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ApexBrasil lança plano de R$ 210 milhões para apoiar exportadores afetados por tarifas dos EUA
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) apresentou na terça-feira (11), em São Paulo, o Plano de Diversificação de Exportações. A iniciativa conta com investimento total de R$ 210 milhões e tem o objetivo de mitigar as perdas do setor produtivo brasileiro diante das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos.
O plano foi detalhado pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, em reunião com lideranças de mais de 30 entidades de setores produtivos do país. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), cerca de 5.600 empresas brasileiras foram diretamente afetadas pelas novas barreiras comerciais americanas. Com a nova iniciativa, a ApexBrasil estima atender até 5.300 dessas empresas, distribuídas em 35 setores prioritários, abrangendo desde o agronegócio até a indústria de transformação, higiene, máquinas e equipamentos.
"Queremos diversificar mercados. Temos 36 mercados prioritários nos quais vamos atuar. E como fazemos isso? Levando oportunidades para que essas empresas possam fechar novos negócios e encontrar novos caminhos. É uma ação extraordinária que a agência nunca fez, porque também nunca vivemos um momento tão extraordinário no comércio internacional", afirmou Müller.
A busca por mercados alternativos não significa retração nos esforços voltados aos Estados Unidos. "Nós não vamos substituir o mercado americano, vamos continuar trabalhando nos Estados Unidos, o país é um mercado importante. Mas o nosso foco agora é a diversificação, oferecer apoio e socorro às empresas impactadas para minimizar os riscos", explicou o presidente.
A estratégia se divide em duas frentes: a atuação em parceria com entidades setoriais, que promoverá mais de 300 ações, e a atuação direta, pela qual a ApexBrasil oferecerá atendimento individualizado para até 4.700 empresas. Esse apoio direto é dividido nas seguintes modalidades, com isenção de taxas de participação para as empresas afetadas pelo tarifaço:
reuniões de negócios (2.300 vagas): conexão comercial direta com compradores internacionais, em encontros presenciais e virtuais; feiras internacionais (1.400 vagas): participação em feiras de setores impactados, com foco em mercados alternativos; consultoria especializada (1.200 empresas): atendimento individual e gratuito voltado à atuação em novos mercados; bolsa exportação (1.000 vagas): apoio financeiro direto distribuído ao longo dos próximos 12 meses.
As inscrições para o Plano de Diversificação de Exportações começaram na quarta-feira (12). As empresas podem ingressar no programa pelo site oficial da ApexBrasil ou por meio das 29 entidades setoriais parceiras, que também farão a ponte com seus associados.
Ao acessar o link no site da ApexBrasil, a empresa precisa identificar-se e confirmar que é exportadora para os EUA e foi impactada pelas tarifas, informar o código SH do seu produto e indicar sua demanda, como o desejo de participar de uma feira internacional específica, a necessidade de adequar certificações para um determinado mercado ou a busca por compradores em novos países. A partir do preenchimento, o sistema de inteligência da ApexBrasil cruza imediatamente a demanda do produto com a rede da agência, aciona os escritórios internacionais e conecta a empresa brasileira com uma base de mais de 2.000 compradores estrangeiros parceiros.
As ações de promoção comercial em mercados alternativos, como Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Indonésia, Índia e China, foram distribuídas para absorver os diferentes perfis de produtos: América Latina (85 ações), Europa (77 ações), Ásia (46 ações), Canadá e México (23 ações), África (16 ações) e Oriente Médio (11 ações).
Com o setor exportador aquecido, o Brasil registrou exportações de US$ 220 bilhões no semestre e o melhor mês de julho da história. Ainda assim, a ApexBrasil aposta na adaptabilidade do empresariado brasileiro para enfrentar o cenário atual. "Temos empresas sofrendo impactos muito diferentes. Algumas não têm como escoar os produtos, enquanto outras, cerca de 72% das que estiveram conosco no último ano e exportaram para os EUA, diversificaram suas exportações. Vamos trabalhar setor a setor, empresa a empresa. É um esforço extraordinário, junto com os nossos parceiros, para defender e proteger as empresas brasileiras afetadas e, principalmente, para mostrar novos caminhos e novos mercados para que elas possam fechar novos negócios", concluiu Müller.
Fonte: ApexBrasil
FUP Explica
O Plano de Diversificação de Exportações da ApexBrasil é uma resposta direta a uma pressão externa concreta: as tarifas americanas afetaram cerca de 5.600 empresas brasileiras, segundo a Secex/MDIC, e o governo optou por reagir com um pacote de apoio à reconversão de mercados em vez de esperar por uma solução diplomática. Isso tem peso político relevante, porque sinaliza que o Brasil não está apostando numa reversão rápida das barreiras americanas e prefere agir no que pode controlar, ou seja, a capilaridade da promoção comercial.
Do ponto de vista econômico, R$ 210 milhões é um volume expressivo para uma agência de promoção, e a isenção de taxas para as empresas afetadas reduz a barreira de entrada, especialmente para exportadores menores que dificilmente bancariam sozinhos a participação em feiras internacionais ou consultorias especializadas. O dado de que 72% das empresas que exportaram para os EUA no último ano já diversificaram destinos sugere que parte do trabalho de base existe, mas que o terço restante, provavelmente mais dependente do mercado americano, é o núcleo duro do problema. Para essas, a bolsa exportação e a consultoria individualizada tendem a ser os instrumentos mais críticos.
Para operadores de comércio exterior, o ponto prático mais imediato é o mecanismo de inscrição via código SH: o sistema cruza o produto com a rede de compradores da agência automaticamente, o que pode acelerar a identificação de oportunidades em mercados que muitas empresas nunca mapearam. A distribuição das ações por região, com peso maior na América Latina e na Europa, reflete tanto a proximidade logística quanto a maturidade das relações comerciais brasileiras nesses destinos. Oriente Médio e África aparecem com menos ações, o que indica que a agência está priorizando mercados onde a conversão de negócios tende a ser mais rápida, mesmo que o potencial de longo prazo nessas regiões seja relevante.
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