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Correios perdem R$ 5,5 bilhões no semestre e caminham para pior resultado da história
Logística

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Correios perdem R$ 5,5 bilhões no semestre e caminham para pior resultado da história

31/08/2026·555 palavras
Estatal de logística e distribuição postal registra prejuízo de R$ 5,5 bi no primeiro semestre, com perspectiva de pior resultado anual da história e proposta de aporte bilionário para 2027.

Os Correios registraram prejuízo de R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, aumento de 30,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A expectativa do governo é que a estatal encerre o ano com o pior resultado de sua história, superando a perda recorde de R$ 8,5 bilhões contabilizada em 2025, segundo o InfoMoney.

Apesar da deterioração no resultado semestral, houve redução do prejuízo no segundo trimestre. Entre abril e junho, a perda foi de R$ 2,4 bilhões, queda de 5,5% na comparação com o mesmo período de 2025. O governo relaciona essa melhora ao plano de reestruturação iniciado em dezembro do ano passado.

Em meio às dificuldades financeiras, a proposta orçamentária de 2027 encaminhada ao Congresso em 31 de agosto prevê a possibilidade de um aporte de R$ 6 bilhões nos Correios no próximo ano. A estatal também negocia um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com garantia do Tesouro Nacional, após ter recebido R$ 12 bilhões em 2025.

Entre janeiro e junho, os Correios registraram receita total de R$ 7,9 bilhões. Após a dedução dos custos diretos de entrega, a margem bruta ficou em R$ 274,5 milhões, montante insuficiente para cobrir as despesas administrativas, comerciais e financeiras da companhia.

Por outro lado, os gastos com pessoal recuaram 4,2% em relação ao primeiro semestre de 2025, o equivalente a uma economia de R$ 233,7 milhões.

Para Daniel Pecanka de Andrade, especialista em finanças ouvido pelo InfoMoney, a redução ainda é pequena diante da situação financeira da estatal. Na avaliação dele, a empresa continua operando com margem bruta estreita e a queda do prejuízo observada no segundo trimestre ainda não representa uma melhora operacional efetiva.

A estatal recebeu um empréstimo de R$ 12 bilhões em 2025, com garantia do Tesouro Nacional, e agora negocia outros R$ 7 bilhões nas mesmas condições. Pecanka avalia que os primeiros recursos deram fôlego temporário ao caixa, mas não solucionaram os problemas estruturais da companhia. Além do financiamento em negociação, a proposta de lei orçamentária para 2027 encaminhada ao Congresso prevê a possibilidade de um aporte de R$ 6 bilhões para os Correios.

Em nota conjunta, os ministros das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, e do Planejamento, Bruno Moretti, afirmaram que a medida busca dar estabilidade à estatal para a continuidade do processo de reestruturação.

Plano prevê desligamentos, fechamento de unidades e venda de imóveis

Lançado em dezembro de 2025, o plano de reestruturação prevê medidas como programa de desligamento voluntário, fechamento de unidades e venda de imóveis. Segundo o governo, desde o início do processo, a empresa tem adotado ações para reduzir despesas, elevar a receita operacional e equilibrar o fluxo de caixa.

Especialistas, entretanto, questionam a capacidade dessas medidas de reverter a situação financeira da companhia. Pecanka considera o plano genérico e aponta falta de informações detalhadas sobre receitas e despesas das diferentes unidades de negócio, incluindo serviços postais, encomendas e operações internacionais.

Fernando Soares, economista, professor e ex-secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, também considera as medidas insuficientes. Para ele, a forte concorrência no mercado de encomendas e a retração dos serviços postais exigem uma redução mais acentuada das despesas com pessoal.

Soares defende ainda que o governo discuta com o Judiciário a possibilidade de demissões fundamentadas na deterioração financeira da estatal.

FUP Explica

O tamanho do buraco é expressivo: mesmo com um empréstimo bilionário em 2025 e um plano de reestruturação em andamento, os Correios caminham para bater o próprio recorde negativo. Isso coloca o governo em uma posição delicada, porque a empresa é uma estatal com obrigação de universalizar o serviço postal em todo o território nacional, o que limita muito o espaço para cortar operações sem enfrentar resistência política e jurídica.

O nó central é o pessoal. Os Correios têm um quadro de servidores com estabilidade, e as demissões em massa esbarram em restrições legais. O economista Fernando Soares chega a sugerir que o governo leve a discussão ao Judiciário para abrir essa possibilidade, o que por si só indica que a saída convencional não está disponível. Enquanto isso, a redução de 4,2% no custo de pessoal no semestre é real, mas insuficiente para mudar a trajetória de uma empresa que gera margem bruta de R$ 274 milhões para cobrir uma estrutura muito maior.

A inclusão de R$ 6 bilhões no orçamento de 2027 sinaliza que o governo não pretende deixar a empresa quebrar, mas também não apresentou até agora um caminho claro para a autossustentabilidade. Com novo empréstimo de R$ 7 bilhões sendo negociado e aporte previsto para o ano que vem, o risco é que os recursos públicos continuem sendo injetados sem que a operação mude de patamar, transferindo o custo da crise para o Tesouro por mais um ciclo.

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