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Trump chama riscos da IA de “farsa” e recebe apoio do CEO da Nvidia contra freio no setor
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Trump chama riscos da IA de “farsa” e recebe apoio do CEO da Nvidia contra freio no setor

15/09/2026·748 palavras

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o CEO da Nvidia, Jensen Huang, protagonizaram um alinhamento público contra regulação de inteligência artificial durante o All-In Summit em Los Angeles, em 14 de setembro de 2026. Enquanto Huang falava no palco do evento, Trump o chamou por telefone e a conversa foi colocada em viva-voz para a plateia, gerando o que o co-anfitrião Chamath Palihapitiya descreveu à CNBC como um momento "surreal".

Durante a ligação, Trump classificou os temores sobre riscos da IA como uma "farsa". "Os robôs não vão dominar. A IA não vai dominar o resto do mundo. A coisa toda é uma farsa", disse o presidente, conforme reportado pelo The Next Web. Ele foi além e atribuiu a origem dos alertas a interesses políticos ou a uma estratégia chinesa: "Isso poderia ser pessoas políticas. Poderia também ser a China", afirmou.

Trump reforçou que os Estados Unidos precisam avançar sem interrupções. "Temos que fazer as coisas e temos que fazê-las prudentemente, mas isso não significa que vamos parar uma indústria", disse, conforme apurado pelo TechCrunch. Ao encerrar a ligação, o presidente disse a Huang: "Estou com você o tempo todo". Huang respondeu: "Você está certo. Não vamos deixar isso acontecer, senhor", recebendo aplausos da plateia.

Fora do palco, Trump publicou no Truth Social que "o único controle ou 'medidas de proteção' de que a IA precisa é um presidente FORTE E INTELIGENTE" e denunciou uma "conspiração DOENTIA em andamento contra a IA e os data centers". O presidente também elogiou a construção de data centers, descrevendo-os como "o petróleo dos próximos 20, 25 anos".

Apesar do alinhamento com Trump, a posição de Huang apresenta distinções. Enquanto o presidente chamou tudo de farsa, Huang qualificou as previsões apocalípticas como "não fundamentadas em ciência", uma formulação mais restrita, conforme o The Next Web. O CEO da Nvidia também elogiou Jacob Coxon, pesquisador que pediu demissão da Anthropic em 9 de setembro por preocupações com segurança, reconhecendo seu "grande coragem" ao questionar riscos existenciais.

Huang argumentou ainda que empresas deveriam "pausar ou ajustar seu trabalho se sentirem que sua empresa está fora de controle", mas rejeitou qualquer freio imposto a toda a indústria. Segundo o Strait Times, Huang afirmou que Trump "viu através das complexidades da questão" e que o pânico criou "uma falsa escolha entre inovação rápida e segurança de IA".

O All-In Summit é organizado pelo podcast All-In e seus apresentadores investidores, entre eles David Sacks, Chamath Palihapitiya, Jason Calacanis e David Friedberg.

A ligação ocorreu dois dias após Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicar um ensaio de 3.800 palavras defendendo que o setor desacelere o ritmo de desenvolvimento de modelos de IA para ampliar a análise de suas capacidades e efeitos. Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI, apoiaram publicamente a proposta em poucas horas.

O movimento foi acompanhado por mais de 1.300 cientistas da computação que pediram intervenção governamental, em referência deliberada à carta de Einstein a Roosevelt sobre armas nucleares. Geoffrey Hinton, Prêmio Nobel conhecido como "Padrinho da IA", disse à BBC que uma chance de 10% de a IA matar todos os humanos era "não irrazoável". Evan Hubinger, cientista da Anthropic, afirmou pessoalmente que a possibilidade de extinção humana por IA era superior a 10% na próxima década.

As ações da Nvidia, empresa mais valiosa do mundo, caíram 3,4% em 14 de setembro, em meio a preocupações com possível desaceleração dos investimentos no setor.

Apesar do entusiasmo dos líderes políticos e tecnológicos pela expansão da infraestrutura, pesquisa Gallup citada pelo TechCrunch indica que sete em cada dez americanos se opõem à construção de data centers em suas regiões. Mais de 50% dos respondentes citam o efeito nos recursos ambientais, e cerca de 20% expressam preocupação com aumentos no custo de vida.

Trump e aliados como o CEO do Y Combinator, Garry Tan, atribuem essa resistência a uma operação psicológica internacional, segundo o TechCrunch. A OpenAI reportou em junho de 2026 ter identificado uma campanha vinculada à China usando o ChatGPT para estimular oposição aos data centers americanos, embora seu investigador tenha ressalvado que a operação interferia em um debate preexistente, não o fabricava.

O alinhamento entre Trump e Huang não é inédito. Em julho de 2025, Huang elogiou o plano de IA do governo Trump, afirmando que o anúncio presidencial "vai acelerar a inovação de IA na América". Em dezembro de 2025, os dois se reuniram com senadores republicanos para discutir políticas favoráveis à indústria, incluindo a venda de chips Nvidia.

FUP Explica

O momento no palco do All-In Summit concentra uma disputa que vai muito além de retórica: de um lado, a Casa Branca e a Nvidia defendem velocidade máxima de desenvolvimento para garantir liderança sobre a China; do outro, os CEOs da Anthropic e da OpenAI, além de mais de 1.300 cientistas, pedem freio e supervisão. O problema é que as mesmas empresas que pedem desaceleração têm incentivos econômicos para continuar acelerando em privado, o que torna qualquer acordo voluntário estruturalmente frágil.

A queda de 3,4% nas ações da Nvidia no mesmo dia mostra que o mercado leva a sério a possibilidade de uma desaceleração coordenada, mesmo que ela ainda não exista na prática. Para a Nvidia, cujos chips alimentam grande parte da infraestrutura de IA em desenvolvimento, qualquer redução no ritmo de treinamento de novos modelos se traduz diretamente em menor demanda. O alinhamento público com Trump funciona, nesse contexto, como sinal ao mercado e ao Congresso de que a empresa não pretende aceitar restrições voluntárias.

No plano político, a divisão dentro do próprio governo americano é relevante: enquanto Trump descarta qualquer regulação, Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, disse ao O Globo que a proposta de Amodei para avaliadores independentes poderia servir de modelo ao setor privado. Mike Johnson, presidente da Câmara, rejeitou legislação de emergência mas admitiu que o tema chegará ao Congresso. Isso abre espaço para que o debate regulatório avance por caminhos legislativos mesmo sem apoio do Executivo, especialmente se incidentes como o citado pela BBC, em que agentes da OpenAI invadiram uma plataforma de código aberto em julho de 2026, continuarem se repetindo.

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