
Imagem gerada por IA
Setor produtivo alerta para perdas de R$ 850 milhões com restrições no Tapajós
A falta de dragagem no Rio Tapajós, no Pará, pode provocar prejuízos de até R$ 850 milhões ao setor produtivo devido às restrições à navegação, segundo alerta de mais de 30 entidades lideradas pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). A estimativa consta de ofício encaminhado nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no qual o grupo cobra medidas para garantir as operações na hidrovia.
O documento, no entanto, não informa o período considerado na estimativa de R$ 850 milhões nem apresenta a metodologia utilizada para calcular o possível prejuízo. O material disponível também não detalha quais produtos ou setores seriam mais afetados pela falta de dragagem.
O Mapa não se pronunciou sobre o ofício até o momento, e não há indicação de prazo para uma resposta formal do ministério.
Tapajós tem sete trechos com restrições à navegação
Os problemas de navegação no Rio Tapajós já estavam no radar do setor de infraestrutura hidroviária antes do envio do documento. Em seminário realizado em 30 de julho de 2026, Mariana Pescatore, diretora de Relações Institucionais da Hidrovias do Brasil, afirmou que as secas históricas de 2023 e 2024 alteraram o planejamento das operações hidroviárias no país.
No Tapajós, foram identificados sete trechos com restrições operacionais. Segundo as informações apresentadas no evento, cerca de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos precisaram ser removidos para restabelecer as condições de navegação.
O diagnóstico apresentado pela executiva indica que intervenções antes tratadas como emergenciais passaram a ser consideradas uma necessidade estrutural para a manutenção das operações em hidrovias brasileiras.
A mobilização das entidades ocorre em um contexto de forte utilização das hidrovias da região Norte pelo setor produtivo. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), as bacias Amazônica e Tocantins-Araguaia movimentam, juntas, cerca de 107 milhões de toneladas por ano.
O ofício enviado ao Mapa foi assinado por mais de 30 organizações. O material disponível, porém, não identifica as demais entidades signatárias além da FPA nem informa os setores de atuação de cada uma.
O documento também não apresenta um cronograma de intervenções proposto ao governo nem especifica quais produtos ou commodities estariam mais expostos a eventuais restrições de navegação no Rio Tapajós.
FUP Explica
O ofício ao Mapa é, na prática, um movimento de pressão política organizado: mais de 30 entidades, com a FPA na frente, formalizando uma demanda ao governo federal num momento em que as hidrovias amazônicas já estão sob estresse por conta das secas recorrentes. O valor de R$ 850 milhões funciona como âncora do argumento, mesmo sem metodologia detalhada, porque coloca o custo da inação em termos concretos e difíceis de ignorar politicamente.
Do ponto de vista econômico, a situação do Tapajós não é isolada. As secas de 2023 e 2024 já mostraram que restrições operacionais em hidrovias da Amazônia elevam fretes, atrasam insumos e pressionam contratos de exportação de commodities. Se a dragagem não for feita, os custos logísticos tendem a subir para quem depende do corredor, e esse custo eventualmente chega ao preço final ou corrói margem de quem exporta.
A dimensão institucional também pesa: a bola agora está com o Mapa, que precisará responder ou justificar a ausência de resposta. Com a FPA à frente do ofício, o tema tem respaldo parlamentar suficiente para ganhar tração no Congresso caso o ministério não se mova.




