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Exportações crescem 21,5% e Brasil acumula superávit de US$ 4,28 bilhões em setembro
Comércio Exterior

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Exportações crescem 21,5% e Brasil acumula superávit de US$ 4,28 bilhões em setembro

23/09/2026·578 palavras

Exportações cresceram 21,5% nas três primeiras semanas do mês e ajudaram o saldo comercial brasileiro a alcançar US$ 59,6 bilhões no acumulado do ano

A balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 4,284 bilhões nas três primeiras semanas de setembro, resultado de US$ 21,892 bilhões em exportações e US$ 17,608 bilhões em importações. Apenas na terceira semana do mês, o saldo ficou positivo em US$ 984,2 milhões, com US$ 7,701 bilhões em vendas ao exterior e US$ 6,717 bilhões em compras de produtos estrangeiros.

Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Segundo o Jornal do Comércio, o desempenho mantém a balança brasileira em trajetória de crescimento também no acumulado de 2026.

O resultado foi impulsionado principalmente pelas exportações, que cresceram 21,5% em relação ao mesmo período de setembro de 2025. Todos os grandes setores acompanhados pelo levantamento apresentaram aumento nas vendas externas. A indústria extrativa teve o maior crescimento percentual, de 44,7%, e movimentou US$ 5,774 bilhões.

Na agropecuária, a alta foi de 12,5%, com exportações de US$ 4,444 bilhões, enquanto a indústria de transformação registrou crescimento de 15,3% e alcançou US$ 11,436 bilhões.

As importações também cresceram, mas em ritmo menor. Na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, as compras externas aumentaram 9%. A indústria extrativa registrou alta de 34,8%, para US$ 897,7 milhões, enquanto a agropecuária cresceu 18%, chegando a US$ 332,7 milhões. Já a indústria de transformação, responsável pela maior parcela das importações, teve aumento de 7,6% e totalizou US$ 16,278 bilhões.

Com as exportações crescendo mais rapidamente que as importações, o saldo positivo também aumentou no acumulado do ano. De janeiro até a terceira semana de setembro, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 59,601 bilhões, valor 35,2% superior aos US$ 46,300 bilhões observados no mesmo período de 2025. O resultado elevou a diferença entre vendas e compras externas em um período de crescimento dos fluxos comerciais nos dois sentidos.

De acordo com o Times Brasil, o governo projeta que a balança comercial encerre 2026 com superávit de US$ 90 bilhões, o que representaria crescimento de 32,3% na comparação com o resultado do ano passado. Para chegar a esse saldo, o MDIC trabalha com uma estimativa de US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações ao longo do ano.

O desempenho de setembro reforça especialmente o peso da indústria extrativa na aceleração das vendas brasileiras ao exterior. Embora a agropecuária e a indústria de transformação também tenham registrado crescimento, a alta de 44,7% do setor extrativo ficou bem acima das observadas nos demais segmentos e contribuiu para o aumento das exportações no mês.

Ao mesmo tempo, o crescimento das importações mostra que o resultado positivo não decorre de uma retração das compras externas. Pelo contrário, o país importou mais do que no mesmo período de 2025, sobretudo nos segmentos da indústria extrativa e da agropecuária. Ainda assim, como o ritmo de crescimento das exportações foi mais que o dobro do registrado pelas importações, o saldo comercial permaneceu favorável.

Com pouco mais de três meses para o fim do ano, o superávit acumulado de US$ 59,6 bilhões ainda está abaixo da projeção oficial de US$ 90 bilhões para 2026. O resultado das próximas semanas dependerá do comportamento das exportações e das importações, mas os dados de setembro mostram, até agora, um fluxo de comércio exterior mais intenso e um saldo superior ao observado no mesmo período do ano passado.

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O número que mais chama atenção aqui não é o superávit de setembro em si, mas o salto de 35,2% no acumulado do ano em relação ao mesmo período de 2025. Isso indica que o Brasil está exportando muito mais sem necessariamente importar menos, o que é um sinal de demanda externa aquecida, não de retração interna. Para o governo, esse desempenho reforça a narrativa de que a política comercial está funcionando e dá munição para defender a meta de US$ 90 bilhões de superávit no ano, ainda que o caminho até lá exija manter o ritmo nas próximas semanas.

O destaque da indústria extrativa, com alta de 44,7% nas exportações, merece atenção porque esse setor é muito sensível a preço de commodities no mercado internacional. Se parte desse crescimento reflete valorização de preços e não apenas volume embarcado, o resultado pode ser menos robusto do que parece: uma queda de preço nas próximas semanas corrói o saldo sem que o volume exportado mude. O texto não detalha essa distinção, mas é o ponto que qualquer analista vai olhar primeiro.

Para importadores e exportadores, o cenário de fluxo crescente nos dois sentidos tende a pressionar capacidade logística e câmbio. Um superávit maior significa mais dólares entrando no país, o que pode contribuir para apreciação do real, barateando importações mas reduzindo a receita em reais dos exportadores. Com a projeção oficial de US$ 90 bilhões ainda distante do acumulado atual de US$ 59,6 bilhões, o último trimestre do ano será decisivo para confirmar ou rever essa expectativa.

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