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Ataques houthis atingem aeroportos e obrigam desvio de voo comercial no Iêmen
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Ataques houthis atingem aeroportos e obrigam desvio de voo comercial no Iêmen

07/10/2026·653 palavras

Ofensiva com mísseis e drones alcança terminais no Iêmen e na Arábia Saudita, enquanto avanço dos combates aumenta tensão no entorno de Bab el-Mandeb

Um míssil lançado durante um ataque houthi caiu próximo à pista do Aeroporto Internacional de Aden, no Iêmen, minutos antes de um voo procedente do Cairo pousar nesta quarta-feira (7), obrigando as autoridades a cancelar a aterrissagem e desviar a aeronave para Jeddah, na Arábia Saudita. A ofensiva, realizada com mísseis balísticos e drones carregados de explosivos, faz parte de uma sequência de ataques que também atingiu aeroportos sauditas nos últimos dias, enquanto os confrontos entre os houthis e forças apoiadas por Riad se intensificam no entorno do estreito de Bab el-Mandeb.

Segundo a Reuters, além de desviar o voo que chegaria do Cairo, as autoridades retiraram dois aviões que estavam na pista do Aeroporto Internacional de Aden diante do risco de novos ataques. Não houve informação imediata sobre vítimas. O terminal é a principal porta de entrada internacional das regiões do Iêmen que permanecem fora do controle dos houthis, que dominam grande parte do norte do país.

Os ataques contra aeroportos não ficaram restritos ao território iemenita. Na segunda-feira (5), os terminais de Najran e Jizan, na Arábia Saudita, foram atingidos, deixando três pessoas levemente feridas e causando danos às instalações. De acordo com a Associated Press, as ocorrências aconteceram depois que os houthis anunciaram disparos de mísseis e drones contra o reino. O grupo também afirmou ter lançado armamentos em direção ao Aeroporto Internacional de Abha, embora as autoridades sauditas não tenham confirmado imediatamente que o terminal foi atingido.

A sequência continuou nesta quarta-feira. O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, afirmou que vários drones foram direcionados ao Aeroporto Internacional King Khalid, em Riad, enquanto o grupo também reivindicou ataques com mísseis e drones contra Abha e uma base aérea em Khamis Mushait. A coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado um míssil balístico ao norte da capital e outro lançado em direção a Khamis Mushait. Nem todas as ofensivas anunciadas pelos houthis foram confirmadas pelas autoridades sauditas.

A intensificação dos ataques ocorre ao mesmo tempo em que uma nova frente terrestre ganha força no Iêmen. Forças ligadas ao governo internacionalmente reconhecido do país, apoiadas por ataques aéreos da coalizão saudita, lançaram uma contraofensiva para recuperar áreas tomadas pelos houthis em setembro. Os confrontos estão concentrados em Dhubab e em regiões próximas a Mocha, no entorno de Bab el-Mandeb.

A disputa por esse território aumenta a dimensão econômica do conflito. Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra uma das principais rotas utilizadas por navios entre Ásia, Oriente Médio e Europa. A passagem ganhou ainda mais peso depois que o conflito entre Estados Unidos e Irã restringiu o comércio pelo Estreito de Ormuz, mantendo o tráfego marítimo na região abaixo dos níveis anteriores à guerra.

A instabilidade também alcança diretamente a navegação. Um navio-tanque que deixava o Estreito de Ormuz foi atingido na segunda-feira por um projétil de origem desconhecida, segundo militares britânicos. Não houve relatos imediatos de vítimas ou impacto ambiental. Apesar de o Irã já não manter um bloqueio quase completo da passagem, o risco de novos ataques continua reduzindo o movimento de embarcações.

Os novos confrontos reacendem uma guerra que atravessa mais de uma década. Os houthis tomaram Sanaa, capital do Iêmen, em 2014, levando uma coalizão liderada pela Arábia Saudita a intervir militarmente no ano seguinte em apoio ao governo iemenita. Uma trégua mediada pela ONU, em 2022, reduziu os combates mais intensos, mas não resultou em um acordo político definitivo.

Agora, a combinação entre ataques a aeroportos, retomada dos confrontos terrestres e instabilidade nas rotas marítimas mostra como os efeitos do conflito regional avançam sobre infraestruturas civis e corredores internacionais de transporte. O episódio em Aden, com um míssil atingindo as proximidades da pista pouco antes da chegada de um voo comercial, evidencia esse novo nível de risco.

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O episódio em Aden não é um incidente isolado: é o sinal mais claro até agora de que os houthis estão dispostos a atacar infraestrutura civil de aviação em operação, com voos comerciais no ar. Isso muda o cálculo de risco para companhias aéreas que operam rotas para o Iêmen e para a Arábia Saudita, e pode pressionar seguradoras a elevar prêmios ou restringir cobertura para voos na região, o que tende a encarecer ou reduzir a oferta de rotas.

No plano político, a escalada complica qualquer perspectiva de retomada de negociações. A trégua de 2022 mediada pela ONU já estava fragilizada, e a contraofensiva terrestre em torno de Bab el-Mandeb, combinada com os ataques a terminais sauditas, aprofunda o impasse. A Arábia Saudita dificilmente aceita sentar à mesa enquanto seus aeroportos são alvejados, e os houthis usam exatamente essa pressão como moeda de barganha.

Para o comércio marítimo internacional, o ponto mais sensível segue sendo Bab el-Mandeb. Com o Estreito de Ormuz operando abaixo do normal por causa do conflito entre Estados Unidos e Irã, qualquer nova perturbação nessa passagem reduz ainda mais as alternativas de rota entre Ásia, Oriente Médio e Europa. O ataque ao navio-tanque perto de Ormuz na segunda-feira reforça que a instabilidade não está confinada a um único ponto: ela se espalha por toda a região, e armadores e operadores de comex precisam monitorar os dois estreitos ao mesmo tempo.

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