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Yuan atinge maior valor em mais de três anos antes de encontro entre Trump e Xi
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Yuan atinge maior valor em mais de três anos antes de encontro entre Trump e Xi

21/09/2026·644 palavras

Moeda chinesa avança frente ao dólar após o Banco Popular da China reduzir a resistência à valorização, às vésperas da cúpula entre os líderes dos Estados Unidos e da China.

O yuan chinês avançou nesta segunda-feira (21), para o nível mais forte em mais de três anos e meio frente ao dólar, depois que o Banco Popular da China (PBoC) sinalizou menor resistência à valorização da moeda às vésperas do encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. A movimentação ocorreu após autoridades dos dois países concluírem conversas preparatórias em Nova York no domingo.

Os mercados acompanham os sinais emitidos por Pequim durante as negociações econômicas e diplomáticas entre as duas maiores economias do mundo. Segundo a Reuters, o yuan chegou a 6,6950 por dólar no mercado doméstico, o patamar mais forte desde 16 de janeiro de 2023.

No fechamento da sessão doméstica, a moeda chinesa ficou em 6,6955 por dólar, registrando seu melhor encerramento desde 30 de junho de 2022.

No mercado offshore, o yuan era negociado a 6,6946 por dólar, com alta de aproximadamente 0,03% durante as operações asiáticas. Antes da abertura dos mercados, o PBoC fixou a taxa de referência diária em 6,7487 por dólar, a mais forte desde fevereiro de 2023. O valor ficou 536 pontos abaixo da estimativa calculada pela agência. O yuan à vista pode oscilar até 2% para cada lado em relação à taxa oficial.

A mudança chama atenção porque, durante quase um ano, o banco central chinês vinha definindo a referência oficial em níveis mais fracos do que as expectativas do mercado.

Traders e analistas interpretavam essa estratégia como uma forma de conter uma valorização mais rápida da moeda. Em setembro, porém, o ponto médio oficial passou a se fortalecer em ritmo mais acelerado, reduzindo a diferença em relação às projeções do mercado. O movimento foi visto como um sinal de que a autoridade monetária diminuiu a resistência a novos ganhos do yuan.

A valorização ocorre poucos dias antes da visita de Xi Jinping aos Estados Unidos, prevista entre 23 e 25 de setembro. Trump e Xi devem discutir temas como inteligência artificial, relações comerciais, cadeias de suprimentos e tensões no Oriente Médio. Antes da cúpula, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, encerraram no domingo uma rodada de negociações em Nova York que ajudou a preparar a agenda da reunião. Apesar da expectativa em torno das conversas, analistas não esperam avanços significativos nas negociações durante o encontro.

Para o Goldman Sachs, o fortalecimento da taxa de referência antes da cúpula está alinhado ao comportamento recente das autoridades chinesas e abre espaço para uma apreciação adicional no mercado offshore. A instituição avaliou que o encontro entre Trump e Xi pode contribuir para preservar uma relação comercial mais estável, permitindo que formuladores de política em Pequim se sintam mais confortáveis com uma valorização gradual da moeda.

O OCBC, no entanto, recomendou cautela ao interpretar o movimento como o início de um ciclo prolongado de alta do yuan. Segundo o banco, a diferença entre os rendimentos nos Estados Unidos e na China e os fundamentos ainda frágeis da economia chinesa indicam que parte da valorização recente pode refletir uma estratégia de estabilidade administrada em torno da cúpula, e não uma mudança estrutural no valor da moeda chinesa.

Enquanto isso, os mercados cambiais internacionais permaneceram relativamente estáveis nesta segunda-feira, depois de uma semana marcada por aumentos de juros em grandes economias.

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a seis divisas importantes, ficou em 100,23 pontos após avançar mais de 1% na semana anterior. Nesse ambiente, a trajetória do yuan permanece no radar dos investidores pelo impacto nas relações comerciais entre China e Estados Unidos. A moeda também pode oferecer sinais sobre a condução da política cambial de Pequim.

FUP Explica

O movimento do yuan diz mais sobre política do que sobre economia. O PBoC não muda a taxa de referência diária por acidente: quando o banco central deixa a moeda se valorizar às vésperas de uma cúpula de alto nível, está mandando um recado diplomático. A leitura mais direta é que Pequim quer chegar à mesa com Trump sem a acusação de manipulação cambial pendurada no pescoço, o que historicamente é um dos pontos de atrito mais recorrentes entre os dois países.

Do ponto de vista econômico, a divergência entre Goldman Sachs e OCBC resume bem a incerteza do momento. O Goldman vê espaço para apreciação adicional, apostando que a cúpula pode estabilizar a relação comercial e dar conforto a Pequim para deixar o yuan subir gradualmente. O OCBC lembra que os fundamentos da economia chinesa ainda são frágeis e que o diferencial de juros entre os dois países pesa contra o yuan, o que sugere que parte do movimento atual pode ser pontual, administrado para durar o tempo da visita de Xi e não necessariamente além dela. Para quem opera câmbio ou tem exposição a ativos denominados em yuan, essa distinção importa muito: valorização sustentada e valorização de vitrine têm consequências bem diferentes.

No plano das relações bilaterais, a agenda prevista para a cúpula, que inclui inteligência artificial, cadeias de suprimentos e tensões no Oriente Médio, é ampla demais para ser resolvida em dois dias, e os próprios analistas citados no texto não esperam avanços concretos. O risco real é que o encontro produza mais sinalização do que substância, e que o yuan volte a enfraquecer assim que a pressão diplomática do momento arrefecer.

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