Marítimo

Fretes marítimos sobem 2% e atingem maior nível desde set/20

Portal Portuário·10/07/2026·514 palavras
Índice Drewry World Container Index subiu 2% na semana, para US$ 4.639 por contêiner de 40 pés — maior patamar desde setembro de 2024, puxado pela rota Ásia-Europa. Mesmo evento do item do Container News abaixo, reportado por outro veículo.

Os fretes marítimos globais voltaram a subir na última semana. O Drewry World Container Index (WCI) avançou 2% e alcançou US$ 4.639 por contêiner de 40 pés — o patamar mais elevado desde setembro de 2024. O movimento confirma uma trajetória de forte valorização que, em comparação com os níveis anteriores registrados pelo índice, entre US$ 1.957 e US$ 2.182, representa mais que o dobro do valor em poucos meses.

Fretes marítimos em alta nas rotas Ásia-Europa e Transpacífico

Na rota Ásia-Europa, os destaques ficaram com Xangai para Roterdã, que subiu 5% e chegou a US$ 4.933 por contêiner de 40 pés, e Xangai para Gênova, com alta de 2% e US$ 6.463. A CMA CGM anunciou tarifas FAK (Freight All Kinds) de US$ 7.000 por contêiner de 40 pés para Ásia-Europa e entre US$ 7.900 e US$ 8.500 para Ásia-Mediterrâneo, com vigência a partir de 15 de julho.

No Transpacífico, a rota Xangai-Los Angeles subiu 2%, atingindo US$ 6.482, enquanto Xangai-Nova York se manteve estável em US$ 7.904. Algumas armadoras anunciaram GRI (General Rate Increase) de US$ 2.000 a US$ 3.000 por contêiner de 40 pés, também com início em 15 de julho. O número de saídas canceladas permanece baixo — apenas três no Transpacífico e quatro na Ásia-Europa —, o que indica capacidade ajustada e pouca folga para absorver demanda adicional.

Geopolítica e sazonalidade antecipada pressionam os preços

Três fatores explicam a alta atual. O primeiro é a tensão geopolítica: as relações entre Estados Unidos e Irã reacenderam a preocupação com a segurança no Estreito de Ormuz, forçando desvios de rota, elevando custos de combustível bunker e reduzindo a oferta efetiva de espaço nas principais rotas mundiais.

O segundo fator é a sazonalidade antecipada. A demanda do segundo semestre, que historicamente se concentra entre agosto e outubro, começou a pressionar a capacidade disponível antes do esperado, puxando as tarifas spot para cima em múltiplas rotas. O terceiro fator é a estratégia das próprias armadoras, que aplicam recargos e tarifas FAK mais elevadas para sustentar os fretes em patamares rentáveis.

A Drewry projeta que as tarifas permanecerão firmes nas próximas semanas, mesmo com alguma moderação esperada no pico de demanda entre o final de julho e o início de agosto.

Impacto direto nas operações brasileiras de comex

Para os operadores brasileiros, o cenário se traduz em cotações significativamente mais altas do que as praticadas no primeiro trimestre do ano para embarques originados na Ásia. Em alguns casos, fretes para contêineres de 40 pés se aproximam ou ultrapassam a faixa de US$ 8.000 a US$ 10.000, dependendo de origem, armador, disponibilidade de espaço e data de embarque.

Com os reajustes de 15 de julho se aproximando, o planejamento antecipado de reservas de espaço e o monitoramento constante das tarifas spot tornam-se ainda mais críticos. Contratos de fornecimento e precificação que não contemplem essa volatilidade tendem a gerar desequilíbrios nos custos logísticos ao longo do segundo semestre. O frete marítimo voltou a ocupar posição importante na composição dos custos das operações de importação e exportação, e ignorar esse movimento pode sair caro.

FUP Explica

O que chama atenção nessa alta não é só o número em si, mas a velocidade com que o WCI saiu de menos de US$ 2.000 para quase US$ 4.700 em poucos meses. Isso significa que qualquer operação de importação fechada com base nas tarifas do início do ano está, provavelmente, fora da realidade atual, e quem não revisou contratos de fornecimento ou não incluiu cláusulas de reajuste de frete está absorvendo esse custo no próprio bolso.

O anúncio de GRIs e tarifas FAK com vigência a partir de 15 de julho cria uma janela curta para quem ainda consegue antecipar embarques ou garantir espaço nas condições atuais — que já são altas, mas podem subir mais. A combinação de saídas canceladas baixas com demanda aquecida e tensão geopolítica no Estreito de Ormuz é exatamente o tipo de cenário que as armadoras usam para justificar e sustentar reajustes. A volatilidade projetada para o segundo semestre sugere que esse não é um pico passageiro, mas um novo patamar de referência pelo qual o planejamento logístico precisa ser calibrado.

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