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Real cai 2,7% na semana e Goldman Sachs eleva projeção do dólar
Economia

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Real cai 2,7% na semana e Goldman Sachs eleva projeção do dólar

18/08/2026·550 palavras
Goldman Sachs revisa projeções cambiais para dólar em R$ 5,20 (3 meses) e R$ 5,10 (6 meses), sinalizando maior volatilidade. Informação crítica para importadores, exportadores e operações de hedge cambial.

O real acumula pressão de baixa conforme as eleições presidenciais de outubro de 2026 se aproximam, e o Goldman Sachs revisou suas projeções cambiais para incorporar o risco político ao cenário. Na sexta-feira, 14 de agosto, o dólar fechou a R$ 5,2213 na venda, a maior cotação desde 30 de março de 2026, após a quinta sessão consecutiva de alta, segundo o InfoMoney. A sequência foi a mais longa desde dezembro de 2025, quando o dólar registrou sete altas seguidas. Na semana de 12 a 16 de agosto, o real acumulou desvalorização de 2,7%, conforme o mesmo veículo.

Em relatório divulgado em 17 de agosto de 2026, o Goldman Sachs elevou suas estimativas para a taxa de câmbio. O banco passou a projetar o dólar a R$ 5,20 em três meses e a R$ 5,10 em seis meses, ante previsões anteriores de R$ 4,90 e R$ 5,00, respectivamente. Para o horizonte de 12 meses, a projeção foi mantida em R$ 5,00. As novas estimativas incorporam um prêmio de risco relacionado ao período eleitoral.

O banco avalia que a força anterior do real era sustentada principalmente pelos fundamentos econômicos e pelo diferencial de juros brasileiro em relação a outras economias.

Com a proximidade das eleições, porém, o balanço de riscos se tornou menos favorável para novas apostas de valorização. O Goldman Sachs afirma que o dólar dificilmente ficará de forma sustentada abaixo de R$ 5,00 no curto prazo, e que uma trajetória mais favorável para o real depende da definição do cenário político.

A principal dificuldade para o real recuperar terreno de forma consistente está na incerteza sobre as implicações fiscais dos diferentes resultados eleitorais possíveis. Segundo o Goldman Sachs, o desempenho da moeda nos próximos meses dependerá menos dos indicadores correntes da economia e mais da capacidade do mercado de antecipar qual será a trajetória fiscal do país após o pleito. Mesmo períodos de recuperação pontual serão difíceis de sustentar sem sinais concretos de consolidação fiscal.

Gestores internacionais também começam a adotar cautela com ativos brasileiros. Os gestores David Austerweil e Eric Fine, da VanEck, vêm evitando apostas em renda fixa local brasileira por causa dos riscos eleitorais. Thierry Larose, da Vontobel, adotou posição vendida no real, argumentando que a moeda oferece pouca proteção diante de um cenário político desfavorável ao mercado. Kieran Curtis, da Aberdeen, também reduziu exposição à moeda brasileira, descrevendo o movimento como preparação para a volatilidade do período eleitoral.

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Hedge baixo e volatilidade implícita

Dados da State Stree mostram que o volume de hedge sobre o real segue baixo na comparação com ciclos eleitorais anteriores, o que deixa mais espaço para a moeda se desvalorizar caso investidores busquem proteção de forma mais intensa.

A volatilidade implícita para o período eleitoral aumentou, mas ainda permanece abaixo dos níveis observados em ciclos anteriores. O Goldman Sachs avalia que os níveis atuais do câmbio embutem pouco prêmio de risco adicional, o que reforça a postura cautelosa do banco.

No cenário político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera as pesquisas e é apontado como favorito para a reeleição, com cerca de dois terços de chances segundo os mercados de apostas Polymarket e Kalshi. A possibilidade de um novo mandato reacende dúvidas sobre a disposição do governo em promover o ajuste fiscal necessário para estabilizar as contas públicas.

FUP Explica

O que o Goldman Sachs está sinalizando não é só uma revisão técnica de projeção cambial: é um alerta de que o mercado financeiro passou a precificar o risco eleitoral de forma mais explícita. Quando um banco dessa envergadura eleva a estimativa do dólar e diz que a moeda dificilmente ficará abaixo de R$ 5,00 no curto prazo, ele está comunicando aos investidores que o prêmio de risco político chegou para ficar, pelo menos até outubro.

O ponto mais sensível aqui é o fiscal. A incerteza não é sobre quem vai ganhar, mas sobre o que o vencedor fará com as contas públicas. Lula lidera com folga, mas o mercado não está confortável com a trajetória fiscal do governo atual, e uma reeleição sem sinalização clara de ajuste tende a manter a pressão sobre o real. Por outro lado, um candidato de oposição com discurso mais austero poderia aliviar o câmbio, mas as chances disso ainda parecem baixas segundo os mercados de apostas citados no dossiê.

Para quem acompanha o dia a dia da economia, o efeito mais direto é sobre preços. Real mais fraco encarece importações, pressiona custos de produção e pode alimentar inflação, especialmente em setores que dependem de insumos ou equipamentos comprados no exterior. O fato de o volume de hedge sobre o real estar baixo em relação a ciclos anteriores é um sinal de que o mercado ainda não se protegeu totalmente, o que abre espaço para movimentos mais bruscos se o cenário político piorar.

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