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38% dos trabalhadores eliminariam a IA generativa se pudessem
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38% dos trabalhadores eliminariam a IA generativa se pudessem

30/07/2026·346 palavras

De acordo com um estudo publicado pela Adaptavist em 27 de julho de 2026, cresce o descontentamento entre os profissionais que usam IA generativa no trabalho no dia a dia.

A pesquisa, realizada com 2.500 trabalhadores na Alemanha, Canadá, Espanha, Estados Unidos e Reino Unido, constatou que 65% sentem saudades recorrentes da dinâmica de trabalho anterior à chegada dessas tecnologias. Além disso, 38% dos entrevistados admitiram que deletariam a IA por completo se pudessem.

Essa rejeição é superior entre as gerações mais novas: 40% dos Millennials e da Geração Z gostariam de banir a ferramenta, superando os 32% da Geração X e os 29% dos Baby Boomers. O dado chama a atenção porque o público jovem costuma ser apontado como o mais receptivo a inovações tecnológicas.

O principal fator para esse descontentamento é a sensação de sobrecarga provocada pela tecnologia. Cerca de 42% dos participantes revelaram que demandam mais tempo revisando e ajustando as entregas feitas pela IA do que poupam ao utilizá-la.

Praticamente metade afirmou que o fluxo de conteúdos de baixa qualidade gerados por IA torna as atividades diárias mais repetitivas e com menor propósito, enquanto 55% avaliam que o rendimento geral dos times tem sido prejudicado.

Para Neal Riley, líder de inovação em IA da Adaptavist, esse cenário evidencia uma falha comum nas estratégias corporativas de adoção tecnológica. Ele argumenta que as lideranças acham mais fácil monitorar indicadores superficiais, como a quantidade de usuários ativos e a frequência de uso, em vez de avaliar com precisão os reais reflexos da ferramenta na qualidade do produto final.

Há ainda uma forte cobrança psicológica: 50% dos trabalhadores acreditam que suas entregas são avaliadas sob o mesmo parâmetro dos resultados gerados por algoritmos, e 25% disseram que usam a tecnologia apenas para tentar dar conta da alta demanda de obrigações.

Esse receio vinha se desenhando em um levantamento anterior feito pela mesma consultoria em junho, o qual indicou que um terço dos profissionais do conhecimento cogita migrar de carreira por medo da IA, com um quarto deles pretendendo mudar especificamente para setores menos impactados pela automação.

FUP Explica

O que essa pesquisa revela não é simplesmente resistência à tecnologia, mas um problema de gestão: empresas estão medindo adoção de IA pelo volume de uso, não pelo resultado. Quando 42% dos trabalhadores dizem gastar mais tempo corrigindo entregas da IA do que economizam com ela, o ganho de produtividade prometido vira custo oculto, e esse custo recai sobre o trabalhador, não sobre o balanço da empresa.

Millennials e Geração Z são o público que as empresas de tecnologia usam como argumento de legitimidade para acelerar a adoção. Se esse grupo lidera a rejeição, a narrativa de que a resistência vem só de quem não se adaptou perde sustentação. Isso tende a pressionar empresas e governos a revisarem como medem o sucesso da automação, especialmente em contextos de regulação de IA que estão em discussão em vários países.

No médio prazo, o dado sobre migração de carreira é o que mais pesa socialmente: um terço dos profissionais do conhecimento cogitando mudar de área por medo da automação representa uma pressão real sobre mercados de trabalho que ainda não têm resposta clara sobre requalificação. Se as empresas não ajustarem a forma como implantam essas ferramentas, o resultado pode ser menos produtividade, não mais, combinado com aumento de rotatividade e queda de engajamento.

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