
Trump pausa tarifa de 50% sobre produtos canadenses até 21 de agosto
Trump anuncia suspensão temporária de tarifa de 50% sobre importações canadenses, sinalizando possível negociação comercial bilateral com impacto indireto nas cadeias de suprimento globais e dinâmica de tarifas internacionais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta quarta-feira (18) a suspensão temporária das tarifas sobre Canadá de 50%, que entrariam em vigor na manhã seguinte. A pausa vale até 21 de agosto e foi confirmada após os dois países chegarem a um entendimento preliminar, ainda condicionado à conclusão dos documentos finais.
Trump justificou a decisão afirmando que "Canadá e Estados Unidos, condicionados à finalização dos documentos, têm um acordo", segundo o Exame. O primeiro-ministro canadense Mark Carney confirmou que "progressos substanciais foram feitos", mas reconheceu que "ainda há trabalho importante a ser realizado", de acordo com o G1.
As tarifas de 50% suspensas cobriam aproximadamente 5,5% das exportações canadenses para os Estados Unidos, no valor de quase US$ 20 bilhões, equivalente a cerca de R$ 104 bilhões, segundo estimativas da Oxford Economics. A lista de produtos abrangidos incluía vinho, eletrônicos, materiais de construção, cimento e tacos de hóquei.
A cobrança havia sido determinada por Trump em julho, com a justificativa de que produtos americanos como bebidas alcoólicas, automóveis e laticínios recebiam tratamento discriminatório no Canadá. O representante comercial americano Jamieson Greer afirmou, que províncias canadenses retiraram bebidas alcoólicas americanas dos mercados e concederam melhores condições de acesso aos laticínios da União Europeia.
O escritório do Representante Comercial dos EUA informou que o entendimento em negociação busca ampliar o acesso ao mercado canadense para produtos americanos e estabelecer compromissos relacionados à segurança econômica e ao comércio digital, entre outras medidas. O G1 apurou que os negociadores discutem detalhes como comércio digital e laticínios.
Do lado canadense, o governo buscava um acordo que impedisse a entrada em vigor das novas tarifas e aliviasse as taxas impostas por Trump a setores como aço, madeira, alumínio e automóveis. Carney havia rejeitado a medida anunciada em julho e sinalizado que o Canadá responderia com retaliações comerciais.
Trump também mencionou a possível retomada do oleoduto Keystone XL, projeto bloqueado durante o governo de Joe Biden e rejeitado por ativistas ambientais, sem apresentar detalhes adicionais sobre o tema. O Departamento de Comércio dos EUA divulgou, em paralelo, regras para que montadoras certifiquem o conteúdo americano de veículos, com prazo final de 30 de setembro.
Histórico de escalada e padrão de negociação
A suspensão temporária segue um padrão que Trump adotou em outras frentes comerciais. Em julho de 2025, ele havia anunciado uma tarifa de 35% sobre importações canadenses a partir de 1º de agosto, justificando que o Canadá havia retaliado com suas próprias tarifas. Naquela ocasião, Trump também indicou que poderia ajustar a tarifa caso o Canadá ajudasse os Estados Unidos a conter o fluxo de fentanil, segundo a Agência Brasil, que publicou a informação em 11 de julho de 2025.
Em novembro de 2025, Trump retirou a tarifa de 40% sobre determinados produtos brasileiros, como café, frutas tropicais, cacau e carne bovina, após conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando os dois concordaram em iniciar negociações. Em agosto de 2025, Trump havia publicado decreto impondo tarifa adicional de 25% sobre produtos da Índia.
FUP Explica
A suspensão por três dias é curta demais para ser tratada como resolução, mas longa o suficiente para sinalizar que os dois países querem evitar uma ruptura aberta. O padrão que Trump vem adotando, de anunciar tarifa, pressionar e depois pausar enquanto negocia, cria um ambiente de incerteza permanente para empresas que dependem da cadeia produtiva integrada entre EUA e Canadá, especialmente nos setores de aço, alumínio, automóveis e madeira, que já carregam tarifas anteriores e não estão cobertos pela suspensão atual.
O prazo de três dias é apertado para fechar qualquer acordo comercial com substância real. Se os documentos finais não forem concluídos até 21 de agosto, as tarifas de 50% voltam automaticamente, o que coloca os negociadores sob pressão intensa e deixa as empresas sem clareza sobre custos de curto prazo. A menção ao Keystone XL, sem detalhes, sugere que Trump pode estar usando a pauta energética como moeda de troca adicional, o que amplia o escopo das negociações além do comércio de bens.
Para o Brasil, o episódio é relevante como referência de comportamento: a retirada de tarifas sobre produtos brasileiros em novembro de 2025 seguiu lógica parecida, com conversa direta entre presidentes e acordo de iniciar negociações. Isso indica que o governo americano trata as tarifas como instrumento de pressão negociável, não como política definitiva, o que abre espaço para barganha, mas também significa que nenhum acordo é permanente enquanto não estiver formalizado.




