
Ataque Houthi mata seis e eleva risco para navegação comercial no Mar Vermelho
Ataque huti contra navio no estreito de Bab el-Mandeb resulta em morte de quatro tripulantes, reforçando riscos geopolíticos e de segurança em rota crítica do comércio marítimo internacional.
Um ataque Houthi contra o cargueiro egípcio Tihamah no estreito de Bab el-Mandeb, nesta terça-feira (11), resultou na morte de pelo menos quatro tripulantes e dois membros de equipes de resgate, totalizando seis mortos, conforme apurado pela Reuters. O incidente é apontado pelo Infobae como o primeiro fatal em ataques Houthis contra a navegação comercial desde o colapso de uma trégua apoiada pela ONU em 2022.
Os rebeldes dispararam três mísseis balísticos contra o Tihamah enquanto a embarcação estava ancorada ao nordeste da ilha de Perim, no Iêmen. O impacto provocou um incêndio a bordo e a tripulação perdeu o controle do navio. Quando equipes de resgate chegaram ao local, os Houthis voltaram a atacar, atingindo também os socorristas.
O Ministério de Transportes do Iêmen confirmou a morte de quatro tripulantes: três paquistaneses e um indonésio. O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão também confirmou a morte dos três cidadãos paquistaneses. Os dois mortos adicionais eram integrantes das Forças de Resistência Nacional (NRF), uma facção anti houthis que participou do resgate. Uma fonte do governo iemenita baseada em Mokha elevou o saldo a cinco mortos a bordo do Tihamah, segundo o Infobae, divergindo da contagem do Ministério de Transportes. Dez pessoas ficaram feridas: sete tripulantes, dois membros da Guarda Costeira e um integrante das NRF.
A Operação de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), agência vinculada à Marinha britânica, registrou o incidente e informou que o navio foi atingido por um projétil não identificado. Os Houthis confirmaram o ataque, alegando que a embarcação transportava equipamento militar saudita, mas não revelaram o nome do navio.
A Ambrey, por sua vez, esclareceu que o Tihamah não era de propriedade nem de operação saudita e havia partido do porto de Al Moka, controlado pelo governo iemenita, no sábado anterior. Dados da LSEG apontam empresas egípcias como proprietárias e administradoras da embarcação, que transportava suprimentos alimentares.
Contexto do bloqueio e tráfego no estreito
O ataque ocorre no âmbito de uma escalada iniciada em 20 de julho, quando os Houthis, apoiados pelo Irã, anunciaram um embargo marítimo contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho, em resposta ao que classificam como um cerco saudita ao Iêmen. Riad nega a acusação.
O tráfego pelo estreito de Bab el-Mandeb e pelo Mar Vermelho recuou mais de 50% desde a onda anterior de ataques, entre 2023 e 2025, e caiu ainda mais após o anúncio do bloqueio em julho. Dados da Kpler citados pelo Portal Portuario mostram que, na semana anterior ao incidente, transitavam pelo estreito em média 32 navios por dia, ante uma média de 50 registrada antes do bloqueio. No Estreito de Ormuz, apenas seis navios transitaram na segunda-feira, 10 de agosto.
No mesmo dia do ataque ao Tihamah, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) disparou dois mísseis Hellfire contra o porta-contêineres Vela Nova, de bandeira panamenha, que navegava pelo Golfo de Omã em direção a um porto iraniano, inutilizando seu sistema de governo. O navio ignorou advertências reiteradas para deixar de violar o bloqueio naval imposto aos portos iranianos. Trata-se da décima segunda embarcação atacada por forças americanas desde o anúncio do bloqueio em abril e a terceira desde sua reimposição em 14 de julho.
FUP Explica
O ataque ao Tihamah sinaliza uma mudança de patamar na crise do Mar Vermelho: até aqui, os incidentes com vítimas fatais eram exceção. Com seis mortos confirmados, incluindo socorristas atingidos num segundo ataque enquanto tentavam resgatar a tripulação, o episódio eleva o custo humano do conflito e tende a pressionar armadores e seguradoras a reavaliar rotas e prêmios de risco para a região.
O dado da Kpler é revelador: de 50 navios por dia antes do bloqueio para 32 na semana do ataque. Essa retração já era expressiva, mas um incidente com mortes confirmadas, envolvendo um cargueiro de suprimentos alimentares sem qualquer vínculo com a Arábia Saudita, reforça a percepção de que nenhuma embarcação está segura na rota, independentemente de carga ou bandeira. Isso tende a aprofundar o desvio de tráfego pelo Cabo da Boa Esperança, com impacto direto em tempo de trânsito e custo de frete para rotas entre Ásia, Europa e costa leste da América.
No plano geopolítico, a simultaneidade com a ação americana contra o Vela Nova no Golfo de Omã mostra que a pressão militar sobre rotas iranianas e huti está se intensificando em duas frentes ao mesmo tempo. O risco é de escalada: quanto mais os EUA e forças antihuti respondem com força, maior a chance de os hutis ampliarem o escopo dos alvos, como já fizeram ao atacar os próprios socorristas. Para o Iêmen, o colapso da trégua de 2022 e o novo bloqueio saudita fecham o cerco sobre uma população que depende de importações de alimentos, e o fato de o Tihamah transportar suprimentos alimentares torna o episódio ainda mais grave do ponto de vista humanitário.
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