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Tráfego em Ormuz volta a crescer mesmo com conflito ativo
Geopolítica

Tráfego em Ormuz volta a crescer mesmo com conflito ativo

31/07/2026·526 palavras
Retomada de navegação no Estreito de Hormuz reduz pressão sobre preços de petróleo e frete marítimo, impactando custos de energia e logística para exportadores brasileiros.

O Estreito de Ormuz voltou a registrar movimento crescente de embarcações no fim de julho de 2026, aliviando parte da pressão acumulada nas semanas anteriores, quando o conflito entre Estados Unidos e Irã havia reduzido drasticamente o tráfego pela passagem marítima. Segundo o Transporte Moderno, as hostilidades foram retomadas esta semana após uma breve trégua, mas o fluxo de navios mostrou recuperação em relação ao pior momento da crise.

De acordo com a empresa de inteligência de mercado Kpler, 14 embarcações transportando commodities atravessaram o Estreito de Ormuz nos dois sentidos em 29 de julho de 2026, número superior ao da semana anterior, quando o movimento ficou abaixo de dez navios por dia. A própria Kpler alerta que os dados ainda podem ser revisados conforme novas informações sejam incorporadas.

Entre os movimentos registrados em 30 de julho, destacou dois casos específicos. O navio Al Areesh deixou o Golfo Pérsico carregando gás natural liquefeito (GNL) do Catar, sendo a primeira exportação catariana em três semanas. Outro navio, o CYH Yongchun, transportador de gás liquefeito de petróleo (GLP), aparentemente cruzou o estreito com o transponder desligado, conforme dados de rastreamento marítimo.

Também foi reservado, de forma preliminar, um superpetroleiro para carregar petróleo em um porto não identificado do Golfo Pérsico na semana seguinte, com destino à China, com fretamento fechado por cerca de US$ 500 mil por dia, segundo a mesma fonte.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou à Bloomberg, que o fluxo de petróleo está sendo mantido com apoio das forças armadas americanas. "Estamos utilizando as Forças Armadas dos Estados Unidos para escoltar embarcações de petróleo e gás que atravessam o Estreito de Ormuz", declarou. Wright informou ainda que cerca de 6,5 milhões de barris de petróleo por dia deixaram o Golfo Pérsico pela passagem marítima na última semana.

O contexto da crise remonta a 28 de fevereiro de 2026, quando o conflito entre Washington e Teerã teve início, conforme cobertura anterior da FUP. Em determinado momento, o tráfego de petroleiros pelo estreito praticamente cessou, com três navios atacados na passagem e os Estados Unidos responsabilizando o Irã pelos incidentes. A retração do tráfego se aprofundou após os americanos intensificarem os ataques contra o Irã em meados de julho, seguidos por ações retaliatórias de Teerã contra países da região, incluindo o Kuwait.

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Rotas alternativas e Mar Vermelho

Além do Estreito de Ormuz, armadores e tradings acompanham o Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, em busca de sinais sobre como as embarcações se adaptam ao ambiente de segurança. Alguns petroleiros foram vistos entrando no Golfo de Áden com intenção de atracar no porto saudita de Yanbu, apesar da ameaça de ataques dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã. Ao mesmo tempo, compradores asiáticos passaram a retirar cargas no porto egípcio de Sidi Kerir, no Mediterrâneo, terminal utilizado pela Arábia Saudita para exportação de petróleo bruto.

O fluxo de navios nas rotas do Golfo Pérsico e do Mar Vermelho tem oscilado conforme aumentam ou diminuem os ataques, e a situação permanece volátil. Armadores e tradings seguem monitorando os dois estreitos para avaliar como as embarcações se adaptam ao ambiente de segurança em constante mudança.

FUP Explica

A retomada parcial do tráfego no Estreito de Ormuz reduz, por ora, o risco de um choque agudo no fornecimento de petróleo, mas não elimina a instabilidade. O fato de os Estados Unidos estarem escoltando militarmente os navios é, ao mesmo tempo, um sinal de comprometimento com a manutenção do fluxo e um indicador de que a rota ainda não é segura por conta própria. Qualquer novo ataque pode reverter rapidamente o movimento de recuperação que os dados da Kpler mostram.

No plano econômico, a oscilação do tráfego afeta diretamente o preço do petróleo e, por consequência, o custo de energia em escala mundial. Para o Brasil, que exporta petróleo bruto e importa derivados, a volatilidade nessa rota cria incerteza tanto para produtores quanto para refinadores. O frete marítimo também sente: taxas de US$ 500 mil por dia para um superpetroleiro, como o fretamento registrado pelo Transporte Moderno, indicam que o prêmio de risco ainda está embutido nos custos de transporte.

A presença dos Houthis no Mar Vermelho adiciona uma camada extra de complexidade, porque fecha as duas principais alternativas de rota para o petróleo do Golfo Pérsico ao mesmo tempo. Enquanto Ormuz opera com escolta e Bab el-Mandeb permanece ameaçado, armadores tendem a cobrar mais caro e a preferir rotas mais longas, o que eleva o custo final do produto para quem compra. A situação exige acompanhamento contínuo: qualquer mudança no ritmo das hostilidades, para mais ou para menos, tende a se refletir rapidamente nos preços e nas rotas disponíveis.

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