do fornecimento mundial de petróleo. Entre seus participantes estão Chevron, ExxonMobil, Eni e Shell, com 75% do volume exportado por embarcadores estrangeiros. Em 2025, os volumes exportados somaram cerca de 70,5 milhões de toneladas.

Os ataques se inserem na estratégia ucraniana de pressionar a infraestrutura energética russa. Desde o início de julho, comandantes militares ucranianos reportaram que 159 embarcações foram atingidas — 117 no Mar de Azov e 42 no Mar Negro. O objetivo declarado é cortar suprimentos à Crimeia ocupada e pressionar as exportações russas de petróleo. O Cazaquistão, por sua vez, reiterou que não é parte de nenhum conflito armado e que os navios possuíam todas as autorizações e dispositivos de identificação exigidos, apelando a parceiros internacionais por medidas conjuntas de proteção à infraestrutura energética.

Impactos

A escalada de ataques no Mar Negro tende a elevar as taxas de seguro de guerra para embarcações que operam ou transitam pela região. Armadores com rotas próximas podem revisar surcharges e condições contratuais, o que repercute diretamente nos custos de importadores e exportadores brasileiros com contratos atrelados a commodities energéticas. Com navios sendo atingidos e operações suspensas, há risco de redução da disponibilidade de navios-tanque dispostos a operar na região, pressionando fretes e prazos de entrega.

O caso do Nelsa também acende um alerta regulatório: o navio estava sob sanções do Reino Unido e da União Europeia. Isso reforça a necessidade de verificação rigorosa das listas de sanções internacionais ao contratar espaço em navios-tanque ou ao realizar operações de trading de petróleo. Empresas brasileiras com contratos de fornecimento indexados a preços de petróleo cazaque ou com cláusulas de força maior devem revisar suas posições contratuais diante da instabilidade operacional crescente no terminal.

FUP Explica

O CPC responde por cerca de 2% do fornecimento mundial de petróleo, o que significa que qualquer interrupção prolongada nas operações do terminal tem potencial de pressionar as cotações do Brent — e, por consequência, os custos de importação de combustíveis, petroquímicos e insumos energointensivos no Brasil. Mesmo que as suspensões sejam temporárias, o padrão crescente de ataques (este já é o quinto episódio) tende a ser precificado pelo mercado como risco estrutural, não pontual.

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