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Ucrânia muda estratégia e mira compras online dos russos com ataques a galpões logísticos
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Ucrânia muda estratégia e mira compras online dos russos com ataques a galpões logísticos

03/08/2026·791 palavras

Desde o início de julho, a Ucrânia passou a incluir os armazéns e centros de distribuição da Wildberries, maior varejista online da Rússia, entre os alvos de sua campanha de drones de longo alcance. Os ataques ucranianos à Wildberries representam uma mudança de abordagem em relação à ofensiva anterior, que se concentrava em refinarias e infraestrutura energética: agora, Kiev mira também a cadeia logística do consumo civil russo, conforme apurado pela BBC News.

A Wildberries detém 45% do mercado de varejo online russo, à frente da concorrente Ozon, que tem 32% de participação, segundo dados de julho e agosto de 2026 registrados pela Wikipedia. A empresa é frequentemente comparada à Amazon e, em 2022, era a maior pagadora de impostos da Rússia. Sua fundadora e CEO é Tatyana Kim, descrita como a mulher mais rica do país.

A Ucrânia acusa a Wildberries de contribuir para o esforço de guerra russo. O próprio site da varejista listava publicamente componentes de drones, coletes balísticos e outros equipamentos militares à venda. Por isso, tanto a empresa quanto Tatyana Kim foram submetidas a sanções internacionais e restrições comerciais.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky declarou que os ataques visam eliminar "centros logísticos envolvidos no fornecimento ao exército russo de componentes de drones, equipamentos de navegação e outros materiais militares". Em 27 de julho de 2026, Denys Shtilerman, cofundador da empresa Fire Point, acrescentou que a parceria da Wildberries com o banco estatal russo VTB Bank também pesou na decisão de torná-la alvo, de acordo com a mesma fonte.

Um detalhe anterior aos ataques chama atenção: em 7 de julho de 2026, onze dias antes do início da ofensiva, a Wildberries atualizou seus termos e condições para isentar a empresa de responsabilidade por mercadorias destruídas em eventos de "força maior", incluindo ataques de drones. A cláusula gerou revolta entre vendedores que perderam estoques sem direito a indenização, segundo a Wikipedia.

Os primeiros ataques ocorreram no fim de semana de 18 de julho de 2026. Dois armazéns foram atingidos: um em Elektrostal, a leste de Moscou, e outro em Kotovsk, na região de Tambov, a cerca de 400 km da fronteira ucraniana. Sete trabalhadores morreram em Kotovsk e um em Elektrostal; dezenas ficaram feridos. Mercadorias estimadas em 750 milhões de libras, equivalentes a 1 bilhão de dólares, foram destruídas, conforme reportou a BBC News em 22 de julho de 2026.

Nos dias seguintes, outro armazém em Koledino, ao sul de Moscou, foi atingido, assim como centros logísticos em Krasnodar e Nevinnomyssk, na região de Stavropol, com novas vítimas relatadas pela própria CEO Tatyana Kim, segundo a BBC News.

Em 31 de julho de 2026, uma nova onda atingiu o centro de distribuição da Wildberries em Volgogrado, descrito pelo Observador como um complexo de mais de 40 mil metros quadrados responsável pelo abastecimento de toda a região. Na mesma noite, refinarias nas regiões de Tartaristão e Krasnodar também foram atacadas, conforme o mesmo veículo.

Em 2 de agosto de 2026, drones ucranianos atingiram um armazém da Wildberries na região de Samara, a cerca de 800 km das posições militares mais avançadas da Ucrânia. O governador Viacheslav Fedorishchev informou que não houve vítimas no local e que o incêndio estava sendo controlado. Na mesma noite, o Ministério da Defesa russo anunciou a interceptação de 635 drones lançados contra mais de uma dezena de regiões do país, de acordo com a Folha de S.Paulo. O total de mortos nessa rodada chegou a pelo menos nove pessoas em diferentes regiões, incluindo duas em Engels (Saratov), três em Udmúrtia e três em Belgorod, segundo o mesmo veículo.

Danos acumulados e reação dos vendedores

Desde meados de julho, os ataques atingiram pelo menos dez a doze instalações da Wildberries. Segundo a Reuters, citada em material de vídeo sem data identificada, os danos comprometeram cerca de 10% da capacidade de armazenamento da empresa, afetando uma rede de distribuição da qual dependem dezenas de milhares de negócios.

Tatyana Kim classificou os ataques como "atos de terrorismo contra civis" que afetam milhões de pessoas na Rússia e em outros países, citando prejuízos a empresas em dez países. Ela informou que a Wildberries trabalha com o governo russo para mitigar os impactos e que um plano de assistência estava sendo elaborado, com detalhes a serem anunciados, conforme o Observador de 31 de julho de 2026.

Entre os vendedores, a revolta com a cláusula de força maior se tornou pública. Uma vendedora relatou, em publicação viral nas redes sociais, ter perdido 1 milhão de rublos, equivalentes a 9.500 libras ou 12.700 dólares segundo conversão da BBC News, sem perspectiva de ressarcimento. Zelensky resumiu a lógica da campanha em declaração registrada pela BBC News: "Estamos, com toda a justiça, trazendo a guerra de volta para casa, para a Rússia.

FUP Explica

A decisão ucraniana de mirar a Wildberries tem uma lógica dupla, e as duas camadas importam. A primeira é militar: se a plataforma de fato intermediava a venda de componentes de drones e equipamentos de navegação para o exército russo, destruir seus armazéns é atacar uma parte da cadeia de suprimentos bélicos sem precisar cruzar a fronteira. A segunda é econômica e psicológica: a Wildberries não é uma empresa qualquer, é o maior varejista online do país, com 45% do mercado, e atingi-la repetidamente cria um efeito visível para a população civil russa, que sente a guerra no bolso e na entrega do pedido que não chegou.

O timing da cláusula de força maior é politicamente explosivo dentro da Rússia. A empresa atualizou os termos onze dias antes dos ataques, o que levanta a questão de se a Wildberries tinha alguma informação antecipada sobre o risco, ou se foi uma precaução preventiva. De qualquer forma, o resultado prático é que dezenas de milhares de pequenos vendedores russos ficaram sem cobertura para perdas que chegam a milhões de rublos, e isso alimenta um ressentimento interno que o Kremlin precisa administrar.

Do ponto de vista jurídico e institucional, a situação da Wildberries é complicada: a empresa e sua fundadora estão sob sanções internacionais, o que limita qualquer movimento de reconstrução que dependa de fornecedores ou financiamento externo. A parceria com o VTB Bank, banco estatal também sancionado, fecha ainda mais esse cerco. A tendência é que a empresa dependa cada vez mais de recursos e fornecedores domésticos russos para se reerguer, o que aprofunda seu vínculo com o Estado e, por consequência, reforça o argumento ucraniano de que ela é parte do esforço de guerra.

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