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Chuvas deixam ao menos 81 mortos na Índia e provocam enchentes no Nepal
Geopolítica

Imagem: reprodução x

Chuvas deixam ao menos 81 mortos na Índia e provocam enchentes no Nepal

28/09/2026·674 palavras

Temporais danificam mais de mil casas em Uttar Pradesh, levam à retirada de 75 mil pessoas em Odisha e mantêm dezenas de distritos nepaleses sob risco de novas inundações

Depois de três dias de chuvas intensas, enchentes e deslizamentos deixaram ao menos 81 mortos no estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, enquanto equipes de resgate retiravam moradores de áreas alagadas nesta segunda-feira (28). Os temporais também atingiram Odisha, onde mais de 75 mil pessoas foram levadas para locais seguros, e avançaram sobre o vizinho Nepal, que registrou 21 mortes relacionadas ao mau tempo. Com rios acima dos níveis de perigo e centenas de imóveis danificados nos dois países, autoridades mantêm alertas para novas inundações, embora a previsão indique enfraquecimento das chuvas em parte do território indiano.

O maior número de vítimas está concentrado em Uttar Pradesh. Segundo a Euronews, além das 81 mortes, 46 pessoas ficaram feridas e mais de mil casas foram danificadas. Escolas também permaneceram fechadas em diferentes áreas do estado, incluindo Lucknow, enquanto equipes de emergência transferiam moradores de regiões inundadas para locais considerados seguros.

A intensidade das precipitações ajuda a dimensionar a emergência. Dados divulgados pela Reuters mostram que Uttar Pradesh recebeu 66,5 milímetros de chuva entre 25 de setembro e a manhã do dia 27, ante 7,6 milímetros considerados normais para o período. O acumulado foi quase nove vezes superior ao esperado. Além das operações de resgate, autoridades começaram a avaliar prejuízos às lavouras para definir compensações aos produtores atingidos.

O volume de água também elevou o nível de alguns dos principais rios do país. A Comissão Central de Água da Índia classificou como severa a situação registrada em 30 estações de monitoramento distribuídas por sete estados. Rios como Ganga, Gandak, Kosi, Bagmati e Narmada ultrapassaram níveis considerados perigosos, aumentando a preocupação com novas inundações nas áreas próximas às margens.

Em Odisha, no leste da Índia, mais de 75 mil pessoas precisaram deixar áreas ameaçadas pelas enchentes. Conforme a ABC News, moradores das regiões atingidas foram orientados a evitar deslocamentos desnecessários por locais alagados e a permanecer longe de rios, córregos e canais com correnteza forte.

Apesar da dimensão dos estragos, as condições meteorológicas devem começar a apresentar melhora. Atul Kumar Singh, cientista sênior do Centro Meteorológico Regional de Lucknow, afirmou que a chuva deveria perder intensidade a partir desta segunda-feira com o enfraquecimento de um sistema sobre o Golfo de Bengala. Ainda assim, precipitações leves podem continuar em partes do leste e do oeste de Uttar Pradesh até terça-feira (29).

Do outro lado da fronteira, o Nepal também enfrenta mortes, deslizamentos e danos à infraestrutura. O país contabilizou 21 vítimas em ocorrências relacionadas ao mau tempo entre quinta-feira e domingo, além de cinco desaparecidos e cinco feridos. Pelo menos 194 casas foram danificadas pelas enchentes e pelos movimentos de terra.

Alertas divulgados durante o fim de semana indicaram possibilidade de enxurradas em 49 dos 77 distritos nepaleses, enquanto os níveis dos principais rios e afluentes continuavam subindo. Segundo o Mezha, os efeitos dos temporais chegaram à infraestrutura energética, com interrupção completa do fornecimento de eletricidade nos distritos de Manang, Mustang, Myagdi e Baglung.

A cheia do rio Rahuganga também danificou estruturas e torres de transmissão de um projeto hidrelétrico de 40 megawatts. Em outras áreas, danos provocados pelas enchentes em fibras ópticas e redes de energia prejudicaram os serviços de telecomunicações, aumentando as dificuldades enfrentadas pelas regiões atingidas.

A nova emergência ocorre poucas semanas depois de o Nepal enfrentar inundações de grandes proporções em agosto. De acordo com os dados citados pelas fontes, mais de 1,4 mil pessoas morreram naquele episódio e milhares continuavam desaparecidas, enquanto o país ainda tentava se recuperar dos danos quando voltou a enfrentar chuvas intensas.

Na Índia, o possível enfraquecimento das precipitações não encerra a situação de emergência. Com rios ainda elevados, mais de mil casas danificadas somente em Uttar Pradesh e dezenas de milhares de pessoas retiradas de áreas de risco em Odisha, equipes de resgate e autoridades seguem monitorando as regiões atingidas e avaliando os prejuízos deixados pelas enchentes.

FUP Explica

O episódio expõe a vulnerabilidade recorrente de regiões densamente povoadas do sul da Ásia durante a temporada de monções. Uttar Pradesh é o estado mais populoso da Índia, e a combinação de chuvas quase nove vezes acima do normal com infraestrutura habitacional fragilizada explica tanto o número de mortos quanto a escala dos danos a imóveis e lavouras. A avaliação de prejuízos agrícolas mencionada no texto indica que o impacto econômico vai além das perdas imediatas: produtores rurais atingidos dependem de compensações governamentais para retomar o plantio, e atrasos nesse processo podem comprometer ciclos seguintes de produção.

No Nepal, a situação é ainda mais delicada porque o país enfrenta a segunda emergência grave em poucas semanas, sem ter concluído a recuperação das inundações de agosto, que deixaram mais de 1,4 mil mortos. A interrupção de energia elétrica em quatro distritos e os danos a fibras ópticas e redes de telecomunicações isolam comunidades justamente quando elas mais precisam de coordenação com equipes de resgate. O dano ao projeto hidrelétrico de 40 megawatts acrescenta uma dimensão de médio prazo: reconstruir geração de energia em área de montanha sujeita a cheias é caro e demorado.

Do ponto de vista institucional, a resposta coordenada entre estados indianos e a atuação da Comissão Central de Água mostram que há estrutura de monitoramento funcionando, mas a recorrência dos eventos levanta a questão sobre a capacidade de adaptação da infraestrutura a padrões de precipitação cada vez mais extremos. Para o Nepal, um país com menor capacidade fiscal, a dependência de apoio externo para reconstrução tende a crescer a cada temporada.

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