Estreito de Ormuz quase paralisa após retomada de ataques EU
Tráfego marítimo no Estreito de Ormuz volta a paralisar quase completamente após retomada de ataques entre EUA e Irã, com apenas 34 transitos diários de navios de carga nos últimos 21 dias. Impacto crítico nas rotas de comércio internacional e frete marítimo global, com precedente editorial na FUP.
O Estreito de Ormuz voltou a operar em níveis críticos após a ruptura do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, com apenas 21 cargueiros cruzando o corredor energético mais importante do planeta na última quarta-feira. O presidente Donald Trump declarou oficialmente o fim da trégua depois de ataques iranianos a embarcações no estreito, incluindo um petroleiro saudita danificado e um cargueiro de GNL do Qatar em risco de explosão.
Estreito de Ormuz em colapso operacional
Os dados da plataforma de rastreamento Kpler mostram a dimensão do recuo. Durante as três semanas de trégua, a média diária de trânsitos chegou a 34 navios, com pico de 59 passagens em 24 de junho. Com a retomada dos ataques, esse número caiu para menos de 20 embarcações por dia na maioria das jornadas de guerra ativa, e a última quarta-feira registrou apenas 21 trânsitos, um dos menores fluxos desde o acordo interino.
O Joint Maritime Information Center (JMIC) confirmou que o tráfego na terça e quarta-feira operou em "níveis reduzidos" e elevou o nível de ameaça para o status "severo", o mais alto desde meados de junho. O alerta inclui vigilância extrema, presença naval intensificada e abordagens mais frequentes pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Sinais de alerta que complicam o rastreamento
Além da queda no volume de trânsitos, três fenômenos operacionais agravam o cenário. O primeiro é o chamado dark shipping: com três ataques a grandes petroleiros e cargueiros de GNL registrados na semana, embarcações voltaram a navegar com transponders desligados para reduzir o risco de ataque iraniano.
Na quinta-feira, um superpetroleiro de bandeira indiana e um graneleiro dos Emirados Árabes Unidos foram detectados no Golfo de Omã após desligarem seus sinais dentro do Golfo Pérsico. O problema é que dados sobre esses trânsitos "no escuro" levam dias para emergir.
O segundo fenômeno é a interferência eletrônica em sistemas de navegação (GPS spoofing), com embarcações aparecendo nos sistemas de rastreamento com velocidades anormalmente elevadas ao sudeste de Limah, em Omã. Isso pode indicar ativação de sistemas de defesa contra drones, com efeito colateral sobre os transponders das embarcações.
Por fim, pelo menos nove supertankers vazios, com capacidade combinada superior a 18 milhões de barris, estão ancorados ao largo do Paquistão. Ao menos seis deles estão sob sanções americanas e estavam previamente envolvidos em transferências ligadas a petróleo russo, iraniano ou venezuelano.
Impacto direto nos fretes e nas importações brasileiras
Seguradores marítimos de Londres reportaram queda nas consultas para travessias do estreito e aumento nos custos de cobertura. A Maersk, barômetro do comércio internacional, havia suspendido travessias pelo Estreito de Ormuz e redirecionado embarcações pelo Cabo da Boa Esperança, rota que adiciona tempo e custo significativos às operações.
As saídas de cargueiros de GNL pelo estreito permanecem praticamente paralisadas, com apenas uma embarcação vazia entrando no Golfo Pérsico. Para o Brasil, qualquer bloqueio prolongado pressiona preços de energia, eleva custos de frete e gera atrasos de abastecimento com repercussões diretas para importadores de petróleo, derivados, fertilizantes e produtos petroquímicos oriundos do Golfo Pérsico.
FUP Explica
O cessar-fogo entre EUA e Irã acabou, e o Estreito de Ormuz voltou ao caos. Isso significa que carregamentos de petróleo, GNL e petroquímicos que passam por ali estão atrasados ou sendo redirecionados pelo Cabo da Boa Esperança, o que adiciona semanas ao prazo e custo ao frete. Para completar, o fato de que as embarcações estejam navegando com transponders desligados para fugir dos ataques, dificulta o rastreamento em tempo real das cargas.
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