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Suape supera 2,7 milhões de toneladas e registra maior movimentação mensal da história
Granéis líquidos impulsionaram o resultado e responderam por 72,5% das cargas movimentadas no mês; porto acumula 18,835 milhões de toneladas entre janeiro e agosto.
O Porto de Suape, em Pernambuco, registrou em agosto de 2026 a maior movimentação mensal de cargas de sua história, com 2,726 milhões de toneladas. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (23), superou o recorde anterior de 2,670 milhões de toneladas, registrado em agosto de 2024, e foi impulsionado principalmente pelos granéis líquidos, que concentraram 72,5% de toda a carga movimentada no mês. O avanço está ligado, sobretudo, ao aumento da produção da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), instalada no próprio complexo portuário.
Somente a movimentação de granéis líquidos chegou a 1,976 milhão de toneladas em agosto, crescimento de 61% em relação ao mesmo mês de 2025. O grupo, que reúne petróleo, derivados e outros produtos líquidos, manteve a liderança na matriz de cargas do porto e reforçou a tendência de crescimento observada ao longo do ano. Entre janeiro e agosto, o segmento acumulou 12,735 milhões de toneladas e respondeu por 67,6% de tudo o que passou por Suape no período.
O desempenho acompanha o aumento da atividade da Rnest, que atualmente possui capacidade para processar cerca de 130 mil barris de petróleo por dia. Conforme apurado pelo Movimento Econômico, a Petrobras prevê para 2027 a entrada em operação da Unidade de Destilação Atmosférica ligada à expansão da refinaria. A companhia também trabalha na implantação do Trem 2, projeto que deverá acrescentar outros 130 mil barris diários à capacidade de processamento e elevar o total para 260 mil barris por dia em 2029.
Com o aumento da produção e da movimentação de líquidos, Suape também registrou crescimento nos indicadores acumulados do ano.
Nos primeiros oito meses de 2026, o porto movimentou 18,835 milhões de toneladas, volume 22,8% superior ao registrado entre janeiro e agosto de 2025. No mesmo intervalo, foram contabilizadas 1.103 atracações, crescimento de 9,6% na comparação anual.
Embora os granéis líquidos tenham liderado o avanço, outros tipos de carga também contribuíram para o resultado. A movimentação de contêineres chegou a 442.321 TEUs entre janeiro e agosto, equivalente a 25,2% da operação do porto. Já os granéis sólidos, que incluem produtos como clínquer, trigo e coque de petróleo, somaram 1,046 milhão de toneladas, aumento de 27,2% em relação ao mesmo período do ano passado. A carga geral solta, por sua vez, respondeu por 1,6% do total movimentado.
Para a administração portuária, o novo recorde acompanha o crescimento das operações. O diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, afirmou que superar a marca de 2,7 milhões de toneladas em um único mês demonstra que a infraestrutura instalada consegue absorver o crescimento da atividade e, ao mesmo tempo, reforça a necessidade de novos investimentos para elevar a capacidade e a eficiência.
Com o resultado de agosto, Suape se aproxima de 19 milhões de toneladas movimentadas nos primeiros oito meses de 2026. Os números reforçam a trajetória de crescimento do porto ao longo do ano e evidenciam o peso dos granéis líquidos no desempenho operacional do complexo pernambucano, acompanhado pelo avanço de outros segmentos, como contêineres e granéis sólidos.
FUP Explica
O recorde de Suape não é um número isolado: ele reflete uma mudança estrutural na operação do porto, puxada pela Rnest. Quando uma refinaria dentro do próprio complexo portuário aumenta sua produção, o efeito aparece direto nos volumes movimentados, porque petróleo e derivados entram e saem pelo mesmo cais. Isso explica por que os granéis líquidos respondem por quase 70% de tudo que passa por Suape no acumulado do ano, uma concentração que tende a crescer se o Trem 2 da refinaria entrar em operação conforme previsto para 2029.
Do ponto de vista econômico, um porto que cresce 22,8% no acumulado anual atrai atenção de armadores, operadores logísticos e embarcadores. Mais atracações significam mais receita portuária, mais demanda por serviços de praticagem, reboque, armazenagem e movimentação, o que aquece a cadeia de serviços ao redor do complexo. Para importadores e exportadores que operam por Suape, a expansão da capacidade é positiva no curto prazo, mas a fala do diretor-presidente sobre a necessidade de novos investimentos sinaliza que a infraestrutura atual pode chegar ao limite se o crescimento continuar nesse ritmo.
No campo político e institucional, o recorde reforça o argumento da administração portuária para pleitear recursos e aprovações regulatórias para ampliar o porto. Pernambuco tem interesse direto nisso, já que Suape é um dos principais motores econômicos do estado. O risco, nesse cenário, é que o crescimento concentrado em granéis líquidos deixe outros segmentos, como contêineres e granéis sólidos, disputando espaço numa infraestrutura que foi dimensionada antes dessa aceleração.




