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Venezuela negocia transferência de US$ 4 bilhões em ouro de Londres para Nova York
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Venezuela negocia transferência de US$ 4 bilhões em ouro de Londres para Nova York

18/09/2026·474 palavras

O governo da Venezuela e representantes da oposição estão próximos de um acordo para transferir reservas de ouro do Banco Central venezuelano, avaliadas em cerca de US$ 4 bilhões, do Banco da Inglaterra para o Federal Reserve Bank de Nova York, segundo reportagem do Financial Times divulgada nesta sexta-feira (18). As negociações envolvem cerca de 31 toneladas de ouro mantidas no banco central britânico.

Pela proposta em discussão, o governo interino liderado por Delcy Rodríguez obteria o controle legal sobre as reservas, mas não teria autorização para vender imediatamente o ouro. O metal poderia ser utilizado como garantia para a obtenção de empréstimos.

Parte dos recursos obtidos com esses empréstimos poderia financiar despesas públicas e a reconstrução de áreas atingidas por dois terremotos ocorridos na Venezuela em junho de 2026. No entanto, as negociações ainda não foram concluídas pois detalhes técnicos permanecem em discussão.

A disputa pelo controle das reservas remonta a 2019, quando Estados Unidos, Reino Unido e outros países reconheceram Juan Guaidó, então presidente da Assembleia Nacional, como chefe de Estado da Venezuela. Desde então, a oposição venezuelana passou a reivindicar o controle das barras armazenadas no Banco da Inglaterra, e a disputa chegou aos tribunais britânicos.

O Banco da Inglaterra manteve retidas cerca de 31 toneladas de ouro venezuelano durante esse período. Segundo a CNN Brasil, a instituição alegava não reconhecer a legitimidade do governo de Nicolás Maduro.

A disputa chegou à Suprema Corte do Reino Unido. Apesar das negociações atuais, o Banco da Inglaterra informou que não pode cumprir instruções sobre a movimentação das reservas enquanto uma nova decisão da Justiça britânica não determinar quem possui autoridade legal sobre a conta.

Em agosto de 2026, governo e oposição anunciaram que trabalhavam para desbloquear o acesso às 31 toneladas de ouro mantidas no Banco da Inglaterra. No mesmo período, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, afirmou que o país trabalhava para recuperar as reservas. Segundo a CNN Brasil, ele relacionou a iniciativa à tentativa de conter o avanço da inflação.

A negociação ocorre meses depois da operação conduzida pelos Estados Unidos que resultou na prisão de Nicolás Maduro, em janeiro de 2026. Segundo o G1, Washington reduziu parte das sanções econômicas impostas à Venezuela.

Em abril de 2026, o Fundo Monetário Internacional retomou relações oficiais com a Venezuela após sete anos, permitindo ao governo venezuelano acessar recursos mantidos junto à instituição.

O Federal Reserve Bank de Nova York, o Banco da Inglaterra e o Ministério das Relações Exteriores britânico não responderam imediatamente aos pedidos de comentário feitos pela Reuters fora do horário comercial. O governo venezuelano e representantes da oposição também não foram localizados pela agência para comentar a negociação.

A Reuters ressaltou que não havia conseguido verificar de forma independente a informação sobre a proximidade do acordo até a publicação de sua nota em 18 de setembro.

FUP Explica

O acordo em negociação tem dimensões políticas, financeiras e diplomáticas que se entrelaçam. Do ponto de vista político, a transferência das reservas para o Federal Reserve de Nova York, sob jurisdição americana, seria um sinal concreto de que o governo interino de Delcy Rodríguez e a oposição estão avançando num entendimento mediado por Washington, o que abre espaço para o próximo passo que os Estados Unidos perseguem: novas eleições na Venezuela. Sem esse tipo de acordo, a negociação política tende a travar, porque nenhuma das partes tem incentivo para ceder sem contrapartida tangível.

No plano financeiro, a lógica do arranjo é usar o ouro como colateral para captar crédito externo, não como ativo líquido. Isso significa que a Venezuela não receberia dinheiro vivo imediato, mas teria acesso a linhas de crédito para financiar reconstrução e gastos públicos, num país que enfrenta inflação crônica e danos físicos dos terremotos de junho de 2026. A restrição à venda imediata protege os credores e, ao mesmo tempo, mantém o ativo fora do alcance político de curto prazo, o que tende a ser uma exigência dos financiadores internacionais.

Do ponto de vista jurídico, a conclusão do acordo encerraria uma disputa que ocupou os tribunais britânicos por sete anos, incluindo a Suprema Corte do Reino Unido. A transferência da custódia do Banco da Inglaterra para o Federal Reserve desloca também a jurisdição: qualquer controvérsia futura sobre o ativo passaria a ser tratada sob o direito americano, não o britânico, o que representa uma mudança relevante de arena para eventuais disputas.

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