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Seaboard Marine cobrará sobretaxa de até US$ 800 em cargas da América do Sul para EUA e Canadá
Cobrança entra em vigor em 11 de outubro e alcança embarques originados no Chile, Equador e Peru, com valores diferentes para contêineres dry e refrigerados
A Seaboard Marine passará a cobrar, a partir de 11 de outubro de 2026, uma sobretaxa de temporada alta sobre cargas transportadas da costa oeste da América do Sul com destino aos Estados Unidos e ao Canadá. A medida atingirá embarques originados no Chile, Equador e Peru e será aplicada sobre todas as tarifas e preços estabelecidos em contratos. Os valores variarão conforme o tipo e o tamanho do equipamento utilizado, chegando a US$ 800 por contêiner refrigerado de 40 pés.
A companhia informou aos clientes que o novo recargo será aplicado a toda a carga movimentada em direção ao norte nessas rotas. A cobrança foi definida em US$ 300 para contêineres dry de 20 pés, US$ 600 para unidades dry de 40 pés e US$ 800 para contêineres reefer de 40 pés.
A estrutura estabelecida pela Seaboard Marine prevê, portanto, valores diferentes conforme o tipo e o tamanho do equipamento empregado na operação. Para um contêiner refrigerado de 40 pés, o acréscimo será US$ 200 superior ao aplicado sobre uma unidade dry do mesmo tamanho e US$ 500 maior do que o previsto para um contêiner dry de 20 pés.
Entre os equipamentos secos, a diferença também será proporcional ao tamanho. Enquanto uma unidade de 20 pés terá cobrança adicional de US$ 300, o contêiner de 40 pés ficará sujeito a US$ 600, exatamente o dobro. O modelo adotado pela companhia, assim, estabelece três níveis de sobretaxa de acordo com a configuração utilizada no transporte.
Além dos valores, outro ponto relevante é a abrangência da medida. A nova cobrança não ficará restrita a tarifas específicas ou a contratos celebrados após sua entrada em vigor. Conforme comunicado pela própria transportadora, o recargo será colocado sobre todas as tarifas e preços contratuais relacionados aos embarques enquadrados nas condições anunciadas.
A área de origem também foi delimitada pela empresa. O recargo alcançará cargas provenientes de três mercados da costa do Pacífico sul-americano: Chile, Equador e Peru. No destino, a medida abrange embarques direcionados tanto aos Estados Unidos quanto ao Canadá, ampliando sua incidência sobre as operações realizadas entre esses países e a costa oeste da América do Sul.
O início da cobrança foi marcado para 11 de outubro, o que cria um intervalo de aproximadamente quatro semanas entre o anúncio, feito em 14 de setembro, e a entrada em vigor da nova tabela. A partir dessa data, embarques enquadrados nas rotas informadas passarão a incorporar o valor adicional correspondente ao equipamento utilizado.
Com isso, uma operação com contêiner dry de 20 pés terá acréscimo de US$ 300; para um dry de 40 pés, a cobrança sobe para US$ 600; e, no caso das unidades refrigeradas de 40 pés, chega a US$ 800.
A companhia classificou a cobrança como uma sobretaxa de temporada alta. No material divulgado, porém, não foram detalhados prazo para encerramento da medida, volumes de carga esperados para o período ou eventuais exceções à aplicação do recargo. Até o momento, as informações apresentadas concentram-se na data de início, nos mercados de origem e destino e nos valores definidos para cada tipo de contêiner.
FUP Explica
O ponto mais sensível aqui é a abrangência contratual: a Seaboard Marine deixou claro que o recargo incide sobre todas as tarifas e preços contratuais, não apenas sobre novos contratos. Isso significa que importadores e exportadores que fecharam fretes antes do anúncio, esperando custo fixo até o fim do contrato, podem ser surpreendidos com cobrança adicional a partir de 11 de outubro. Para quem opera com margens apertadas, como é comum em produtos perecíveis transportados em reefer, um acréscimo de US$ 800 por contêiner pode mudar o resultado da operação.
O recorte geográfico também chama atenção: Chile, Equador e Peru são exportadores relevantes de frutas, pescados e outros produtos refrigerados com destino ao mercado norte-americano. O fato de a sobretaxa mais alta recair exatamente sobre o reefer de 40 pés, categoria central nessas exportações, tende a pressionar o custo logístico de setores que dependem de cadeia de frio. Quem absorve esse custo, se o exportador, o importador ou o consumidor final, depende do poder de negociação de cada parte na cadeia.
A falta de prazo para encerramento da medida é outro elemento de incerteza. Sem data de término definida, fica difícil para os operadores projetar custo de frete para os próximos meses e precificar contratos de fornecimento. A Seaboard Marine não informou também se haverá exceções, o que deixa pouco espaço para negociação caso o recargo se prolongue além do que o mercado espera de uma sobretaxa de temporada alta.
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