
Imagem: reprodução
Tripulante morre após ataque a graneleiro no Estreito de Ormuz
Um tripulante indiano morreu após um ataque contra o graneleiro MV Cape Dao nesta quarta-feira (23), enquanto a embarcação navegava pelo Estreito de Ormuz em direção à Índia. O incidente ocorreu próximo à província de Musandam, em Omã, e levou à evacuação da tripulação. Segundo o Centro de Segurança Marítima de Omã, 27 pessoas foram retiradas do navio após o ataque.
A Embaixada da Índia em Omã confirmou a morte de um cidadão indiano e informou que acompanha a situação em coordenação com as autoridades locais. A representação diplomática também afirmou estar em contato com a agência responsável pelo recrutamento da tripulação e com a família da vítima.
De acordo com o gCaptain, o Cape Dao foi atingido por um projétil de origem desconhecida por volta das 6h30 UTC durante a travessia do estreito. Após o impacto, a embarcação pegou fogo e ficou à deriva, obrigando os tripulantes a abandonar o navio. O graneleiro navegava sob bandeira de Antígua e Barbuda.
A publicação também relata que outro tripulante ficou ferido. Inicialmente, a United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) havia informado a existência de duas vítimas, enquanto as autoridades ainda investigavam o episódio. Até aquele momento, não havia registro de impacto ambiental relacionado ao incidente.
As fontes apresentam números ligeiramente diferentes sobre os cidadãos indianos a bordo. A Embaixada da Índia em Omã informou à Reuters que havia 19 indianos entre os tripulantes. O Ministério das Relações Exteriores da Índia, citado pelo Demócrata, afirmou que o navio transportava 20 marinheiros indianos, dos quais 19 foram resgatados e um morreu.
Nova Délhi condenou o ataque e afirmou que sua embaixada em Mascate acompanha a situação para facilitar a repatriação dos cidadãos envolvidos. O governo indiano também manifestou preocupação com a sequência de ataques contra embarcações comerciais no Oriente Médio e pediu o restabelecimento da navegação e do comércio pelas vias marítimas internacionais da região.
Série de ataques no Estreito de Ormuz nos últimos dias
O incidente com o Cape Dao ocorre dois dias depois de outros dois episódios registrados no Estreito de Ormuz. Em 21 de setembro, o petroleiro LR Stephanie, de bandeira da Ilha de Man, foi atingido por um projétil não identificado, deixando dois tripulantes feridos. No mesmo dia, o navio-tanque de gás liquefeito de petróleo Al Maryah foi atingido por destroços de projéteis enquanto deixava a região. Nos dois casos, as embarcações conseguiram seguir viagem sem assistência.
Os episódios acontecem em um momento de forte redução do tráfego comercial pelo estreito. Dados preliminares mostraram apenas dois navios de commodities atravessando Ormuz na segunda-feira, ante aproximadamente 125 grandes embarcações comerciais por dia antes do início do conflito, em 28 de fevereiro. Os números não incluem navios que estejam operando com o Sistema de Identificação Automática (AIS) desligado.
A Organização Marítima Internacional (IMO) também vem alertando para o aumento dos riscos enfrentados pelos marítimos. A organização havia confirmado 80 ataques no Estreito de Ormuz e em seus arredores desde 28 de fevereiro, com pelo menos 22 tripulantes mortos até a semana passada.
A morte registrada no Cape Dao acrescenta uma nova vítima à sequência de incidentes envolvendo a navegação mercante na região e ocorre enquanto o tráfego pelo Estreito de Ormuz permanece muito abaixo dos níveis observados antes do conflito.
FUP Explica
O que está acontecendo no Estreito de Ormuz vai muito além de um incidente isolado. Com 80 ataques confirmados pela IMO desde 28 de fevereiro e pelo menos 23 tripulantes mortos (contando a vítima do Cape Dao), a rota que concentra parte expressiva do comércio marítimo mundial está, na prática, sendo evitada: de cerca de 125 grandes embarcações por dia antes do conflito, os dados preliminares apontam para apenas dois navios de commodities atravessando o estreito na segunda-feira. Isso representa um colapso de tráfego com consequências diretas para o abastecimento de petróleo, gás e grãos em escala internacional.
No plano diplomático, a reação da Índia é relevante. Nova Délhi tem interesse duplo: proteger seus cidadãos (que formam parte significativa das tripulações de navios mercantes no mundo) e garantir o fluxo de importações de energia pelo Golfo Pérsico. A condenação pública do ataque e o pedido de restabelecimento da navegação sinalizam que o governo indiano tende a pressionar por uma solução, mas sem indicar, até agora, qualquer ação concreta além do acompanhamento consular.
Para operadores de comércio exterior, a situação cria um cenário de incerteza crescente: rotas alternativas encarecem o frete, seguros marítimos sobem e prazos de entrega ficam imprevisíveis. O fato de os números não incluírem navios com AIS desligado sugere que o tráfego real pode ser ainda menor do que os dados preliminares indicam, o que torna qualquer estimativa de normalização prematura.
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