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Uma em cada dez cargas inspecionadas apresenta falhas de segurança
Inspeções realizadas em sete países encontraram problemas de documentação, embalagem, identificação e fixação em 9.645 unidades de transporte de carga em 2025
Mais de uma em cada dez unidades de transporte de carga inspecionadas por autoridades governamentais apresentaram algum tipo de deficiência de segurança em 2025. Ao todo, sete países realizaram 93.079 inspeções ao longo do ano e encontraram irregularidades em 9.645 unidades, o equivalente a 10,36% do total analisado, segundo dados do World Shipping Council (WSC) divulgados pelo Container News nesta sexta-feira (18).
Entre os problemas identificados estavam documentação incorreta, marcação e rotulagem inadequadas, falhas na embalagem e fixação imprópria das cargas.
De acordo com o WSC, irregularidades desse tipo podem aumentar o risco de danos às mercadorias, perda de contêineres no mar e incêndios a bordo dos navios, ampliando os riscos tanto para as embarcações quanto para as pessoas envolvidas na operação.
Apesar de permanecer elevada, a taxa registrada em 2025 representa uma pequena melhora em comparação com o ano anterior. Em 2024, 11,39% das unidades inspecionadas apresentavam algum tipo de deficiência, enquanto, em 2023, o índice havia ficado em 11%. Com isso, a proporção de irregularidades permanece acima de 10% pelo terceiro ano consecutivo.
Para Joe Kramek, presidente e CEO do World Shipping Council, o número ainda é preocupante. Segundo ele, a declaração correta das mercadorias, assim como a embalagem, a fixação e a identificação adequadas, faz parte das obrigações básicas de segurança no transporte de cargas. Quando esses procedimentos não são cumpridos, acrescentou, os riscos se estendem para toda a cadeia logística.
A preocupação ganha ainda mais peso no caso das cargas declaradas incorretamente ou não declaradas, especialmente quando envolvem mercadorias perigosas. Nos últimos anos, o setor de transporte marítimo de contêineres tem ampliado a atenção sobre esse tipo de ocorrência justamente pelo potencial de gerar acidentes durante o transporte e comprometer a segurança das operações.
Os resultados, no entanto, não significam que 10,36% de todos os contêineres movimentados globalmente tenham problemas de segurança. Os dados consideram apenas as unidades inspecionadas e reportadas por autoridades do Chile, Finlândia, Alemanha, Holanda, Coreia do Sul, Suécia e Estados Unidos à Organização Marítima Internacional (OMI).
A baixa participação dos países também chamou a atenção do WSC. Apenas sete dos mais de 170 Estados-Membros da OMI enviaram resultados de suas inspeções, o que limita a capacidade de traçar um panorama mais amplo sobre as condições das cargas transportadas mundialmente. Para Kramek, ampliar o número de governos que reportam essas informações é fundamental para identificar riscos de forma consistente e direcionar medidas de segurança no transporte internacional.
FUP Explica
O dado central aqui é que a taxa de falhas de segurança de cargas caiu levemente, mas segue acima de 10% pelo terceiro ano seguido, e isso tem implicações práticas para quem opera no transporte marítimo de contêineres. Do ponto de vista econômico, falhas de documentação, embalagem e fixação não são apenas problemas burocráticos: elas aumentam o risco de perda de carga no mar, incêndios a bordo e danos a mercadorias, o que pode resultar em sinistros, disputas de seguro e interrupções na cadeia logística. Quem exporta ou importa por via marítima sente esse risco diretamente, seja no custo do seguro, seja na responsabilidade civil em caso de acidente.
Do ponto de vista institucional, o problema apontado pelo WSC é de subnotificação: apenas sete dos mais de 170 membros da OMI reportaram dados. Isso significa que o índice de 10,36% reflete uma amostra pequena e geograficamente concentrada, o que torna difícil saber se a situação no restante do mundo é melhor, pior ou semelhante. A ausência de dados de grandes economias exportadoras limita qualquer esforço coordenado de fiscalização internacional.
A pressão do WSC para ampliar o número de países que reportam inspeções aponta para um desdobramento possível: mais governos podem ser instados a adotar e divulgar programas de inspeção de cargas, o que tende a aumentar o escrutínio sobre embarcadores, especialmente os que lidam com mercadorias perigosas. Para operadores de comércio exterior, isso pode significar maior rigor documental e de embalagem nas exportações destinadas a países com fiscalização mais ativa.




